ao-pedir-“extensao-do-pix-a-colombia”,-petro-tambem-denuncia-politica-extorsiva-de-juros-no-pais

Ao pedir “extensão do Pix à Colômbia”, Petro também denuncia política extorsiva de juros no país

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu neste sábado (4) o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix como uma alternativa mais eficiente e condenou o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos — órgão ligado ao governo Trump — de que o mecanismo representaria uma barreira comercial. 

A alegação da Casa Branca é que o sistema, criado e operado pelo Banco Central (BC), poderia favorecer a plataforma pública em detrimento de empresas privadas estrangeiras, como Visa e Mastercard.

Em dezembro, o Pix bateu recorde com mais de 300 milhões de operações em um único dia, o que reforça sua importância “como infraestrutura digital pública, para o funcionamento da economia nacional”, esclareceu o BC. Além da supremacia absoluta no número de operações, também foi registrado o teto em volume de dinheiro movimentado, com R$ 179,9 bilhões em 24 horas, sendo utilizado por mais de 170 milhões de pessoas físicas, o que corresponde a 80% da nossa população.

Como demonstração do êxito do sistema, o Pix caiu nas graças dos estabelecimentos de diversos continentes, especialmente nos países onde há enorme fluxo de brasileiros, como Argentina, Uruguai, Portugal, França e nos próprios Estados Unidos

“Peço ao Brasil que estenda o sistema Pix à Colômbia, e que deixe de considerar a lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), que não serve mais”, sustentou Petro, para quem a ferramenta estadunidense “já não é uma arma contra o narcotráfico”. Em pronunciamento contundente, o presidente afirmou que o órgão serve apenas para “perseguir e subjugar a oposição política em todo o mundo.”

Trocando em miúdos, exemplificou o mandatário, o Ofac é “um sistema aberrante de controle político”, pois líderes do tráfico internacional, que deveriam ser punidos pelo órgão, conseguem burlá-lo. “Os traficantes a ridicularizam e permanecem em Dubai, onde compram residências por quatro milhões de dólares e passam a viver no luxo”, salientou.

Petro propõe constituinte para que BC respeite o mandato popular

Em um contundente pronunciamento, Gustavo Petro rechaçou o aumento “extorsivo” da taxa de juros decretado na semana passada pelo Banco da República (o Banco Central da Colômbia) e defendeu a necessidade da realização de uma Assembleia Nacional Constituinte para pôr fim à pretensa “autonomia e independência” da instituição.

Petro enfatizou que “não se deixará extorquir” por um Conselho de Administração do BC que vem agindo como instrumento do neoliberalismo e da extrema-direita. São pessoas, segundo ele, que tentam “aumentar os lucros dos donos da dívida pública, que são os mesmos banqueiros”. Esses senhores, acrescentou, enriquecem com a desvalorização do peso, com o aumento dos custos financeiros e das exportações, “colocando em risco o padrão de vida e o emprego da população colombiana.”

Pelo fato de existir um impasse institucional — que atualmente prevê a independência do BC —, sustentou o líder colombiano, é necessário que o governo seja o catalisador de uma discussão profunda e mobilize a sociedade, que “deve culminar em uma Assembleia Constituinte Popular” que rompa de vez com a submissão aos banqueiros. Afinal, “por mandato constitucional, o Banco Central está sujeito à soberania popular.”

Que tal acompanhar nossos conteúdos direto no WhatsApp? Participe do nosso canal.

O confronto entre Petro e a diretoria do BC, com o pronunciamento do mandatário em favor da atuação do Estado neste setor estratégico da economia, reforça o papel do executivo e da mobilização da militância há dois meses das eleições presidenciais, quando Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico (partido de Petro), é considerado o favorito.

Iván Cepeda: a trajetória do candidato que propõe uma “revolução ética” na Colômbia

Governo ridiculariza pesquisa da extrema-direita feita sob encomenda

O presidente considera que os sucessivos aumentos dos juros — que ridiculamente têm por base técnica uma “pesquisa” com 26 figuras-chave que são os próprios proprietários dos bancos — são o “pior erro da história da nação”. Afinal, alertou, não passa de uma armação que têm por objetivo “asfixiar”, “desacelerar a economia”, causar uma “estagflação artificial” e culpar o governo, “matando a economia”. Evidente, “são economistas a serviço da extrema-direita.”

Essa foi a razão de o ministro da Fazenda e Crédito Público, Germán Ávila, ter deixado a última reunião do Conselho de Administração do BC, não sendo cúmplice da sabotagem em curso, esclareceu o mandatário. O presidente anunciou que seu governo havia se retirado do Conselho pelo fato de o BC ter assumido uma “oposição suicida”, abertamente contrária à economia nacional.

Grupelho ligado à escória de Iván Duque

A maior parte dos dirigentes do BC é composta pelas escórias ligadas aos ex-presidentes Iván Duque Márquez (2018-2022) e Álvaro Uribe (2002-2010), e a vassalos do sistema financeiro. Portanto, o aumento para 11,25% na taxa de juros quando a economia necessita se desenvolver revela uma “estúpida aliança” entre setores rentistas e ultraneoliberais para manter a Colômbia como um dos países mais desiguais do mundo, protestou Petro.

Na prática, sustentou, significa uma agenda política herdada da administração anterior, “um ato eleitoral, não científico”, pois não tem qualquer sustentação. E reiterou: “O BC está tentando aumentar os lucros dos donos da dívida pública, que são os mesmos banqueiros.”

Para o presidente, elevar as taxas de juros enquanto o Federal Reserve (Fed) dos EUA as mantém inalteradas é um “absurdo” que beneficia exclusivamente os detentores da dívida pública, em detrimento do trabalho das famílias colombianas.

“A distribuição da renda nacional prioriza os trabalhadores”

“O establishment colombiano quer o fim imediato do período progressista porque ele distribui a renda nacional priorizando os trabalhadores; portanto, por meio da facção Duque no Conselho, querem que seu modelo econômico seja imposto novamente ao país, desconsiderando o mandato popular das eleições de 2022”, explicou Petro.

A política que o Conselho do BC busca implementar, advertiu ainda Gustavo Petro, “nada mais é do que um uribismo conservador, viciado em ideias neoliberais que já fracassaram no mundo todo.”

“Conselho de administração do BC perdeu sua independência”

“O Conselho de Administração do Banco Central perdeu sua independência. A maioria do conselho desconsiderou a Constituição de 1991, que exige coordenação com o governo.  Ele o subjugou com sua decisão ignorante”, enfatizou o presidente.

Além disso, o mandatário apontou conflitos de interesses diretos, mencionando que a presença de Bibiana Taobada, filha da ex-ministra Alicia Arango no conselho (nomeada por Iván Duque), vincula as decisões do BC à campanha eleitoral da oposição, especificamente à da senadora Paloma Valencia, candidata uribista pelo “Centro Democrático”. “Não é independente da política eleitoral da mãe Alicia, que agora é a coordenadora de campanha da candidata Paloma Valencia”, recordou.

Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) colombiano cresceu 2,6%, mas “especialistas” e “colunistas” da grande mídia — cartas marcadas dos EUA e da oposição — esbravejaram que isso provocaria um “elevado déficit fiscal” devido ao “aumento dos gastos públicos” e “aos investimentos significativos em programas sociais.”

Outra pretensa “preocupação” da extrema-direita é que Petro decretou um aumento histórico de 23,7% no salário mínimo em 2026, medida que, segundo seus “analistas”, “poderá pressionar a inflação para cima”. Na verdade, o que temem é que, ao elevar o piso para dois milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 2.819), o “salário vital” tenha ampliado de forma significativa o poder de compra, gerado emprego e contribuído para a redução da desigualdade. O aumento supera em muito a inflação projetada (5,1%) e é o maior desde 1997.

Em carta de apoio ao governo, economistas, acadêmicos, movimentos sociais, sindicais e organizações comunitárias sustentam que o aumento abusivo na taxa de juros imposto pelo BC ao longo do ano tem sido “uma reação direta ao aumento do salário mínimo”, que penaliza famílias e pequenas empresas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *