Famílias e comunidades contestam versões oficiais sobre as mortes de Ricardo Martínez e Luis Carlos Mojica e a abordagem que matou Donovan Balanta; Defensoria cobra esclarecimentos e aponta possível discriminação racial no caso de Bogotá
Sem completar dois meses de governo, o ultradireitista Abelardo de la Espriella enfrenta um duro revés em sua política de segurança, com o ressurgimento dos chamados falsos positivos — execuções extrajudiciais — e o retorno da polícia aos abusos contra a população.

Três casos despertaram indignação no país e levaram os órgãos de controle cidadãos a pedir explicações ao governo colombiano: Ricardo Martínez, morto em uma operação da Polícia contra uma estrutura armada ilegal; Luis Carlos Mojica Guzmán, desaparecido por ação do Exército; e Donovan Balanta, membro das comunidades afrodescendentes que vivem em Bogotá, assassinado pela polícia.
Sobre Martínez, de 18 anos, sabe-se que era um trabalhador rural e diarista que trabalhava por empreitada na zona rural próxima à cidade caribenha de Santa Marta, cenário de confrontos do Estado contra forças paramilitares dedicadas ao narcotráfico e ao controle político da região há 40 anos.
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Sua mãe, Marelvis Rodríguez, junto com o marido e as filhas, denunciou o assassinato de Ricardo, afirmando que ele “nada tinha a ver com organizações criminosas, pois era simplesmente um trabalhador diarista que ganhava a vida para ajudar a família”.
Na mesma semana do assassinato de Ricardo Martínez, considerado um falso positivo, nas ruas de Bogotá, capital do país, a polícia, em uma operação desproporcional, capturou e torturou até a morte Donovan Balanta, um afrodescendente deslocado.
Imagens exclusivas do @Canal91mas revelam claramente o momento da detenção de Balanta, a violência com que foi imobilizado e o uso de uma “pistola elétrica” por sete policiais, que posteriormente foram afastados da instituição.
O terceiro caso é o do camponês Luis Carlos Mojica Guzmán que, segundo a Junta de Ação Comunal de La Macarena, no departamento de Meta, sul da Colômbia, foi vítima de desaparecimento por parte de uma unidade militar da região.
A Defensoria do Povo pediu ao governo do ultradireitista De La Espriella uma investigação rigorosa e o esclarecimento dos três casos. Sobre Balanta, acrescentou que sua morte pode ter resultado de um ato de discriminação racial que “merece ser castigado”.
Segundo o Indepaz, instituição privada que acompanha o conflito, a comunidade denunciou que o Exército Nacional assassinou o camponês Mojica Guzmán e depois ocultou seu corpo, “constituindo-se em um claro falso positivo, que a instituição deve esclarecer imediatamente”, fazendo eco às reivindicações da comunidade.
Esses três casos ocorrem no contexto de uma política que prioriza a segurança e na qual o ultradireitista caminha por cima de cadáveres envoltos em sacos, aparece em público com um revólver na cintura e transforma a captura de criminosos em espetáculo nas redes sociais e nos meios de comunicação.
“Pela razão ou pela força. Viva Cristo Rei!”, é seu slogan, dois meses depois de assumir a Presidência da Colômbia.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.
