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Mesma DEA que acusa Maduro sem provas foi ligada a laboratório de cocaína na Bolívia em 1986

A maioria dos governos da América Latina e do Caribe, salvo os que já estão virtualmente governados por Washington e seus sócios imperialistas, condenou e rejeitou a brutal intervenção dos Estados Unidos na República Bolivariana da Venezuela.

Os povos inundaram as ruas com protestos denunciando o bombardeio e o sequestro criminoso do presidente democraticamente eleito em seu país, Nicolás Maduro Moros, e de sua esposa, Cilia Flores, no dia 3 de janeiro.

A imagem hitleriana do mandatário foi exibida pelos meios massivos de comunicação hegemônicos, mostrando-o caminhando com dificuldade, com as mãos atadas à frente por lacres plásticos e os olhos tapados, encapuzados ou com o rosto visível, precedido por sua esposa, Cilia Flores, nas mesmas condições.

Eles estavam rodeados por agentes da Administração de Controle de Drogas (DEA), que tem sido denunciada por ex-agentes e por governos por sua verdadeira tarefa: assegurar a impunidade dos narcotraficantes que trabalham diretamente para as empresas do império.

Histórico de crimes

Ninguém pode negar isso porque, em 1986, em plena guerra terrorista dos Estados Unidos contra a Nicarágua, atuando a partir de Honduras, foi descoberto em Huanchaca, na Bolívia, um laboratório da CIA e da DEA, onde a folha de coca era convertida em cocaína com produtos químicos.

Essa cocaína era transportada por aviões até o Comando Sul dos Estados Unidos, na Zona do Canal do Panamá, e de lá para Miami, a fim de financiar, com o dinheiro da venda, a Contra nicaraguense, como foi comprovado e denunciado no Congresso boliviano da época. Isso ficou conhecido nos meios estadunidenses e no mundo como “o contragate”, durante o governo de Ronald Reagan, quando também se denunciou o “Irã-Contras”.

A informação tampouco poderia ser desconhecida porque a descoberta do laboratório da CIA e da DEA em Huanchaca custou a vida de Noel Kempff Mercado — naturalista e reconhecido cientista boliviano —, de seu acompanhante e do piloto que os transportou em um avião até o local, após diversas denúncias para investigar o que ali ocorria. Todos foram fuzilados por agentes estadunidenses.

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A DEA mantinha casas de tortura na Bolívia, e sua verdadeira tarefa foi denunciada por ex-agentes dessa Administração, que deixou uma lista de assassinados e torturados em suas incursões em território boliviano, especialmente no Chapare.

Vale a pena recordar esses episódios, como tantos outros, que estão por trás de tudo o que está acontecendo hoje na Venezuela e em países invadidos com base em razões falsas, inventadas pelos serviços de inteligência e pelos meios de comunicação cúmplices desses crimes contra a humanidade.

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Enquanto isso, o general Vladimir Padrino López denunciou que a operação dos Estados Unidos incluiu o assassinato a sangue frio da equipe de segurança presidencial, assim como de soldados e cidadãos inocentes. Padrino concedeu a informação em uma transmissão oficial, cercado pelo Estado-Maior, na qual leu um comunicado à população e à comunidade internacional.

Ele destacou ainda a grave situação de perdas entre soldados e civis, reafirmou a decisão e a atuação das Forças Armadas e condenou o sequestro do presidente Maduro e de sua esposa.

Nesse contexto, o presidente Donald Trump anunciou publicamente que esse governo (venezuelano) seria “de transição” e considerou que a dirigente opositora María Corina Machado era uma líder, “uma mulher agradável”, mas que não inspirava respeito suficiente entre a população venezuelana para ocupar a presidência.

Machado, de forma insólita agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em 2025 — decisão rejeitada em diversos lugares do mundo —, esperava entrar triunfante em seu país após pedir repetidas vezes a invasão da Venezuela, ou seja, cometendo o delito de traição à pátria. Trump descartou assim os absolutamente falsos vencedores das últimas eleições, junto com Edmundo González, que iria assumir a presidência.

Em seguida, designou como “interventor” na Venezuela nada menos que o secretário de Estado, Marco Rubio, figura-chave do lobby cubano-estadunide se, financiador de terroristas mercenários que atuam a partir de Miami contra Cuba e outros países da América e do mundo, responsáveis por centenas de crimes e atentados.

Isso deve servir de alerta a todos aqueles que são utilizados pelo império, inclusive alguns governantes atuais, que depois são lançados ao vazio sem paraquedas ou simplesmente assassinados.

A Venezuela, por sua vez, atravessa um momento crucial, no qual não apenas precisa atender à situação das famílias dos militares assassinados que protegiam o presidente Maduro — bem como daqueles que estavam nas bases e locais bombardeados muitos deles feridos e hospitalizados, além dos civis mortos —, mas também reconstruir a grande destruição deixada pela brutal agressão.

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Assume a vice-presidenta Delcy Rodríguez como presidenta interina, por decisão do Tribunal de Justiça venezuelano. Nessas circunstâncias, devem ser tomadas — e já estão sendo tomadas — medidas organizativas para enfrentar esses momentos trágicos, incluindo novas tarefas nas comunas e outras no marco de um declarado “estado de comoção externa”, contando com o apoio do Exército.

Trump advertiu Rodríguez de que deve cumprir a tarefa de normalizar a situação, ou ela pagará um “preço muito alto” para “assegurar a transição”, inclusive superior ao que está vivendo Maduro e sua esposa. Também declarou que governará o país até que se concretize “uma transição juiciosa” e que assumirá “o controle das reservas” (petrolíferas).

Enquanto isso, Maduro e sua esposa serão julgados por narcotráfico em Nova York, sob uma acusação inadmissível sob qualquer ponto de vista, já que nunca figuraram dessa forma em nenhum organismo dos Estados Unidos, o que deve ser condenado com urgência pelo mundo.

Um julgamento falso, como todos os que vêm sendo aplicados a mandatários ou altos funcionários da América Latina nos últimos tempos. O cinismo e a crueldade superaram todos os limites, pois se protegem os maiores narcotraficantes da região e do mundo, enquanto se julgam aqueles que não o são, inclusive os que combatem o narcotráfico, agora rotulado como “narcoterrorismo”.

Revelações

Por outro lado, começam a ser divulgadas especulações sobre a operação por meio de diversas fontes. O Wall Street Journal menciona, por exemplo, que houve infiltrados entre pessoas do entorno de Maduro, que traíram o presidente venezuelano para que pudesse ser sequestrado, a um alto custo em vidas. Outras fontes alertam para a presença de “mercenários”, inclusive cubanos, possivelmente ligados aos terroristas de Miami.

Desde já é preciso estar preparado, porque é evidente que dos próprios Estados Unidos surgirão detalhes e denúncias. Existe no país uma forte oposição política e setores investigativos que já disponibilizaram informes documentados que assombraram o mundo.

Por ora, o interventor designado, Marco Rubio, advertiu que o governo dos Estados Unidos empregará fortes medidas de pressão “se as autoridades venezuelanas não adotarem as decisões que Washington considera adequadas”, em declaração reproduzida pela CBC News no programa Face the Nation.

“Os Estados Unidos estão preparados para trabalhar com os líderes venezuelanos que permaneçam no poder, desde que tomem as decisões corretas após a recente operação estadunidense, que provocou a saída do presidente Nicolás Maduro”, afirmou.

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Ele assegurou que a administração estadunidense avaliará os próximos passos em função das ações adotadas pelos dirigentes venezuelanos, reiterando que, se não tomarem a decisão correta, serão aplicadas medidas de forte pressão.

Se algo ainda faltava neste cenário, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — acusado como criminoso de guerra por genocídio e extermínio pela Corte Penal Internacional de Haia — destacou a operação dos Estados Unidos para capturar o presidente Nicolás Maduro. O líder sionista sustentou que “a América Latina está experimentando uma transformação”, expressando o firme respaldo de seu governo aos Estados Unidos para restaurar a “liberdade e a justiça na região”.

É importante saber o que foi tratado na reunião que, um dia antes da operação contra a Venezuela, ambos os mandatários mantiveram. A inteligência israelense participou do que foi realizado na Venezuela?

Tudo isso indica que, mais do que nunca, a situação exige, com urgência, multiplicar a solidariedade ativa com a Venezuela.

Não podemos deixar de fazê-lo, de forma urgente e criativa, sacudindo o mundo para impedir que avance este plano criminoso de morte e saque que agora se desenvolve na nação venezuelana, mas que está previsto para toda a nossa região no projeto de recolonização geoestratégica da América Latina.

* Imagens na capa:
– Bandeiras: Drew Somervell / Flickr
– Agentes da DEA: Serviço de Delegados dos EUA / Flickr

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