Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, realizaram nesta quarta-feira (4) uma videoconferência de alto nível, na qual reafirmaram o caráter estratégico, estável e estrutural da associação bilateral, em meio a um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração da ordem mundial e pressões ocidentais.
O assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, detalhou durante uma coletiva de imprensa que os líderes debateram a situação de países submetidos a constantes agressões dos Estados Unidos, como Cuba, Irã e Venezuela — esta última agredida militarmente em 3 de janeiro, em uma gravíssima violação da Carta das Nações Unidas que resultou no sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro.
Ushakov acrescentou que ambos apostam na manutenção do nível de cooperação alcançado com Caracas e Havana. No caso de Cuba, essa aposta é particularmente significativa após a recente ordem executiva de Donald Trump para cortar todo o fornecimento de petróleo à ilha caribenha. Sobre o Irã, coincidiram quanto à situação tensa criada pela Casa Branca em decorrência de ameaças militares e da exigência de que a República Islâmica encerre seu programa nuclear pacífico.
Durante o intercâmbio, Putin destacou que a parceria integral russo-chinesa constitui um modelo exemplar de cooperação entre grandes potências, ressaltando que este ano marca o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação, considerado o pilar jurídico e político do atual vínculo bilateral.
“A cooperação estratégica entre a Rússia e a China responde aos interesses fundamentais de nossos povos e contribui para a estabilidade internacional”, afirmou o presidente russo.
Putin enfatizou que a coordenação diplomática entre Moscou e Pequim se tornou um fator estabilizador em um cenário internacional caracterizado por conflitos, pressões unilaterais e disputas geoeconômicas.
Ambos os líderes reafirmaram o compromisso de coordenar posições em fóruns multilaterais-chave, como a ONU, o Brics e a Organização de Cooperação de Xangai (OCS), nos quais o eixo Rússia-China desempenha um papel central na defesa do multilateralismo e do equilíbrio internacional.
Putin garantiu ainda o firme apoio russo aos esforços conjuntos para proteger a soberania, a segurança nacional e o direito de ambos os países de escolherem seus próprios modelos de desenvolvimento, em clara alusão às tentativas externas de ingerência política.
No plano econômico, o presidente russo confirmou que o intercâmbio comercial bilateral superou os 200 bilhões de dólares pelo terceiro ano consecutivo, consolidando a China como um dos principais parceiros econômicos da Rússia.
Putin sublinhou que a Rússia continua sendo o principal fornecedor energético do gigante asiático, destacando o papel estratégico do gasoduto Força da Sibéria e os acordos firmados para ampliar o fornecimento anual de gás natural para até 44 bilhões de metros cúbicos.
Ele também ressaltou o crescimento sustentado do comércio agrícola, que registrou aumento superior a 20%, assim como o avanço de projetos conjuntos nas áreas de energia nuclear pacífica, indústria aeroespacial, inteligência artificial, alta tecnologia e pesquisa científica.
O presidente russo destacou que mais de 400 atividades culturais binacionais foram realizadas no último ano, refletindo o fortalecimento dos vínculos entre os dois povos.
Atualmente, mais de 56 mil estudantes chineses cursam estudos na Rússia, enquanto mais de 21 mil jovens russos estudam em universidades chinesas, consolidando uma cooperação educacional de longo prazo.
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Putin também agradeceu a implementação do regime de isenção recíproca de vistos, que permite estadias de até 30 dias para fins de turismo, negócios, ciência, cultura e atividades esportivas, o que impulsionou os intercâmbios humanos e comerciais.
Por sua vez, Xi Jinping afirmou que as relações bilaterais entram em uma nova etapa de desenvolvimento e instou à elaboração de um novo plano integral de cooperação russo-chinesa, voltado a aprofundar a coordenação estratégica e a aproveitar as oportunidades do novo ciclo econômico global.
O líder chinês reafirmou a disposição de Pequim em compartilhar oportunidades de desenvolvimento com a Rússia e em assumir responsabilidades conjuntas, como grandes potências, na construção de uma ordem internacional mais equilibrada.
“É o momento de fortalecer a cooperação estratégica e avançar juntos na direção correta do desenvolvimento bilateral”, declarou Xi.
Com informações de Sputnik, RT em Espanhol e Xinhua

