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Peru: adversário de Keiko para o 2º turno já está definido? Entenda o que dizem as pesquisas

A presidência do Peru será definida em um segundo turno no dia 7 de junho. Será entre dois candidatos que obtiveram tão baixo apoio que não chegaria a 20%, segundo resultados não oficiais. Mais uma vez, Keiko Fujimori disputaria a votação final.

Duas pesquisas de boca de urna colocam a filha e herdeira política do falecido ditador Alberto Fujimori em primeiro lugar: Ipsos (16,6%) e Datum (16,5%).

Dois dias de votação

Pela primeira vez, porém, as eleições não terminaram neste domingo (12), seguindo até esta segunda-feira (13). Por problemas logísticos, o material eleitoral não chegou a 215 seções em 15 centros de votação em Lima, impedindo o voto de 63 mil eleitores, entre um total de 27 milhões. O problema gerou caos ao longo do dia, indignação entre aqueles que enfrentaram longas filas sem conseguir votar, protestos e denúncias de uma possível fraude. Diante da situação, o Júri Nacional de Eleições (JNE) determinou que o processo eleitoral fosse reaberto e que aqueles que não puderam votar no domingo o fizessem nesta segunda-feira. O anúncio chegou quase duas horas após a eleição já ter sido encerrada. Em uma decisão extemporânea, o JNE “exortou” que não fossem divulgados resultados oficiais e não oficiais até o fim do sufrágio desta segunda-feira. A decisão, porém, chegou quando as projeções de boca de urna já haviam sido divulgadas.

Disputa para o segundo lugar

Com uma margem de erro de três pontos nas sondagens, seis candidatos estão em empate técnico no segundo lugar, sendo que quatro deles têm maiores chances de disputar a presidência com Keiko Fujimori: o esquerdista Roberto Sánchez, o ultradireitista Rafael López Aliaga, o candidato de centro-direita Jorge Nieto e o populista Ricardo Belmont. As diferenças entre eles são estreitas e, a depender da empresa responsável pelas pesquisas (Ipsos e Datum), a ordem varia. Outros dois candidatos – o social-democrata Alfonso López Chau e o ator cômico Carlos Álvarez, próximo ao fujimorismo – que até o final estavam na disputa, ficam mais atrás, com poucas chances, mas não devem ser descartados devido à margem de erro das pesquisas.

De acordo com a pesquisa de boca de urna da Ipsos, o segundo lugar é de Sánchez, que reivindica o ex-presidente Pedro Castillo, com 12,1%. Muito próximo vem Belmont, com 11,8%, seguido por López Aliaga (11,0) e Nieto (10,7). Mais atrás aparecem López Chau (7,1) e Álvarez (7,0). Na Datum, em segundo figura López Aliaga, com 12,8%, seguido por Nieto (11,6), Belmont (10,5) e Sánchez (10,0). Mais longe vêm López Chau (8,6) e Álvarez (7,1). “Tecnicamente, pela margem de erro de três pontos, do segundo ao sétimo lugar há um empate estatístico”, esclareceu Urpi Torrado, diretora da Datum.

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Essas eleições foram marcadas por uma alta dispersão do voto — em meio ao recorde de 35 candidatos — e por um contexto de descrédito muito elevado da classe política, uma crise de instabilidade com oito presidentes nos últimos dez anos e um processo de retrocesso democrático e de direitos impulsionado por uma coalizão autoritária de direita e ultradireita no Congresso que controla o poder político. Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga foram os principais candidatos dessa coalizão parlamentar, chamada de “pacto mafioso”.

Essa dispersão do voto entre vários candidatos do campo democrático — da esquerda à centro-direita, que não conseguiram chegar a um acordo para unificar forças, nem sequer em dois ou três blocos, e multiplicaram candidaturas — favoreceu Keiko Fujimori para voltar a entrar no segundo turno com baixo apoio. A crise de aumento da criminalidade favoreceu os discursos de mão dura da direita.

Keiko Fujimori

Se os resultados oficiais confirmarem as projeções, Keiko Fujimori passará pela quarta vez consecutiva ao segundo turno. Ela, porém, mantém uma alta taxa de rejeição — em razão do regime autoritário de seu pai e por sua própria conduta política — que à levou à derrota em 2011, 2016 e 2021. Nas duas últimas, não reconheceu os resultados e denunciou uma fraude inexistente, totalmente descartada em ambas as eleições por todos os observadores internacionais. A partir de 2016, sabotou o governo de Pedro Pablo Kuczynski. De 2021 para frente, foi a vez de Pedro Castillo, o qual atacou com ainda mais ferocidade. Não surpreenderia que desta vez repetisse a história.

Desde o Congresso, gerou, com sua bancada e aliados, uma instabilidade política que ao todo levou o país a ter oito presidentes nos últimos dez anos. Fez campanha reivindicando a ditadura de seu pai, oferecendo ordem e mão dura, e propondo sair da Corte Interamericana de Direitos Humanos. No Congresso, seu partido promoveu e aprovou, com aliados, leis de impunidade para violadores de direitos humanos e para a corrupção política. Seu pai, cuja gestão autoritária lhe serve de guia, foi condenado por crimes contra a humanidade e corrupção. Antes de ir votar, foi ao cemitério visitar seu túmulo. O momento dessa visita é uma mensagem clara de sua identificação política com o ditador.

Esquerda: ainda há esperança?

Um cenário possível é o de Keiko Fujimori disputando o segundo turno com um candidato de esquerda como Roberto Sánchez, que se apresenta como representante do ex-presidente Pedro Castillo, o que configuraria uma disputa semelhante à de 2021, vencida pelo professor. Sánchez foi ministro de Castillo e é congressista pelo partido Juntos por el Perú. Segundo os dados das projeções de boca de urna, venceu nas regiões andinas e amazônica, e com muita força no setor rural. Ou seja, nos setores mais pobres e marginalizados — como Castillo em 2021. É questionado por agora pedir votos em nome de Castillo — o ex-presidente lhe deu apoio —, mas não o apoiou quando o Congresso o destituiu, abstendo-se nessa votação. Funcionários do governo Castillo e familiares do ex-mandatário estão em suas listas para o Senado e para a Câmara dos Deputados.

O panorama mais perigoso

Entre os outros cenários possíveis, também está um segundo turno entre duas candidaturas da ultradireita, caso López Aliaga, conhecido como “Porky”, fique com o segundo lugar. Aliaga coincide com as propostas autoritárias do fujimorismo e as expressa com uma linguagem ainda mais agressiva. Admirador de Trump e Milei, costuma insultar e ameaçar aqueles que o criticam. Esteve por muito tempo em primeiro lugar nas pesquisas, mas na reta final da campanha começou a cair. Quando percebeu a queda, denunciou, sem qualquer base, que haveria uma fraude eleitoral contra ele. Já neste domingo (12), aproveitou o problema na distribuição do material eleitoral para alimentar sua narrativa de suposta fraude caso seja derrotado.

Outras possibilidades

Há ainda Jorge Nieto, um sociólogo que, na juventude, militou na esquerda e hoje se posiciona na centro-direita, embora ele próprio se coloque simplesmente no centro. Foi ministro da Cultura e da Defesa de Kuczynski. Nestas eleições, defendeu a recuperação da institucionalidade democrática e dos direitos, afetados pelo Congresso de direita.

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Por fim, mas não por último, há Ricardo Belmont, o quarto candidato com mais chances de chegar ao segundo turno. É um populista difícil de posicionar politicamente, pois tem um discurso vazio e, ao longo de sua longa carreira política — em grande parte em cargos pouco relevantes, exceto quando foi prefeito de Lima no início dos anos 1990 —, caracterizou-se por um oportunismo que o levou a transitar entre a direita e a esquerda.

Os mais de 60 mil que votam nesta segunda-feira (13) o farão já conhecendo essas projeções de boca de urna, sabendo das chances dos candidatos, o que pode alterar sua escolha original por um voto estratégico.


Imagens na capa:
– Keiko Fujimori: Reprodução / Facebook
– Eleitor: Presidência do Peru / Flickr

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