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Violência contra a mulher preocupa 60% dos brasileiros e supera tráfico e assaltos

Pesquisa Datafolha revela mudança na percepção da sociedade e coloca a violência de gênero à frente do tráfico de drogas, dos assaltos e de outras formas de criminalidade

Pela primeira vez, a violência contra a mulher aparece como a principal preocupação dos brasileiros em matéria de criminalidade. Pesquisa recente do Datafolha encomendada pelo movimento Mulher 360, revela que 60% da população consideram essa a forma mais grave de violência presente no país. O percentual é muito superior ao atribuído ao tráfico de drogas (16%), aos assaltos à mão armada nas ruas (10%), à invasão e ao roubo de residências (2%), ao furto e roubo de celulares (1%) e ao roubo de veículos (1%).

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A pesquisa mostra ainda que essa preocupação é especialmente forte entre as mulheres. Três em cada quatro brasileiras (73%) consideram a violência contra a mulher o problema mais grave de segurança pública. Entre os homens, praticamente metade dos entrevistados (49%) compartilha da mesma avaliação. Os números revelam uma mudança importante na consciência da sociedade, que passa a reconhecer a violência de gênero como uma das mais graves violações dos direitos humanos no país.

Os números confirmam essa percepção. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, entre janeiro e junho de 2025 foram registrados 33.999 estupros de mulheres, uma média de 187 casos por dia. No mesmo período, 418.218 mulheres sofreram algum tipo de violência. Destas, 292.970 foram vítimas de ameaças, 153.233 sofreram lesão corporal, 3.815 foram assassinadas e 1.197 morreram em feminicídios.

Mas a violência contra a mulher não se resume às agressões físicas. A violência psicológica é uma das formas mais cruéis e silenciosas de dominação. Humilhações, ameaças, chantagens, perseguições e tentativas de controle da vida pessoal destroem a autoestima e a autonomia das vítimas, deixando marcas profundas que muitas vezes permanecem invisíveis.

A violência está presente dentro dos lares, nos ambientes de trabalho, nas escolas e nas ruas. Muitas mulheres continuam submetidas a situações de risco por medo, dependência econômica ou ausência de mecanismos eficazes de proteção. A persistência desse quadro demonstra que a legislação, embora necessária, não é suficiente para enfrentar o problema.

O combate à violência contra a mulher exige uma presença mais efetiva do Estado por meio da educação, da assistência social, da proteção às vítimas e de políticas de segurança capazes de prevenir e punir os agressores. A construção de uma cultura de respeito, igualdade e valorização da vida deve começar na escola e envolver toda a sociedade.

Em ano eleitoral, os brasileiros têm o direito de exigir dos candidatos compromissos concretos para enfrentar essa tragédia cotidiana. Não se trata apenas de reduzir estatísticas. Trata-se de preservar vidas, proteger famílias e construir uma sociedade mais justa e humana, onde as mulheres possam viver sem medo e com plena dignidade.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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