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Cannabrava | Tarifaço: um tiro no pé dos Estados Unidos

Aumentar tarifas encarece o insumo, desorganiza cadeias produtivas e obriga indústrias a reduzir produção e cortar empregos; o que deveria atingir o competidor externo ricocheteia e acerta o trabalhador dos EUA

O tarifaço imposto por Donald Trump, com tarifas de 50% sobre produtos agrícolas e industriais brasileiros, foi vendido como medida de fortalecimento da economia interna. Mas, na prática, mostra-se um verdadeiro tiro no pé da economia dos Estados Unidos.

A história já deu exemplos. Em 2002, George W. Bush cedeu à pressão dos lobbies da indústria siderúrgica e impôs tarifas sobre o aço. O resultado foi desastroso: não criou empregos, destruiu. Foram em média 168 mil demissões por ano, chegando a 247 mil em 2008. A exportação de produtos manufaturados caiu US$ 196 bilhões entre 2003 e 2009. Para cada trabalhador do setor do aço, 80 empregos estavam em risco nos setores que dependem dele, como a indústria automobilística. Ou seja, uma vitória de Pirro.

Agora, com Trump, a lógica se repete. Aumentar tarifas encarece o insumo, desorganiza cadeias produtivas e obriga indústrias a reduzir produção e cortar empregos. O tiro que deveria atingir o competidor externo ricocheteia e acerta o trabalhador estadunidense. É a velha receita do protecionismo disfarçado de nacionalismo econômico, mas que, no fundo, penaliza quem mais depende do mercado interno.

Além disso, o tarifaço pressiona a inflação. Em janeiro de 2025, os preços já mostraram alta de 0,5%, acumulando 3% em 12 meses. O Fed, que luta para manter a inflação próxima da meta de 2%, dificilmente terá margem para reduzir juros — o que significa crédito mais caro, menos consumo e menor crescimento econômico. O protecionismo de Trump pode, assim, sabotar o próprio objetivo de dinamizar a economia.

Não se trata apenas de Brasil versus Estados Unidos. Trata-se de um choque global em cadeias de fornecimento que incluem diversos países. O caso da Embraer é emblemático: aeronaves montadas no Brasil dependem de peças vindas dos EUA. Se encarece de um lado, trava do outro. O prejuízo é mútuo.

E o Brasil não saiu derrotado. Antes, vendia cerca de 7,5 toneladas de determinados produtos para os EUA; com o fechamento desse mercado, rapidamente direcionou as exportações, vendendo em seguida dez toneladas para o México, além de continuar ampliando as vendas para China e Rússia. Ou seja, enquanto os EUA se isolam, o Brasil diversifica parceiros e ocupa novos espaços comerciais.

Cannabrava | A guerra econômica de Trump

Mas o tarifaço foi tiro no pé também no campo político, por fortalecer Lula. As sanções criaram um clima de cerco externo que, longe de enfraquecer o governo brasileiro, acabou legitimando sua liderança como defensor da soberania nacional. Lula, com habilidade, transformou a agressão em combustível para ampliar uma frente política interna em defesa do Brasil. Chamou ao diálogo não apenas sua base histórica, mas setores do empresariado, da agricultura e da indústria, todos interessados em proteger o país contra medidas unilaterais e injustas.

Essa frente ampla também se refletiu no Congresso. Partidos da base aliada e até setores tradicionalmente mais resistentes ao governo encontraram terreno comum na defesa da economia nacional. O discurso da soberania costurou apoios, desarmou resistências e reorganizou alianças. Fora do Parlamento, movimentos sociais, centrais sindicais e organizações populares mobilizaram-se em sintonia com essa narrativa, reforçando a ideia de que a luta não é apenas de um governo, mas de todo um povo em defesa de sua independência.

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Esse movimento fortalece o papel de Lula na sucessão presidencial. Ao aparecer como líder capaz de unir forças diversas em defesa da soberania e do desenvolvimento, ele não apenas reforça sua posição política como cria condições para que um sucessor dentro desse campo amplo possa disputar a próxima eleição com legitimidade. O que era para fragilizar o Brasil, terminou fortalecendo sua unidade interna.

No fundo, esse tarifaço revela a contradição central do trumpismo econômico: sob a bandeira de “América Primeiro”, suas medidas acabam prejudicando o próprio trabalhador e, de quebra, oferecendo a Lula a oportunidade de comandar uma frente ampla em defesa da soberania brasileira. A história, como já mostrou, tende a se repetir: medidas unilaterais e punitivas não constroem desenvolvimento, apenas desorganizam economias e abrem espaço para que outros países ocupem os mercados abandonados pelos EUA.

* Texto redigido com auxílio do ChatGPT.

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