Muito além de protecionismo, ofensiva de Trump visa coagir parceiros comerciais, impor condições desiguais e manter a supremacia dos EUA num mundo que já é multipolar
O tarifaço anunciado por Donald Trump às vésperas da cúpula de Washington é mais uma demonstração de que os Estados Unidos preferem a imposição ao diálogo, a chantagem à cooperação. Trata-se de um ataque direto à produção industrial e à agricultura dos países do Sul Global, em especial do Brasil, com o objetivo de arrecadar recursos para compensar os cortes de impostos concedidos aos ricos.
A sobretaxa de 50% sobre café, açúcar, frutas e produtos manufaturados brasileiros afeta profundamente a economia nacional. A indústria é o setor mais prejudicado, com estimativa de perdas de centenas de milhares de postos de trabalho, segundo estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). Cálculos preliminares apontam que o impacto pode comprometer cerca de R$ 20 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos apenas nos primeiros 12 meses.
A medida atinge especialmente três estados do Nordeste – Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte – cuja exportação de frutas para os EUA será duramente afetada. No Ceará e Piauí, por exemplo, as cadeias produtivas de frutas tropicais como manga, melão, mamão e goiaba empregam milhares de trabalhadores, com impacto direto nas regiões semiáridas e no sertão. Pequenos produtores familiares serão os mais atingidos, perdendo mercados e renda. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas), cerca de 30% da produção destinada à exportação nesses estados tem os EUA como principal destino.

No Norte, o impacto também se fará sentir em setores como o extrativismo vegetal e a produção de açaí, castanha e cacau, que vinham ganhando espaço no mercado externo. A retração das exportações para os Estados Unidos compromete os esforços de desenvolvimento sustentável na região amazônica. Organizações como o Instituto Socioambiental (ISA) alertam que comunidades tradicionais poderão perder uma importante fonte de renda e incentivo à conservação ambiental.
Mesmo setores não diretamente incluídos nas tarifas, como o da aviação, sofrem efeitos colaterais: a Embraer depende de componentes estadunidenses. Com a desorganização das cadeias produtivas, o impacto atravessa fronteiras. Estima-se que cerca de 65% das peças usadas na montagem dos aviões da Embraer sejam importadas dos Estados Unidos. O aumento de custos compromete a competitividade internacional da indústria aeronáutica brasileira.
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O tarifaço, na verdade, é uma guerra econômica declarada por Trump. Visa coagir parceiros comerciais, impor condições desiguais e manter a supremacia dos Estados Unidos num mundo que já é multipolar. Essa estratégia, além de prejudicar o Brasil e outros exportadores, também afeta fornecedores e consumidores estadunidenses, provocando encarecimento de produtos e tensões inflacionárias.
Não se trata apenas de protecionismo. Trata-se de uma ofensiva imperialista com fins políticos e eleitorais, mirando o Sul Global como alvo a ser disciplinado. O Brasil, ao buscar o diálogo e a cooperação internacional, se depara com muros erguidos por aqueles que se dizem campeões do livre-comércio.
O mundo precisa reagir. E o Brasil, em especial, deve fortalecer seus laços com os Brics+, diversificar parcerias e defender sua soberania econômica diante desse ataque disfarçado de medida fiscal.
* Texto redigido com auxílio do ChatGPT.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

