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25 anos depois, a “guerra ao terrorismo” de Bush ainda serve às guerras de Trump Diálogos do Sul Global

Há 25 anos, no dia 11 de Setembro, foi proclamada uma “guerra contra o terrorismo” que custou quase um milhão de vidas no exterior e serviu para criticar e até perseguir dissidentes dentro dos Estados Unidos, e que hoje é utilizada pelo presidente Donald Trump para justificar guerras contra o Irã e Cuba, assim como contra imigrantes e opositores dentro do país.

Neste aniversário do primeiro ataque de forças estrangeiras ao continente estadunidense (com a simbólica exceção da incursão de Pancho Villa em Columbus, Novo México), realiza-se uma série de eventos que culmina com a comemoração da destruição das Torres Gêmeas, onde morreram 2.753 pessoas (um total de 2.997 pessoas pereceu nos ataques daquele dia, incluindo as vítimas no Pentágono, em um campo da Pensilvânia e entre os passageiros dos aviões).

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Ataques de 11 de setembro de 2001 – wikipedia

Noventa e três por cento dos estadunidenses com mais de 10 anos de idade em 2001 lembram exatamente onde estavam quando receberam a notícia do desabamento das Torres Gêmeas, segundo uma nova pesquisa do Pew Center.

O dia, conhecido como “9-11” ou “11 de Setembro” por sua data, está gravado na memória coletiva do país.

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Quase imediatamente depois do atentado terrorista, começou-se a preparar uma guerra contra o Iraque (país que não teve qualquer relação com o ataque) e o Afeganistão, e foi alimentada e gerada uma onda anti-islâmica que incluiu a prisão de centenas de muçulmanos, com milhares enfrentando processos de deportação nos Estados Unidos.

Mas, nesta sexta-feira, na cerimônia central no parque-monumento na Zona Zero, onde as Torres Gêmeas se erguiam em direção ao céu, o anfitrião será um muçulmano — o prefeito imigrante e socialista Zohran Mamdani.

A era pós-11-S foi definida por suas guerras e pela perseguição de “inimigos” internos, mas também por um movimento massivo que rejeitou esse esquema, gerou solidariedade tanto dentro do país quanto com outros países e impulsionou uma mudança progressista sob as sombras daqueles que usaram as torres para fins de direita.

Em 20 de setembro, nove dias depois do 11-S, o presidente George W. Bush declarou uma “guerra contra o terrorismo”. Ele lançou aquela que seria a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, contra o Afeganistão, em 7 de outubro de 2001, que durou 20 anos.

A guerra contra o Iraque começou em 2003 sob a mesma justificativa. O “terrorismo” tornou-se o novo inimigo externo e interno. Substituiu o comunismo e as drogas como os principais inimigos. Hoje, o “terrorismo” é aplicado a tudo, desde inimigos externos como Cuba e Irã, até velhos inimigos, batizando os cartéis e narcotraficantes como organizações terroristas, ou até mesmo fundindo sob esse nome novos inimigos, como o “islamo-comunismo”.

São 25 anos de guerra e os custos são enormes. Hoje, o governo estadunidense continua realizando o que chama de atividades antiterroristas em 78 países. Calcula-se que aproximadamente 4,5 milhões de pessoas tenham morrido direta e indiretamente devido às guerras pós 11de Setembro — pelo menos 940 mil morreram em decorrência da violência bélica — e que pelo menos 38 milhões de pessoas tenham sido deslocadas de suas casas; os gastos estadunidenses nas guerras pós-11-S já ultrapassam 8 trilhões de dólares, segundo o projeto Costs of War, da Universidade Brown.

Hoje, as medidas antiterroristas inventadas na era pós-11-S são utilizadas como justificativa para ataques militares no exterior — como as lanchas acusadas de serem de narcotraficantes, em ataques contra outros países —, mas também contra opositores dentro do país.

Há dois tipos de medidas: contra aqueles que realizam um atentado terrorista e também contra aqueles que oferecem “apoio material” àqueles que cometem atos de terrorismo. São medidas legais muito ambíguas — acaba de ser realizado o julgamento de oito ativistas no Texas que protestavam contra um centro de detenção de imigrantes e confrontaram agentes e policiais.

Eles foram condenados, no total, a 450 anos de prisão — décadas de cárcere — por terem sido acusados de participar e/ou apoiar um ato de terrorismo.

Vale lembrar que o terrorismo doméstico praticado por estadunidenses brancos é responsável por muitos mais atos criminosos do que atores estrangeiros ou islâmicos; de fato, até o retorno de Donald Trump, o Departamento de Segurança Interna e as agências de inteligência definiam os grupos estadunidenses de extrema-direita como a maior ameaça à segurança interna.

O maior ato de terrorismo doméstico ocorreu em 1995 contra o edifício federal de Oklahoma City, onde morreram 167 pessoas e centenas ficaram feridas. Os responsáveis eram Timothy McVeigh e Terry Nichols, homens brancos de extrema-direita.

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George W. Bush – wikipedia

Mas, durante esses 25 anos, também ocorreram outras mudanças que continuam surgindo até hoje. O movimento contra a guerra no Iraque foi maior, em suas manifestações nas ruas, do que o movimento contra a guerra do Vietnã, e os movimentos contra o neoliberalismo altermundialistas, o Occupy Wall Street e as novas alianças consolidadas nas duas campanhas eleitorais presidenciais de Bernie Sanders expressaram uma oposição constante ao esquema estabelecido pelas cúpulas políticas na era pós-11-S.

Também vale lembrar que, depois do governo de Bush e de seu grupo neoconservador, que impôs o esquema bélico pós-11-S, foi eleito o primeiro presidente afro-estadunidense, que prometeu “a mudança”.

Forças progressistas continuam condenando as guerras, rejeitam o rótulo de “terrorismo” contra países como Cuba e não apenas elegeram um muçulmano na maior cidade do país, como também outro muçulmano progressista venceu a cúpula para se tornar candidato ao Senado por Michigan, enquanto Ilhan Omar e Rashida Tlaib (a primeira palestino-estadunidense no Congresso) continuam enfrentando a extrema-direita, cada vez com mais aliados.

Na manhã desta sexta-feira, familiares das vítimas, incluindo familiares de bombeiros, policiais e funcionários de emergência que morreram ao tentar resgatar vítimas, e também daqueles que posteriormente sofreram de doenças causadas pela exposição aos venenos presentes no ar e nos escombros, além de alguns políticos — Trump decidiu não comparecer porque não lhe foi permitido fazer declarações, como é a regra para todos os políticos no evento —, ouvirão seis badaladas: às 8h46, quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte; às 9h03, quando o segundo avião colidiu com a Torre Sul; às 9h37, quando outro avião caiu sobre o Pentágono; às 9h59, quando a Torre Sul desabou; às 10h03, quando o voo 93 caiu em um campo na Pensilvânia; e às 10h28, quando a segunda torre desabou.

Entre as badaladas, são lidos os nomes das quase 3 mil vítimas. Neste aniversário, haverá uma sétima badalada pelas milhares de pessoas que morreram desde então de câncer e outras doenças causadas pelo atentado, e também pelos suicídios relacionados a esse evento.

Também se repetiram eventos que marcam cada aniversário, desde holofotes emitindo dois feixes de luz a partir da Zona Zero, marcando o local onde estavam as torres, até um espetáculo de drones desenhando maquetes tridimensionais das torres, as 2.753 cadeiras vazias colocadas no Parque Bryant, além de manifestações artísticas em dança e música.

Mas não há badaladas nem leitura dos milhões de nomes daqueles que morreram, foram feridos ou deslocados em outros países por ações justificadas por esse ataque, algo que continua até os dias de hoje.

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