As casas de apostas tornaram-se um dos negócios mais lucrativos do país. Dados apresentados pelo Banco Central indicam que os brasileiros destinam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês às plataformas de apostas, o equivalente a algo entre R$ 240 bilhões e R$ 360 bilhões por ano.
Ao mesmo tempo, multiplicam-se os alertas sobre os impactos das apostas sobre a renda e o endividamento das famílias brasileiras.

O crescimento desse mercado foi impulsionado por uma gigantesca máquina de publicidade. Clubes de futebol, campeonatos, programas de televisão, plataformas digitais e influenciadores recebem recursos das chamadas “bets”.
Hoje, é difícil assistir a uma partida de futebol sem ser bombardeado por anúncios que associam apostas ao sucesso, à prosperidade e à realização de sonhos.
A propaganda apresenta vencedores, celebra grandes prêmios e estimula a crença de que qualquer pessoa pode mudar de vida com alguns cliques no celular.
O que não aparece nos comerciais é a realidade da maioria dos apostadores, que perde dinheiro regularmente. A lógica do negócio é simples: se as empresas faturam dezenas de bilhões de reais, esse dinheiro sai do bolso de milhões de brasileiros.
O impacto social já é visível. Trabalhadores comprometem parte do salário, aposentados arriscam a renda mensal e jovens são atraídos pela ilusão do enriquecimento rápido. Muitas famílias acabam recorrendo ao crédito para cobrir prejuízos acumulados, ampliando o ciclo de endividamento.
Diante desse cenário, o governo passou a exigir advertências mais claras sobre os riscos das apostas. A iniciativa é positiva, mas insuficiente. É necessário ampliar a fiscalização, limitar a publicidade dirigida aos segmentos mais vulneráveis e impedir práticas que induzam a população a acreditar que apostas constituem uma forma de investimento ou um caminho seguro para melhorar de vida.
O presidente Lula chegou a afirmar que, se dependesse dele, fecharia as casas de apostas. A declaração revela a dimensão do problema social criado pelas bets. Mas também expõe os limites da ação governamental diante da atual correlação de forças políticas.
O poder econômico do setor, sua influência sobre o futebol, os meios de comunicação e o sistema político dificultam qualquer iniciativa mais rigorosa de controle.
Se a sociedade considera que as apostas representam uma ameaça às famílias brasileiras, o debate terá de chegar às urnas. A eleição de outubro será uma oportunidade para discutir que Congresso o país deseja eleger e quais interesses deverão prevalecer: os do lucro de poucos ou os da proteção da renda e da dignidade de milhões de brasileiros.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

