Lupita está aprendendo agora, pouco a pouco, o que é o amor-próprio e a cuidar de si mesma como cuidava das flores do jardim da casa de sua infância
O anúncio da tempestade de inverno fez com que as pessoas corressem aos supermercados para se abastecer, e Lupita não foi exceção. Comprou o de sempre: suas verduras para as saladas, arroz, duas libras de costela, porque o caldo não pode faltar nos dias de tempestade, e pão doce, porque não conseguiria tomar café sem um pedaço de pão ao lado. Outro dia fez sopa de lentilhas com espinafre e também tortinhas de carne com agrião. Não gosta de como a acelga parece naquele lugar, apagada e com as folhas murchas; não dá vontade de cozinhá-la assim. Porque, para ela, a memória das folhas de acelga tem a frescura da terra fértil da aldeia El Calvario, onde cresceu.
Já leva tudo na cesta: o abacaxi que corta em rodelas e cujas cascas põe para ferver com canela, bebendo a água como chá durante a nevasca. Na tempestade passada, deu-lhe vontade de fazer pão; lembrou-se de uns pães vistosos que fazem em sua aldeia na Semana Santa. Claro que um forno de fogão jamais se parecerá com o forno a lenha no pátio da casa de sua infância. Não estão ali suas irmãs, nem sua mãe, nem sua avó, nem as tias; não tem a quem perguntar quanto de sal colocar, se a massa já está no ponto ou se o forno precisa de mais lenha. Mas fazer o pão a ajuda a manter viva a memória das tardes banhadas de luz que espera que um dia seus filhos conheçam, quando os tiver — porque quer ter quatro.
Vai procurando os tamalitos de milho que chegam congelados de El Salvador. Come-os com leite, como na infância, embora às vezes também os coma com creme e queijo fresco. Quando faz atol de milho, precisa acrescentar um pouco de farinha de milho ou maisena, porque o atol talha quando os milhos estão muito tenros — e não há como consegui-los mais maduros. Gosta de deixar o atol engrossar e, no dia seguinte, cortá-lo e comê-lo com leite, como fazia sua avó, porque foi assim que a avó lhe ensinou.
Abre o congelador e pega o pacote de seis tamales; se comprasse o de 24 não teria onde guardá-lo. Em frente estão os congeladores cheios de frutas, folhas e comidas que chegam de toda a América Latina. Sempre encontra os sacos de jocote vermelho de fevereiro, que custam os olhos da cara: 12 jocotes por saco. É um crime, sempre reclama consigo mesma — o mesmo que acontece com o preço dos tamales de milho. Se contasse à avó quanto custa um feixe de folhas de bananeira, ela diria que voltasse imediatamente, perguntando o que está fazendo tão longe procurando o que nunca perdeu.
A história de Lupita é como a de muitas adolescentes que acreditam estar perdidamente apaixonadas e que, na efervescência da ilusão, deixam tudo para trás seguindo alguém que mais tarde lhes trará infelicidade. Aos 16 anos ela não conseguiu perceber isso; apenas pensou que, junto ao namorado, poderiam construir uma vida longe de todos, porque ninguém aceitava sua relação com um homem de 46 anos, separado e com seis filhos. Agora, aos 25, depois de ter vivido nove anos com um alcoólatra violento que a agredia todos os dias, entende por que sua família se opunha. Fugiu com ele e não houve tempo de que o prendessem por abuso de menores.
Acabou de deixá-lo e agora aluga um pequeno estúdio com um balcão cuja vista é a parede dos fundos de um edifício de cinquenta apartamentos. Sabe que vai se reconstruir, que conseguirá se pôr de pé e continuará caminhando, conhecendo, experimentando e dando a si mesma a oportunidade de respirar com calma e em paz. Agora está aprendendo, pouco a pouco, o que é o amor-próprio — o que significa desfrutar da própria companhia, do seu mundo interior, da imensidão de seus sonhos — e a cuidar de si mesma como cuidava das flores do jardim da casa de sua infância. Porque ela é um crisântemo, diz sempre quando se olha no espelho. Como os crisântemos dobrados que plantava nos sulcos da pequena parcela de seus pais, e que cuidava com dedicação e ternura.
Feijão camagua, raíz latino-americana: pertencimento ou afirmação, identidade ou submissão?
Junto aos sacos de jocotes encontra, recém-chegados, os sacos de flor de pito, chipilín e loroco — todos produtos guatemaltecos. A alma parece escapar-lhe do corpo; o coração dispara e falta-lhe o ar. O loroco ela sempre colhia na casa dos avós paternos, no oriente guatemalteco. Foi ali que conheceu os terrenos cheios de limoeiros, as mangueiras enormes como ceibas, a maçã-rosa, as quesadillas de arroz, o queijo seco e as tunas avermelhando entre os capinzais secos do deserto aos pés da Serra de Las Minas.
Imediatamente pegou quatro sacos, levou farinha de milho salpor e um rolo de tusas e correu para casa para preparar os tamalitos de loroco. Enquanto ferviam, pegou sua xícara de café e se sentou no balcão para ver a neve cair. De repente, seu ninho cheira a mato, a manga tenra, a chicozapote, a paternas e aos pomelos maduros ao pé das árvores de jocote marañón.

