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EUA | Dívida, guerras e desindustrialização aceleram declínio da hegemonia estadunidense

Artigo analisa como dívida pública, desindustrialização, gastos militares e avanço dos Brics desafiam a hegemonia global dos Estados Unidos e aceleram a transição para uma ordem multipolar

O imperialismo dos EUA passou por diferentes fases: a expansão continental do século 19, o salto ultramarino de 1898, a hegemonia financeira estabelecida pelos acordos de Bretton Woods e o momento unipolar que surgiu em 1991.

Este último período, marcado por “guerras preventivas” — invasões do Afeganistão e do Iraque, expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o Consenso de Washington etc. — e pela formulação de estratégias para derrubar governos “inconvenientes” para Washington, começou a se deteriorar após a crise de 2008. Hoje, testemunhamos um declínio multidimensional.

As causas estruturais são claras: a desindustrialização reduziu a participação da produção de cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), na década de 1960, para menos de 11%, enquanto a dívida pública ultrapassa 120% do PIB e a economia é sustentada pelo privilégio do dólar; uma financeirização que Lenin teria definido como capitalismo parasitário.

Como a China se tornou a
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A China, por sua vez, deixou de ser a fábrica do mundo para se tornar líder em 5G, inteligência artificial e veículos elétricos, deslocando o centro de gravidade da economia mundial para a região Ásia-Pacífico.

A crise interna de legitimidade — o fracasso no Afeganistão, a polarização e a desigualdade obscena — e a rebelião do Sul Global (Brics, Organização para Cooperação de Xangai e a recusa às sanções contra a Rússia) refletem o desgaste da hegemonia ocidental.

Em resposta, o imperialismo intensifica sua postura beligerante. Lênin já havia apontado que o capitalismo, em sua fase mais elevada, está “ligado a guerras de conquista e pilhagem”.

A guerra na Ucrânia, incentivada e sustentada pela Otan, busca enfraquecer a Rússia e justificar gastos militares recordes: o orçamento de defesa para 2026 está próximo de US$ 900 bilhões, valor que, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), “ameaça a segurança e a estabilidade globais”.

No Pacífico, a aliança militar entre Austrália, Reino Unido e EUA (Aukus), a militarização do Mar da China Meridional e a venda de armas para Taiwan reproduzem a lógica de contenção da potência emergente, enquanto o risco nuclear se agrava com a modernização dos arsenais e o abandono de tratados.

A ordem mundial está sendo reconfigurada. A aliança russo-chinesa e o Brics+ — com a incorporação, em 2024, de Irã, Etiópia, Egito e Emirados Árabes Unidos — desafiam o domínio financeiro dos EUA. Ao mesmo tempo, a desdolarização avança por meio de acordos em moedas nacionais, novos sistemas de pagamento e acumulação de ouro, corroendo um dos pilares do parasitismo capitalista mundial.

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Os alertas têm sido numerosos. O cientista político John Mearsheimer destaca que o sistema internacional atingiu “um ponto de virada crítico”, marcando o fim definitivo do “momento unipolar”.

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Fidel e Lênin – Montagem/Vermelho

Se analisarmos o pensamento de Lenin e Fidel Castro, encontraremos as chaves para compreender esse processo: o imperialismo é o capitalismo monopolista em sua fase parasitária e decadente, e seu recurso à guerra não denota força, mas fraqueza estrutural.

Somente a unidade dos povos do Sul, a integração soberana e a defesa irrestrita da paz podem evitar a catástrofe; trata-se, como insistiu Fidel, de conquistar uma segunda e definitiva independência.

A história, como nos lembrou o Comandante-em-chefe, não é um destino inevitável, mas uma disputa urgente e aberta, na qual a ação consciente ainda pode mudar os rumos dos acontecimentos.

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