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Kast e Milei reúnem ultradireita enquanto embaixador dos EUA debate “novo papel” de Washington na região Diálogos do Sul Global

Cúpula do Foro de Madrid ocorre enquanto Santiago espera que Milei reconheça de forma inequívoca a soberania chilena sobre o Estreito de Magalhães, após declarações de militares argentinos reivindicarem a passagem estratégica

O presidente chileno José Antonio Kast confirmou que participará, proferindo um discurso de abertura, do quinto encontro do Foro de Madrid, a aliança internacional que reúne políticos, partidos e organizações conservadoras e ultraconservadoras da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, nos dias 2 e 3 de setembro, em Santiago.

Também está confirmada a chegada do governante argentino, Javier Milei — que falará depois de Kast —, cuja presença ocorrerá em um momento em que as relações entre Santiago e Buenos Aires estão tensionadas, depois que um alto comando militar argentino atribuiu a seu país a soberania territorial sobre o Estreito de Magalhães, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, uma rota naval cujo valor estratégico está em alta.

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Gustavo Valverde – wikipedia

“O outro ponto que temos muito importante, Magalhães, o sul, o Mar de Drake, tudo isso é soberania, é preciso manter presença ali, porque isso é uma chave bioceânica, Atlântico-Pacífico”, declarou o general Gustavo Valverde, chefe do Estado-Maior da Força Aérea.

Dois tratados bilaterais, de 1881 e de 1984, estabelecem que o Estreito de Magalhães pertence total e exclusivamente ao Chile.

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Essas palavras, somadas a outras de idêntica natureza — em abril, o contra-almirante Hernán Montero, chefe da Hidrografia Naval, afirmou que “a boca de Magalhães é argentina” —, reviveram as suspeitas sobre o sempiterno expansionismo no extremo sul e o acesso ao Pacífico que é atribuído à Argentina.

Outro antecedente data de 2021, talvez o mais significativo, quando a Diretiva de Política de Defesa Nacional argentina declarou que ambos os países realizam controles conjuntos sobre o Estreito de Magalhães, provocando um protesto formal.

O descontentamento é tamanho que Kast, justamente nos dois dias anteriores à reunião dos ultradireitistas e à chegada de Milei, viajou para a Região de Magalhães e da Terra do Fogo, dois mil quilômetros ao sul da capital, para participar de exercícios militares habituais na região, mas que ganharam relevância após as declarações feitas do outro lado da fronteira.

Em 1979, ambos os países estiveram a horas de entrar em uma guerra pela posse de três ilhas na entrada oriental do ainda mais austral Canal de Beagle — a dois mil e 500 quilômetros de Santiago —, depois que uma decisão arbitral da Coroa britânica concedeu a soberania das ilhas ao Chile.

O conflito foi evitado pela mediação do papa João Paulo II.

Embora neste domingo, também em uma entrevista, o chefe da Marinha argentina, almirante Juan Carlos Romay, tenha reconhecido que o Estreito de Magalhães “pertence ao Chile”, em Santiago espera-se que Kast e Milei se reúnam no Palácio de La Moneda, onde o impasse seja tratado, após o que o governante argentino faça um reconhecimento inequívoco.

Quanto ao ultraconservador Foro de Madrid, do qual Kast é membro fundador, o programa anuncia a participação do embaixador estadunidense no Chile, Brandon Judd, no painel “O novo papel dos Estados Unidos na Ibero-América”, e do mexicano Gerardo Garibay, que moderará o bloco “As vitórias das forças patrióticas ibero-americanas”.

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