Na última quinta-feira (9), manifestantes que tentavam chegar ao Palácio de Miraflores em um protesto centrado na demanda por aumentos salariais se enfrentaram com a Polícia Nacional Bolivariana (PNB).
Trata-se de uma marcha convocada por várias organizações sindicais e acompanhada por organizações estudantis da Universidade Central da Venezuela, que havia sido anunciada dias antes. O motivo da manifestação era exigir o aumento de salários e remunerações dos trabalhadores públicos e, desde o início, foi comunicada a intenção de chegar até a sede da Presidência da República, localizada na Av. Urdaneta, no centro da capital.
No dia 6 de abril, o secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ministro do Interior, Diosdado Cabello, anunciou uma marcha das organizações políticas do chavismo também em direção ao centro de Caracas, coincidindo em alguns pontos com a marcha sindical. Isso não dissuadiu a primeira manifestação, cujos participantes se depararam com vários bloqueios policiais ao longo do trajeto.
Houve empurrões e confrontos em diferentes pontos e a marcha conseguiu avançar em meio a tensões desde a Plaza Venezuela, a leste da cidade, até o centro. Mas, nas proximidades da Assembleia Nacional, localizada a cerca de quatro quadras de Miraflores, a marcha encontrou um contingente policial reforçado e começaram os enfrentamentos. A PNB tentou dispersar a manifestação com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, o que desencadeou choques violentos entre agentes e manifestantes. Organizações de direitos humanos como a Provea denunciaram que houve várias detenções de estudantes e trabalhadores em meio ao tumulto após o meio-dia.
Na noite de 8 de abril, a presidenta interina, Delcy Rodríguez, anunciou um aumento salarial para o próximo primeiro de maio, embora sem especificar detalhes sobre o mesmo, assim como a instalação de uma comissão de diálogo trabalhista entre o Estado, empresários privados e trabalhadores e aposentados. Esse anúncio também não dissuadiu a convocação sindical, que o ministro Diosdado Cabello apontou no mesmo dia 8 como motivada politicamente para gerar caos no país.
Aprovada Lei Orgânica de Minas
A Assembleia Nacional aprovou a Lei Orgânica de Minas, após uma discussão que se estendeu por mais de quatro semanas. O instrumento busca atrair capitais estrangeiros e nacionais ao estabelecer condições favoráveis para o investimento privado. Estabelece concessões de 30 anos, prorrogáveis por dois períodos consecutivos de até 10 anos, e royalties com um teto de até 13%. A lei também regula os direitos minerários, estabelece categorias para a mineração de pequena, média e grande escala, e permite a arbitragem independente e internacional de controvérsias.
Designados novos fiscal-geral e defensora do povo
O parlamento também cumpriu com a designação dos novos titulares de dois dos cargos fundamentais do Poder Cidadão. Após um processo de avaliação que incluiu a revisão de 69 perfis finais por parte de uma comissão especial, a Assembleia Nacional aprovou por maioria absoluta as nomeações do fiscal-geral da República e da defensora do povo, após as renúncias de Tarek William Saab e Alfredo Ruiz apresentadas em 25 de fevereiro.
Como novo fiscal-geral da República foi designado o advogado Larry Devoe, que atuou anteriormente como secretário-executivo do Conselho Nacional de Direitos Humanos e agente do Estado junto a organismos internacionais.
Por sua vez, a advogada Eglée González Lobato foi empossada como a nova Defensora do Povo. Ela foi consultora jurídica do Conselho Nacional Eleitoral no final da década de 1990 e também trabalhou no escritório local do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Sua designação representa uma renovação na estrutura do Poder Cidadão, por ser uma reconhecida comentarista que elaborou críticas públicas dirigidas também ao chavismo.

