Déficit de 1.391 megawatts e queda das reservas hídricas pressionam o sistema elétrico, enquanto cortes obrigatórios atingem a produção, os empregos e a exportação de alimentos perecíveis
O governo de Daniel Noboa no Equador obrigou mais de nove mil empresas a realizar “desconexões” de energia elétrica durante 72 horas para evitar apagões nas residências, mas nem mesmo assim conseguiu impedir que, desde o dia 15 de outubro, a maioria das cidades de todo o Equador amanhecesse com cortes de energia que impediram o desenvolvimento normal das atividades comerciais e educacionais.
Soma-se a isso o anúncio feito pelo próprio presidente de que, neste sábado, 17 de outubro, será realizada uma “manutenção preventiva do sistema de transmissão de energia elétrica” em todo o país.
“Vamos realizar manutenção e investir em nossa rede de transmissão e nas distribuidoras, além de garantir o serviço [de energia elétrica] para o que está por vir nos piores meses do El Niño”, afirmou Noboa em uma entrevista radiofônica, na qual não explicou se isso implicaria apagões, por quanto tempo nem em quais cidades ou regiões do Equador. Por outro lado, anunciou que, de 1º a 15 de novembro, algumas “províncias do litoral” estarão sujeitas a toque de recolher para “garantir o combate às quadrilhas criminosas”.
Uma semana antes, em outra entrevista, ele havia garantido que as famílias não seriam afetadas, mas, desde o fim de semana dos dias 10 e 11 de outubro, várias cidades vêm enfrentando cortes de energia sem aviso prévio, que chegam a 18 horas por dia. Com isso, os pequenos negócios são prejudicados, assim como a conservação de produtos nas geladeiras, em um período de calor intenso nas regiões costeiras.
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O grave déficit energético nacional é de 1.391 megawatts, e a vertiginosa queda das reservas hídricas nas principais hidrelétricas, acima do previsto pelas autoridades, desencadeou uma reação da população diante da falta de aviso prévio e da incerteza sobre a retomada do serviço, além de denúncias de empresários sobre perdas econômicas superiores a um bilhão de dólares em decorrência das desconexões obrigatórias.
As entidades empresariais alertaram para os riscos ao emprego, à produção e às exportações, pois afirmam que, para suprir a falta de energia, tiveram de investir em geradores próprios, utilizando recursos originalmente destinados às despesas operacionais e ao pagamento de salários até o fim do ano. Em diversas empresas e centros comerciais, optou-se pela geração própria de energia, o que implica gastos com combustível, manutenção e outras despesas adicionais.
A Federação de Exportadores, em um comunicado à imprensa, denunciou que 75% do volume de cargas exportadas corresponde a produtos perecíveis. Por isso, pediu ao governo que garanta o fornecimento de eletricidade nos portos, nos centros de refrigeração e nas instalações de armazenamento. O setor de laticínios, por sua vez, alertou que processa 1,8 milhão de litros por dia e gera 4 mil empregos diretos, que poderão ser afetados caso a crise elétrica se prolongue.
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