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Bases dos EUA na América Latina são dupla ameaça aos povos da região

Os Estados Unidos seguem trabalhando fortemente na sua estratégia de dominar completamente a América Latina, mantendo-a sob seu tacão. No início de março, o presidente Donald Trump reuniu presidentes “amigos” em um encontro para constituir o que ele chamou de Escudo das Américas, mas que, na verdade, é a busca por um escudo para “a” América – no caso, eles.

A proposta do governo dos EUA é garantir a instalação de mais bases militares no continente. Também  neste mês de março, o congresso do Paraguai reativou um acordo que permite a entrada de militares estadunidenses no país para trabalhos de “cooperação”. Os militares terão imunidades semelhantes às concedidas a diplomatas, o que, na prática, constitui a instalação de uma base militar dentro do Paraguai.

No Equador, o presidente Noboa tentou empurrar goela abaixo a retomada pelos gringos da Base de Manta, mas foi impedido pela vontade popular que, numa consulta nacional, rejeitou a presença militar estrangeira no país. Ainda assim, o mandatário segue buscando atuar em conjunto com os Estados Unidos, agora sob o pretexto de atacar o narcotráfico.

Na Argentina — cujo presidente, Javier Milei, já até ofereceu os jovens argentinos para lutar contra o Irã — também está sendo discutida a instalação de bases estadunidenses na região de Ushuaia e Terra do Fogo. Em outubro do ano passado, foi autorizada a presença de militares dos EUA no território para a realização de exercícios conjuntos.

Não se sabe ao certo quantas bases militares estadunidenses existem na América Latina, mas o número deve se aproximar dos 80. A Base Naval de Guantánamo em Cuba é a mais antiga e bastante simbólica por estar incrustada na ilha socialista. No Caribe estão espalhadas várias bases, com especial atenção para as de Aruba, Curaçao e Porto Rico.

Brasil, Colômbia e México em alerta: riscos e lacunas do “Escudo das Américas” de Trump

Honduras registra a Base Aérea de Soto Cano, um ponto bastante estratégico para o controle de toda a região da América Central. Panamá, apesar de ter recuperado o controle do canal, ainda cede espaços para militares estadunidenses.

Na Colômbia são mais de nove bases militares, com a desculpa de atuar contra o narcotráfico. O Peru, ainda que não tenha bases, cede diversos pontos do território para operações de inteligência estadunidense. No Uruguai não há bases militares, mas em 2023 o Senado fortaleceu a cooperação em segurança e defesa, incluindo o retorno ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).

O Chile oficialmente não tem base, mas há denúncias de que o Forte Aguayo, inaugurado em 2012, recebeu financiamento estadunidense para abrigar o centro de treinamento para os soldados da Organização das Nações Unidas (ONU), chamados de capacetes azuis. Esse fato levantou várias denúncias de que o Forte seria, sim, uma base militar estadunidense, visto que Washington detém o controle.

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A Bolívia não tem mais nenhuma base estadunidense desde que Evo Morales fechou a instalação de Chimoré como medida de soberania. Agora, com o novo presidente, não se sabe o que vai acontecer. Já no México, não há, pois a Constituição do país proíbe qualquer base estrangeira.

Resta o Brasil, que em tese também não tem base estadunidense em seu território. Inclusive, esse tema sempre foi motivo de rechaço por parte da população. Ainda assim, o país mantém boas relações com os militares estadunidenses, consolidando acordos de cooperação focados em intercâmbio de tecnologias e lançamentos espaciais na Base de Alcântara. Em vários mapas sobre bases na América Latina, Alcântara aparece como sendo uma delas.

Como dá para perceber, o continente latino-americano está praticamente tomado por bases dos EUA, o que deveria deixar o povo com as barbas de molho. Basta ver o que acontece hoje na região do Oriente Médio. Com os Estados Unidos deflagrando ataques sobre o Irã, o Irã tem revidado, destruindo bases militares estadunidenses nos países vizinhos.

Entregando o território nacional para bases estadunidenses, os governos dos países da América Latina oferecem um risco duplo à região: ao mesmo tempo em que se submetem a serem serviçais do imperialismo, colocam suas populações em perigo. Afinal, numa eventual guerra, todos estes espaços estarão sujeitos a ataques.

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