No domingo, 8 de fevereiro, o Gabinete de Segurança de Israel aprovou novas regras para aumentar o controle sobre a Cisjordânia ocupada. O supremacismo étnico e religioso sionista continua seu caminho sombrio para ocupar toda a Palestina Histórica. “Não há nada que impeça os colonos de possuir terras, vir para o centro da cidade de Ramallah e construir casas”, disse a repórter Nida Ibrahim, de Birzeit, na Cisjordânia, em matéria publicada na Al Jazeera English, acrescentando que isso é ilegal segundo o acordo assinado com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e as leis internacionais que proíbem uma potência ocupante de transferir seus cidadãos para territórios ocupados. “Os palestinos só podem construir casas nas Áreas A e B, onde podem possuir terras, construir e expandir”, relata Ibrahim. “Existem muitas restrições aos palestinos que possuem terras ou constroem casas. Sempre que constroem na Área C, Israel as demole”, continua. “A Área C, em particular, tem uma grande presença de colonos”, afirma.

Até hoje, a Cisjordânia ocupada é dividida em três zonas distintas, como resultado dos Acordos de Oslo de 1993, assinados pela OLP e Israel. Nela, a Área A (18%) representa o território que está sob controle palestino; a Área B (22%), o que está sob controle conjunto de Israel e da Palestina e; a na Área C (60%), encontra-se a maioria da área que está sob controle total de Israel, conforme indicado no mapa da reportagem. Além disso, informa que cerca de 700 mil colonos israelenses vivem em aproximadamente 250 assentamentos ilegais localizados na Área C, marcados em vermelho, e em Jerusalém Oriental ocupada, registrada na cor amarela.
“O ministro das Finanças [do regime sionista], Bezalel Smotrich, elogiou as mudanças como um reforço da presença de Israel no território, enquanto o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que elas estabelecem uma âncora estratégica permanente para a política de assentamentos” coloniais, informa o i24 News, site de notícias israelense.
Palestinos temem anexação
Autoridades palestinas locais descrevem a medida como a mais grave desde 1967, alertando para uma tentativa de “esvaziar” bairros palestinos e criar bairros judeus ligando assentamentos à mesquita Ibrahimi, repetindo o “modelo Hebron” de divisão e controle militar desde o massacre de 1994. Moradores temem que a nova administração sionista do local sagrado leve à anexação da área, impedindo sepultamentos e visitas ao cemitério islâmico, o que forma parte de uma política sistemática e acelerada para consolidar o controle israelense sobre a Cisjordânia, estabelecendo uma anexação permanente, reporta Al Jazeera English.
Várias organizações civis palestinas denunciaram energicamente as recentes medidas de anexação e colonização na Cisjordânia. Manifestam que a eliminação do status legal desses territórios visa acelerar o deslocamento forçado e consolidar a soberania da potência ocupante. Diante dessa situação, líderes sociais exigem uma reunião nacional de urgência para estabelecer uma estratégia defensiva unificada e firme. Além disso, fazem um apelo desesperado ao Conselho de Segurança da ONU para intervir diante do que classificam como crimes contra a humanidade. O relatório ressalta a importância de fortalecer a resistência civil e os laços de cooperação internacional para proteger a existência do povo palestino, segundo a agência de notícias SadaNews, sediada em Ramallah.
Gaza sem palestinos: plano de Trump é ocupação permanente pelos EUA — e já começou
Já o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, enfatizou a necessidade de suspender essas medidas destinadas a minar as instituições do Estado palestino e a solução de dois Estados, além de consolidar a ocupação militar de 58 anos da Cisjordânia por Israel e seu projeto colonialista, em violação ao direito internacional e às Convenções de Genebra. Ele instou a comunidade internacional a agir de forma urgente e eficaz “para pôr fim a essas medidas e responsabilizar o governo israelense por suas violações contínuas, para preservar a credibilidade do sistema internacional baseado no respeito ao direito e à Carta das Nações Unidas”, reportou a Agência Palestina de Notícias e Informação (WAFA, na sigla em inglês).
Em resposta à ação israelense, os combatentes da resistência de Hamas teriam convocado a população da Cisjordânia a “intensificar o confronto com a ocupação e seus colonos”, de acordo com reportagem da Al Jazeera English.
Países da região condenam avanços coloniais
Mesmo formando parte do macabro “Conselho de Paz”, plano sionista e imperial que pretende exterminar a soberania palestina em Gaza, oito países de maioria muçulmana — Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos — denunciaram as mudanças, afirmando que elas visam “impor a soberania ilegal de Israel” na Cisjordânia. Durante anos, Israel tem buscado anexar a Cisjordânia ocupada. “Sob o atual governo, que assumiu o poder no início de 2023, a expansão dos assentamentos atingiu seu nível mais alto desde que a ONU começou a acompanhar esses dados em 2017”, e “somente em 2025, quase 47.390 unidades habitacionais foram avançadas, aprovadas ou licitadas, contra cerca de 26.170 em 2024”, reporta a Quds News Network (QNN), agência de notícias palestina.
Ex-comandantes do Exército de Israel alertam que o movimento põe em risco a segurança do regime
Segundo o grupo Comandantes para a Segurança de Israel (CIS, na sigla em inglês), liderado pelo ex-major-general Matan Vilnai e composto por ex-chefes do Mossad, do Shin Bet (Serviço de Segurança de Israel), da polícia e outros altos funcionários das Forças de Ocupação de Israel, “essas ações, combinadas com a escalada acentuada e incessante do terrorismo judaico nos territórios, contribuem diretamente para – e irão exacerbar ainda mais – a radicalização de jovens palestinos e, consequentemente, seu armamento e recrutamento para o Hamas”, bem como outras organizações da resistência palestina. “Embora o CIS represente a opinião majoritária no meio das forças de segurança, há muitos oficiais de segurança do outro lado do debate, e muitos partidos políticos de centro não se opõem à construção na Cisjordânia, mesmo que não a incentivem tanto quanto os partidos de direita”, reporta o Jerusalem Post, meio de comunicação israelense.
ONU: Israel viola o direito dos palestinos à autodeterminação
Em 9 de fevereiro, Stéphane Dujarric, porta-voz do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou que a decisão do governo israelense está “comprometendo a perspectiva de uma solução de dois Estados”. Ele reitera que “todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e seus respectivos regimes e infraestruturas, não possuem validade legal e constituem uma violação flagrante do direito internacional, incluindo as resoluções pertinentes das Nações Unidas”. Disse também que “tais ações, incluindo a presença contínua de Israel no Território Palestino Ocupado, não são apenas desestabilizadoras, mas também – como lembrou o Tribunal Internacional de Justiça – ilegais”.
Na quarta-feira, (11), o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, afirmou que as decisões aprovadas pelo gabinete de segurança israelense são “as mais recentes de uma série de medidas para anexar terras palestinas, em flagrante violação do direito à autodeterminação” do povo palestino, informou a TRT World, canal de notícias turco.
Ex-premiê israelense condena
Em entrevista à Al Jazeera English, o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse que as novas regras territoriais israelenses que facilitam a expansão ilegal dos assentamentos na Cisjordânia ocupada “parecem uma limpeza étnica” dos palestinos. “Sou contra a política... do governo e dos membros seniores do gabinete, particularmente os aliados mais importantes do primeiro-ministro israelense, o grupo messiânico de bandidos”, disse o autodeclarado sionista. “Isso é algo que certamente mostra uma tentativa de criar uma limpeza étnica na Cisjordânia visando limpar os territórios para que a eventual anexação seja mais fácil e simples”.
Brasil condena Israel
Na avaliação do Itamaraty, tais decisões impulsionam o avanço dos assentamentos considerados ilegais e intensificam a interferência de Israel sobre regiões palestinas sob ocupação. “O governo brasileiro deplora as medidas aprovadas em 8 de fevereiro pelo gabinete de segurança de Israel, que facilitam a aquisição de imóveis por cidadãos israelenses na Cisjordânia, Estado da Palestina, por meio da alteração de regras de registro de terras, e conferem novas atribuições administrativas e de fiscalização a agências do governo israelense”, afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores, publicado na terça-feira (10).

