Delcy Rodríguez anuncia crédito subsidiado, auxílio às famílias afetadas e uso de recursos do FMI para reconstrução, enquanto cobra de Washington o fim das sanções que limitam o acesso da Venezuela ao próprio dinheiro
A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criou a Missão Venezuela Renasce, com a tarefa de articular e conduzir os esforços de recuperação de moradias e infraestrutura, coordenando as ações que, após verificação técnica, permitam oferecer respostas oportunas às famílias afetadas pelos terremotos.
À frente dessa iniciativa foi designada a engenheira estrutural Jacqueline Faria, que ocupava o cargo de ministra dos Transportes. Em seu lugar, a pasta da mobilidade será conduzida por Francisco Garcés, que atuou brevemente como comissário presidencial para a avaliação das infraestruturas afetadas.
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Rodríguez também anunciou um conjunto de medidas para mitigar o impacto socioeconômico dos terremotos, ao mesmo tempo em que insistiu na necessidade de que os Estados Unidos suspendam as sanções que mantêm contra o país.
“Aqui é muito importante insistir para que cesse o bloqueio contra a Venezuela, para que possamos acessar livremente os recursos do país justamente para este processo de recuperação”, afirmou.
Washington mantém um esquema de bloqueios e sanções ao petróleo venezuelano que impede Caracas de vender livremente o petróleo do país e administrar diretamente os recursos provenientes dessas vendas.
Rodríguez assegurou que o dinheiro desbloqueado pelo Fundo Monetário Internacional será destinado integralmente aos trabalhos de reconstrução e à assistência imediata às famílias que sofreram perdas humanas e materiais. Haverá uma ajuda financeira mensal durante os próximos seis meses para as famílias afetadas, embora o valor não tenha sido especificado.
O sistema bancário ativará a carteira de crédito hipotecário com subsídio de 80% para a aquisição e a reforma de moradias. Também será suspensa temporariamente a cobrança de taxas e impostos associados aos registros de aluguel e compra de imóveis. Além disso, Rodríguez decretou a proibição absoluta da exportação de materiais de construção com o objetivo de garantir o abastecimento interno.
Recuperar o que for possível, despedir-se dos mortos
Após onze dias do terremoto, o governo assegura que os esforços para encontrar sobreviventes continuam. No entanto, é possível observar que os trabalhos de remoção e recolhimento de escombros ganharam protagonismo tanto em Caracas quanto em algumas áreas da extensa faixa litorânea do estado de La Guaira.
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Em meio à atuação dos socorristas e voluntários, que não descansam na busca por pessoas, vivas ou mortas, chamam a atenção grupos de moradores de edifícios destruídos dedicados à tarefa de retirar móveis, eletrodomésticos ou qualquer bem que tenha permanecido intacto. Em alguns casos, eles são abordados pela polícia, que os alerta sobre o perigo dessas operações diante da possibilidade de que as estruturas desabem completamente.
As imagens, que circularam intensamente nas redes sociais, acirraram o debate entre aqueles que classificam a atitude como uma irresponsabilidade e os que reconhecem a necessidade das famílias de resgatar alguma coisa quando perderam tudo.
Agradecimento a Israel
Após 17 anos de ruptura das relações políticas e diplomáticas, a Venezuela recebeu uma delegação enviada pelo governo de Israel para realizar tarefas de busca e resgate de vítimas, bem como de recuperação da infraestrutura.
Os primeiros a chegar, em 30 de junho, foram 16 socorristas das Forças de Defesa de Israel (FDI), juntamente com membros da empresa de gestão de desastres e emergências Magen e das ONGs israelenses Ready for Rescue e SmartAID. Essas organizações já estão há vários dias no local realizando trabalhos de busca e resgate.
Em 3 de julho, chegou uma segunda delegação composta por “uma missão técnica do Estado de Israel, integrada por especialistas em engenharia estrutural e ciências aplicadas”, segundo informou o chanceler Yván Gil, que se incorporará “às tarefas de avaliação da infraestrutura afetada após os recentes terremotos na Venezuela”.
A presidente em exercício Delcy Rodríguez comentou a presença dessas delegações, destacando que, embora Venezuela e Israel não mantenham relações diplomáticas, foi estabelecido um contato “por meio da comunidade judaica na Venezuela”. Nesse sentido, agradeceu ao rabino-chefe do país, Yitzhak Cohen.
“Gostaria de agradecer ao rabino Cohen por toda a coordenação que nos permitiu estabelecer contato com o governo israelense e trazer para cá, neste momento, uma equipe de especialistas que começou a implementar o protocolo para iniciar o processo de reabilitação da infraestrutura e avaliar seu estado”, afirmou.
Venezuela e Israel não mantêm relações diplomáticas desde 15 de janeiro de 2009, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou todo o pessoal da embaixada israelense em Caracas, como resposta à ofensiva militar de Tel Aviv contra a Faixa de Gaza na chamada “Operação Chumbo Fundido”. Chávez acusou Israel de estar cometendo “um holocausto” contra o povo palestino.
