Acaba “trégua” de 3 dias entre Rússia e Ucrânia mediada pelos EUA – 13/05
A trégua de três dias na guerra entre Rússia e Ucrânia — anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para os dias 9, 10 e 11 de maio — terminou no dia 12 de maio com mais frustração do que êxito, e sem concretizar ainda a troca de mil prisioneiros de cada lado, enquanto Moscou e Kiev retomaram o lançamento de drones e mísseis em grande escala, após trocarem acusações de que o outro lado foi o primeiro a atacar.
De fato, durante o último fim de semana prolongado, os contendores se abstiveram de desferir golpes contra cidades e instalações estratégicas no interior de ambos os países, salvo algumas exceções, mas tanto a Rússia quanto a Ucrânia contabilizaram, em apenas três dias, milhares de episódios de violação do cessar-fogo pelo inimigo, entre eles tentativas de operações de assalto, disparos de artilharia (canhões, obuses e morteiros), movimentação de veículos blindados, incursões de drones de reconhecimento, etc.
O Ministério da Defesa russo informou nas redes sociais que “durante o período de vigência do cessar-fogo (de Trump) foi registrado um total de 30 mil 383 episódios de violação da trégua por parte da Ucrânia”.
Nas últimas 24 horas, continua o comando militar russo, “o exército ucraniano tentou cinco operações de assalto e bombardeou com artilharia 859 posições russas” e, nas primeiras horas desta madrugada, a defesa antiaérea “derrubou 27 drones ucranianos sobre território da Rússia”.
Por isso, afirma: “ao terminar a trégua, as forças armadas russas continuaram sua operação militar especial” (como o Kremlin chama a guerra na Ucrânia), e a aviação, as unidades de drones, a artilharia e os mísseis atacaram “aeródromos militares, depósitos de munições e combustível, assim como posições do exército ucraniano e de mercenários estrangeiros em 56 localidades”.
Embora o Kremlin tenha advertido desde o dia 9 de maio que não haveria prorrogação dessa trégua, o governo ucraniano propôs mantê-la de forma indefinida e disse que sua duração dependeria de Moscou.
“A própria Rússia decidiu pôr fim ao silêncio parcial” (como denomina o cessar-fogo) “que durou vários dias. Nesta madrugada lançou contra a Ucrânia mais de 200 drones. Novamente, caíram na frente de batalha 80 bombas de aviação, e foram registrados cerca de 30 ataques aéreos”, escreveu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, em sua primeira mensagem do dia nas redes sociais.
Ele acrescentou que a força aérea da Ucrânia informou ter conseguido derrubar 192 dos 216 drones russos, e que 24 desses artefatos atingiram dez localidades, danificando “instalações energéticas, um edifício residencial, uma creche e uma locomotiva de um trem de passageiros”. Entre as regiões bombardeadas estão Dnipropetrovsk, Mykolaiv, Zhytomyr, Chernihiv, Sumy, Kharkiv e Kiev, assim como a capital homônima do país.
“Advertimos que responderíamos da mesma forma a todos os ataques russos. A Rússia deve pôr fim a esta guerra e é a Rússia quem deve dar o passo rumo a um cessar-fogo real e duradouro”, sublinhou Zelensky.
Teste do míssil Sarmat
No dia 13 de maio foi realizado um teste bem-sucedido do míssil Sarmat — chamado a se tornar, quando terminar o período experimental, a arma mais poderosa do arsenal nuclear russo —, segundo informou ao presidente Vladimir Putin o comandante das forças de mísseis estratégicos, general Serguei Karakayev.
“Camarada comandante supremo, hoje às 11h15 (08h15 GMT), as forças de mísseis estratégicos lançaram o mais moderno míssil balístico intercontinental pesado de combustível líquido, o Sarmat. O lançamento foi bem-sucedido. A missão foi cumprida”, relatou Karakayev por videoconferência.
Após expressar sua satisfação e agradecer o trabalho de todos os que contribuem para “fortalecer a capacidade de defesa da Rússia”, Putin assegurou que “até o final deste ano, efetivamente, o Sarmat entrará em serviço operacional das forças armadas russas”, promessa que desde 2023 — após o primeiro e então único teste bem-sucedido do míssil — ele já havia feito em outras duas ocasiões.
Para o chefe do Kremlin, o Sarmat “é o sistema de mísseis mais poderoso do mundo, cuja carga explosiva supera em quatro vezes a de qualquer sistema ocidental neste momento”. Ele afirma que “pode se mover não apenas por trajetória balística, mas também suborbital, o que permite ampliar para até 35 mil quilômetros a distância de uso, duplicando suas características de precisão e, em suma, permitindo superar qualquer sistema de defesa antimísseis existente atualmente…”.
Putin também destacou que “está em fase final o trabalho em dois sistemas com pequenos sistemas de propulsão nuclear: o veículo submarino não tripulado Poseidon e o míssil de cruzeiro de alcance global Burevestnik”.
Com a de 12 de maio, das sete provas realizadas com o Sarmat, duas foram concluídas com sucesso e cinco fracassaram, explodindo o míssil na plataforma de lançamento ou poucos segundos após ser lançado, segundo publicaram meios independentes russos.
Trump anuncia cessar-fogo de três dias entre Rússia e Ucrânia – 09/05
Quando ficou evidente que fracassou a “trégua unilateral” declarada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, por ocasião do Dia da Vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial, já que Moscou acusou Kiev de não respeitar o cessar-fogo e Kiev responsabilizou Moscou por ter atacado primeiro, apareceu em cena Donald Trump para anunciar uma nova trégua.
“Tenho o prazer de anunciar um cessar-fogo de três dias (9, 10 e 11 de maio) na guerra entre Rússia e Ucrânia. Esta trégua inclui a suspensão de toda atividade bélica, assim como a troca de mil prisioneiros de cada lado. Fiz esse pedido pessoalmente e estou muito agradecido ao presidente Vladimir Putin e ao presidente Volodymyr Zelensky por concordarem”, escreveu Trump em sua conta na rede Truth Social.
“Confio que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, sangrenta e pesada”, acrescentou e, depois de afirmar que as negociações continuam, encerrou sua mensagem em tom otimista: “e a cada dia nos aproximamos mais da meta”.
A Rússia, por meio de Yuri Ushakov, assessor do Kremlin para política externa e segurança, e a Ucrânia, através de seu presidente, Volodymyr Zelensky, confirmaram que aceitam a iniciativa de Trump, embora seja sabido que deixaram claro que responderão de forma proporcional caso o outro lado ataque primeiro.
Ushakov destacou: “Saudamos esta proposta que desenvolve a recente conversa telefônica dos presidentes da Rússia e dos Estados Unidos, na qual os líderes ressaltaram que nossos países foram aliados nos anos da Segunda Guerra Mundial, assim como discutiram a possibilidade de declarar um cessar-fogo por ocasião do Dia da Vitória”.
E afirmou que “é importante que esta iniciativa do presidente Trump esteja inserida no 81º aniversário da Vitória sobre o nazismo, uma celebração sagrada para nós”.
Por sua vez, Zelensky mencionou nas redes sociais que “um argumento adicional para definir nossa posição sempre foi resolver um dos aspectos humanitários-chave desta guerra: a liberdade dos nossos prisioneiros. Para nós, a Praça Vermelha (em alusão ao desfile militar que acontecerá neste sábado em Moscou) é menos importante do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podemos trazer de volta para casa”.
O anúncio de Trump pegou todos de surpresa e ainda resta saber se a história das tréguas anteriores não vai se repetir. O fracasso da mais recente se concretizou há apenas algumas horas.
Trégua fracassada
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, em comunicado, que entre 0h e 7h do dia 8 de maio “a defesa antiaérea derrubou 254 drones ucranianos sobre 15 regiões da Rússia”.
Acrescentou: “Desde o início da trégua unilateral, nossas unidades suspenderam operações, mas as tropas inimigas continuaram nos atacando. Nas primeiras horas, houve mil 365 violações do cessar-fogo por parte da Ucrânia. Nessas condições, não tivemos outra opção além de responder de forma proporcional”.
Quase ao mesmo tempo, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, culpou a Rússia por não respeitar “nem sua própria trégua” e assinalou que não lhes deixaram outra alternativa além de “responder de forma proporcional”.
Zelensky denunciou: “o inimigo, até as 7 da manhã desta sexta-feira, lançou durante a noite 140 ataques de artilharia e realizou 10 tentativas de assalto de suas tropas, além de ter sido registrada a incursão de 67 drones”, o que — em sua opinião — “demonstra claramente que a Rússia não fez sequer uma tentativa de simular uma cessação das hostilidades”.
Pelo que pôde ser apurado através dos canais de monitoramento por satélite e de testemunhos nas redes sociais, nesta madrugada houve impactos de drones e mísseis Flamingo ucranianos, sobretudo em Yaroslavl, Perm e Rostov do Don.
Em Yaroslavl, a refinaria Slavneft-YANOS, uma das mais importantes do norte da Rússia, sofreu danos. O governador da região, Mikhail Evraiev, confirmou que se trata de “uma instalação industrial”; em Perm, que fica a 1.500 quilômetros da fronteira ucraniana, drones ucranianos caíram sobre uma refinaria da petroleira Lukoil. O governador da região, Dmitri Makhonin, assinalou que se tratou do quarto ataque nos últimos dez dias contra “empresas industriais”; em Rostov do Don, segundo seu governador, Yuri Sliusar, foram afetados um consórcio da indústria química, uma filial do centro de assistência técnica Radar e a sede regional de coordenação da navegação aérea, o que obrigou à suspensão de todos os voos em 13 aeroportos do sul da Rússia.
O presidente Vladimir Putin, em uma reunião por videoconferência com membros de seu Conselho de Segurança, classificou como “ato terrorista” o ataque ucraniano ao centro aeronáutico de Rostov do Don.
O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, informou ao longo do dia 8 de maio nas redes sociais sobre drones ucranianos derrubados ou desviados em rota para a capital russa, quase meio centena ao todo, embora fontes não oficiais assegurem que houve mais ataques.
Escaramuça psicológica
Antes do anúncio de Donald Trump, toda a atenção estava voltada para o desfile militar, em formato reduzido, sem exibição de armamentos e com poucos aviões em voo acrobático, que aconteceu na Praça Vermelha de Moscou.
A Rússia, por meio primeiro de seu Ministério da Defesa e depois de sua chancelaria, advertiu que, se a Ucrânia tentar arruinar esse desfile, “vai lançar um ataque massivo com mísseis balísticos contra o centro de Kiev, onde se encontram as instituições e embaixadas”.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, chegou ao extremo de recomendar aos países que têm missões diplomáticas nessa parte da capital ucraniana que retirem, por precaução, seu pessoal.
Volodymyr Zelensky não demorou a sugerir no mesmo 8 de maio a qualquer estrangeiro “não comparecer amanhã (sábado), por via das dúvidas, à Praça Vermelha” de Moscou. “Do que ouvirmos hoje (sexta-feira) depende o que acontecerá amanhã (sábado)”, devolveu a ameaça o presidente da Ucrânia.
À margem dessa espécie de escaramuça psicológica, caso a proposta de Trump também fracasse, alguns especialistas acreditam que nada acontecerá durante o desfile militar, pois Moscou reforçou de maneira drástica sua defesa antiaérea, em detrimento de outras regiões do país, com a instalação de 43 torres adicionais de sistemas Pantsir-S1M em torno da capital russa, entre outras medidas.
Lavrov e Rubio mantêm conversa telefônica “construtiva” sobre relação bilateral – 05/05
O chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, e seu homólogo dos Estados Unidos, Marco Rubio, mantiveram no dia 5 de maio uma conversa telefônica “construtiva e profissional”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia por meio de um comunicado de apenas algumas linhas.
“No dia 5 de maio, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, manteve uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Os ministros expuseram suas posições sobre a situação atual nos assuntos internacionais e as relações russo-estadunidenses, assim como discutiram o calendário de contatos bilaterais. A conversa teve um caráter construtivo e profissional”, diz o comunicado, que não especifica nenhum dos temas abordados, nem quanto tempo durou a ligação, nem de quem partiu a iniciativa.
Embora não tenha relação direta com a conversa telefônica dos chanceleres, chama a atenção que pouco antes, a porta-voz da chancelaria, Maria Zajarova, declarou neste mesmo dia 5 de maio que a Rússia está na melhor disposição de prestar assistência política e diplomática para contribuir para resolver as divergências no golfo Pérsico.
“Defendemos de maneira constante a solução das divergências nesta região estrategicamente importante do mundo por meios políticos e diplomáticos, levando em conta os interesses de todos os Estados do golfo Pérsico. Reafirmamos a disposição da Rússia de fornecer a assistência necessária para alcançar esse objetivo”, destacou Zajarova.
A conversa entre Lavrov e Rubio ocorreu algumas horas antes de começar, às 00h de quarta-feira, 6 de maio, o chamado “regime de silêncio”, uma espécie de cessar-fogo indefinido, que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ordenou que suas tropas iniciassem, o qual terá vigência apenas se a Rússia fizer o mesmo e deixar de atacar a Ucrânia.
Zelensky formulou sua proposta como resposta à “trégua unilateral” anunciada primeiro pelo Kremlin para os dias 8 e 9 de maio, por ocasião das celebrações da vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial, que será observada apenas se a Ucrânia não atacar a Rússia.
Colocado assim de modo oficial por Moscou e Kiev, sem que as duas partes beligerantes cheguem a um acordo sobre os parâmetros do cessar-fogo, não são poucos os analistas que concluem que essas iniciativas podem terminar antes mesmo de começar ou durar muito pouco, pois o que se busca com elas é culpar o outro por violar a trégua e provocar a resposta obrigatória, como já ocorreu em experiências anteriores desse tipo, como os supostos cessar-fogos temporários durante festas religiosas.
Os ucranianos, que há uma semana vêm enviando uma média de 250 drones diários (no dia 5 de maio, mais de 300) e mísseis de cruzeiro Flamingo de fabricação própria contra Moscou, São Petersburgo e regiões do interior da Rússia, algumas a cerca de 2 mil quilômetros de distância de sua fronteira, estão convencidos de que as tropas russas continuarão bombardeando suas cidades a partir desta meia-noite.
E as autoridades russas, que na madrugada do mesmo dia 5 lançaram 160 drones e 11 mísseis de cruzeiro contra várias regiões ucranianas, levam muito a sério que a Ucrânia tentará de tudo para atrapalhar o tradicional desfile militar na Praça Vermelha, no dia 9 de maio. Por esse motivo, decidiram que desta vez não haverá veículos blindados, tanques, canhões, mísseis e outros equipamentos bélicos, apenas infantaria marchando.
As companhias de telefonia celular enviaram há dias a seus clientes o aviso de que, de 5 a 9 de maio, “poderia haver interrupções no serviço de telefonia móvel”, que de fato começaram no dia 5, quando não houve conexão durante cerca de quatro horas pela manhã.
Os serviços de segurança asseguram que a rede celular pode ser usada para orientar com maior precisão os drones. O Ministério do Desenvolvimento Digital e Comunicações da Rússia confirmou no dia 5 de maio a suspensão do serviço por “motivos de segurança”, enquanto o prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, informou no mesmo dia as forças de defesa antiaérea derrubaram 29 drones que se dirigiam à capital russa (no dia 4 de maio, um drone atingiu um edifício residencial a 6,5 quilômetros do centro da Praça Vermelha).
Mas o que mais preocupa o Kremlin são os mísseis de cruzeiro Flamingo que, na madrugada do dia 5, atingiram uma corporação que fabrica componentes eletrônicos para o exército russo na cidade de Cheboksari, capital da república da Chuváchia, a cerca de 700 quilômetros de Moscou e a 1.500 quilômetros da fronteira ucraniana.
Nesse ataque ucraniano também foi atingida a refinaria de Kirishi, na região de Leningrado, uma das maiores do setor energético russo.
Ataque da Ucrânia atinge estrutura petrolífera ligada aos EUA, afirma Rússia – 07/04
Suspensas as negociações trilaterais para pôr fim às hostilidades, enquanto o mediador, Estados Unidos, segue afundado em sua agressão contra o Irã, a guerra travada por Rússia e Ucrânia continua seu curso.
Na madrugada de 6 de abril, a Rússia atacou com mísseis e drones várias regiões da Ucrânia, com bombardeios concentrados nas regiões de Dnipropetrovsk e Kharkiv. No porto de Odessa, um míssil ou fragmento do mesmo atingiu um edifício residencial, causando a morte de três pessoas e 17 feridos. Os projéteis russos também caíram sobre a cidade de Sloviansk, o que segundo especialistas seria parte dos preparativos para um dos pontos-chave da ofensiva das tropas russas nos próximos meses.

A Ucrânia, por sua vez, lançou drones contra os portos do território russo de Krasnodar: Novorossiysk, Anapa, Gelendzhik e Sochi, na costa do mar Negro. Segundo o governador de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, seis edifícios multifamiliares e duas casas sofreram danos, resultando em oito pessoas feridas. “Caíram fragmentos de drones abatidos em algumas empresas”, acrescentou.
Guerra de informação por ofensiva contra-petrolífera
Uma das infraestruturas petrolíferas do porto de Novorossiysk tornou-se, no dia 6 de abril, o principal alvo dos ataques ucranianos, em meio a informações confusas sobre qual instalação foi atingida.
O Ministério da Defesa russo informou que a Ucrânia atacou instalações do Consórcio de Gasodutos e Oleodutos do Cáspio. Formado por Rússia (31% das ações), Cazaquistão (21%) e, o restante, por empresas privadas, entre elas a estadunidense Chevron (com 15%), o consórcio administra cerca de 80% do petróleo que o Cazaquistão exporta.
“O regime de Kiev atacou de forma deliberada as instalações da empresa internacional de transporte de petróleo, Consórcio de Gasodutos e Oleodutos do Cáspio, com o objetivo de infligir o máximo dano econômico a seus principais acionistas: empresas dos Estados Unidos e do Cazaquistão”, indicou a pasta russa em comunicado. O governo do Cazaquistão assinalou, porém, que “como resultado do incidente, o volume de exportação de petróleo” cazaque não foi afetado.
De acordo com Olga Stefanishina, embaixadora ucraniana em Washington, citada pela imprensa de seu país, em janeiro passado a Casa Branca pediu a Kiev que não bombardeasse infraestruturas energéticas onde houvesse “interesses estadunidenses”.
O comando militar da Ucrânia sustenta que seus projéteis atingiram o terminal petrolífero Shejsaris, no mesmo porto de Novorossiysk, que é utilizado pela empresa russa TransNeft, acompanhando seu relatório com vídeos que mostram um grande incêndio. Um agente do Serviço de Segurança Ucraniano assegurou à agência Reuters que seis das sete plataformas do terminal Shejsaris sofreram danos, assim como o centro do sistema de dutos e a estação de medição.
Além disso, o comandante-chefe das forças de aeronaves e navais não tripuladas do exército ucraniano, Robert Brovdi, afirmou ter atingido a fragata lançadora de mísseis Almirante Makarov, o navio de guerra russo mais importante na região desde o afundamento, em abril de 2022, do Moskva, até então o navio-insígnia da Marinha russa no mar Negro. O Ministério da Defesa não confirmou a informação.
O mesmo funcionário ucraniano disse que foi destruída uma plataforma marítima de extração de gás, em um ataque de acordo com a estratégia de Kiev de minar as capacidades de refino, armazenamento e exportação tanto de gás quanto de petróleo, que constituem sua principal fonte de receitas para financiar sua “operação militar especial”.
Resgate em mina
Leonid Pasechnik, governador da região de Lugansk — região que é parte da Federação Russa desde os referendos de setembro de 2022 —, anunciou o resgate bem-sucedido, realizado em 6 de abril, de 41 trabalhadores da mina Belorechenskaya, depois que um ataque ucraniano com drones contra uma estação próxima a deixou sem eletricidade e os mineiros ficaram presos, sem poder subir à superfície.
Quatro anos de guerra na Ucrânia – 24/02
Ao completar-se, no dia 24 de fevereiro o quarto aniversário da ordem do presidente Vladimir Putin para iniciar a chamada “operação militar especial”, a Rússia segue sem alcançar os objetivos estabelecidos por seu mandatário, e a Ucrânia não parece disposta a se render.
Quatro anos após a madrugada de 24 de fevereiro de 2022, já em meio a uma guerra em larga escala, a Rússia busca “libertar” totalmente as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia; “desnazificar” a Ucrânia; desarmar seu exército; impedir sua entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); obrigá-la a declarar-se um país neutro e desnuclearizado; além de modificar leis para beneficiar a minoria de origem russa, entre outras exigências.
A Ucrânia resiste graças ao apoio em recursos e armamentos fornecidos por seus aliados europeus — atualmente adquiridos junto aos Estados Unidos — e tem consciência de que a Rússia dispõe de mais armas e soldados. Portanto, não está em condições de expulsar as tropas russas dos territórios ocupados, cerca de 20% do país, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, mas tampouco considera possível capitular, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.
Enquanto isso, Kiev tenta conter o exército russo e procura atingir infraestruturas no interior da Rússia com seus próprios meios — drones e mísseis fabricados na Ucrânia — confiando que sua capacidade de resistir aos ataques aéreos de Moscou seja maior do que a capacidade do Kremlin de financiar esta guerra, que há tempos se transformou em um conflito de posições e desgaste.
Por trás da guerra, trava-se outra batalha: a das narrativas. Cada lado tenta impor não apenas sua versão dos acontecimentos diários, mas também das causas que levaram à ruptura entre dois povos outrora considerados irmãos.
A Rússia argumenta que o Ocidente — Estados Unidos e seus aliados da Otan — não lhe deixou alternativa ao descumprir a promessa de que não haveria expansão da aliança atlântica para o leste e ao instalar em Kiev um “regime nazista” após o “golpe de Estado” que depôs, em 2014, o então presidente Viktor Yanukovich.
Moscou afirma que precisava deter o suposto “genocídio” da população de origem russa, defender seu idioma, cultura e religião, além de evitar a instalação de bases da Otan em território ucraniano, o que representaria uma ameaça à sua segurança nacional.
As autoridades ucranianas sustentam que o impopular mandatário foi destituído pelo Parlamento — inclusive com votos de seu próprio Partido das Regiões — após abandonar o cargo durante uma semana sem que se soubesse seu paradeiro. Posteriormente, a Ucrânia realizou duas eleições presidenciais: a primeira vencida por Petro Poroshenko e a segunda por Volodymyr Zelensky. Segundo Kiev, os 14 mil mortos mencionados por Moscou como “genocídio” correspondem às vítimas, de ambos os lados, da guerra civil de 2014–2015.
Os efeitos negativos do conflito são sentidos em ambos os países, embora não da mesma forma. A devastação da Ucrânia, resultado de bombardeios cotidianos, não é comparável aos danos sofridos pela Rússia com armamento ocidental limitado e cujo uso em território russo é restrito a distâncias superiores a 300 quilômetros da fronteira.
Tanto Rússia quanto Ucrânia já pagaram um altíssimo preço em vidas humanas, estimadas, segundo diversas fontes, em centenas de milhares de mortos de ambos os lados, além de ao menos meio milhão de baixas por ferimentos graves e diferentes formas de invalidez, especialmente amputações de braços e pernas.
Atualmente, tanto Moscou quanto Kiev desejariam, na prática, encerrar a guerra, mas nenhum dos dois quer ser visto como derrotado.
A Rússia começa a sofrer mais intensamente os efeitos das sanções internacionais: o ouro e as reservas acumuladas nos tempos de bonança petrolífera estão se esgotando; ainda há recursos para recrutar soldados, mas já não são suficientes para custear os enterros — apenas uma das preocupações do Kremlin.
A Ucrânia, por sua vez, enquanto a população civil enfrenta um dos invernos mais rigorosos, sem aquecimento, água e eletricidade, também enfrenta sérias dificuldades para recrutar soldados e necessita de mais armamentos, embora permaneça firme na linha de frente.
Pressionadas pelos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, busca apresentar-se como “pacificador”, Rússia e Ucrânia aceitam negociar em Istambul, Abu Dhabi, Genebra ou em qualquer outro local, mas sem realizar concessões mínimas em questões fundamentais que possam facilitar um acordo político.
As perspectivas, avaliam analistas, são sombrias: em vez de um tratado de paz iminente, o cenário aponta para mais devastação e mais mortes.
Rússia critica Trump por alteração em projeto original de paz – 10/02
O chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, mostrou-se decepcionado no dia 09 de fevereiro com as decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de modificar o que o Kremlin insiste ter sido sua “proposta original em Anchorage (Alasca)” e por não retirar as sanções comerciais contra o país, embora tenha afirmado estar convencido de que Washington não apoiará a ideia de enviar tropas europeias para a Ucrânia.
“Em Anchorage (Alasca) aceitamos a proposta dos Estados Unidos — um plano de 28 pontos que, após ser negociado separadamente com a Ucrânia, foi reduzido a 20 temas —, além de que supostamente fizeram uma oferta em relação à Ucrânia, e estávamos preparados — agora eles não estão —, e tampouco vemos um futuro promissor para a cooperação econômica”, afirmou Lavrov em entrevista ao canal TV Brics.
“Apesar de todas as declarações da administração de Donald Trump sobre a necessidade de pôr fim à guerra que (Joe) Biden, ex-presidente dos Estados Unidos, desencadeou na Ucrânia, de chegar a um acordo, retirá-la da agenda e, supostamente, abrir perspectivas claras e promissoras para investimentos e para a cooperação russo-estadunidense, não foram suspensas as sanções que Biden aprovou para punir Moscou após o início da operação militar especial” no país vizinho, acrescentou.
Revés à cooperação, denuncia Lavrov
Para o chefe da diplomacia russa, após a “excelente reunião” entre o presidente Vladimir Putin e o mandatário estadunidense em Anchorage, deveria ter havido avanços rumo a uma cooperação mais ampla, mas, “na prática, ocorreu o contrário”, já que Washington “está impondo barreiras artificiais”.
Em outras declarações, desta vez ao canal de televisão russo NTV, o ministro das Relações Exteriores afirmou estar convencido de que os Estados Unidos se oporão ao envio de tropas europeias para a Ucrânia, proposta defendida por Grã-Bretanha e França como garantia de segurança após um eventual cessar-fogo.
“Não vou me referir agora a como discutimos isso com os estadunidenses, mas perguntamos: isso é verdade? Não tenho a menor dúvida de que a resposta dos Estados Unidos aos europeus e a Volodymyr Zelensky (presidente ucraniano) não será positiva”, declarou Lavrov.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também se referiu no mesmo dia 9 de fevereiro aos “entendimentos de Anchorage”, mas novamente evitou detalhar o que a Rússia entende por esse conceito, limitando-se a afirmar que “são fundamentais e podem impulsionar o processo de solução do conflito ucraniano e permitir um avanço significativo”.
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