Encontro entre Lula e Cyril Ramaphosa aponta para integração sul-sul em tecnologia, comércio e soberania
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em Brasília, no dia 9 de março, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em encontro que reafirmou a importância da parceria estratégica entre os dois países e abriu caminho para ampliar a cooperação econômica, tecnológica e militar. A reunião teve como eixo central o fortalecimento da colaboração sul-sul e a busca por maior autonomia dos países em desenvolvimento diante das tensões e incertezas do cenário internacional.
Durante o encontro, Lula alertou para a necessidade de os países se prepararem para a defesa de seus territórios. Segundo o presidente brasileiro, se as nações não se planejarem adequadamente, “qualquer dia alguém invade a gente”. Ao lado de Ramaphosa, Lula defendeu a expansão da cooperação militar entre Brasil e África do Sul e o avanço de projetos conjuntos para o desenvolvimento de equipamentos e tecnologia de defesa. “Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, nós poderemos produzir”, afirmou, ressaltando que os dois países enfrentam desafios semelhantes em matéria de segurança e soberania.
O entendimento entre os dois governantes inclui também acordos destinados a aprofundar a cooperação econômica e comercial. Em 2025, o comércio bilateral alcançou cerca de 2,3 bilhões de dólares — um volume considerado modesto diante do potencial das duas economias e das oportunidades de integração produtiva entre América do Sul e África. A intenção manifestada pelos dois governos é diversificar esse intercâmbio e ampliar as áreas de cooperação, incluindo tecnologia, indústria, turismo e defesa.
Ramaphosa destacou que Brasil e África do Sul compartilham valores fundamentais, como o compromisso com a igualdade, o crescimento econômico e a erradicação da pobreza. Segundo ele, essa convergência cria bases sólidas para programas concretos de cooperação capazes de fortalecer o desenvolvimento nacional de ambos os países.
Lula fez questão de esclarecer que a política de defesa defendida por seu governo tem caráter essencialmente dissuasório — isto é, busca prevenir conflitos por meio da capacidade de proteger o território nacional. Não é tarefa simples garantir a defesa de um país de dimensões continentais como o Brasil. A questão central, porém, vai além do aparato militar: trata-se da afirmação da soberania nacional.
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Em última instância, a defesa do país depende de algo mais profundo: a mobilização de toda a sociedade em torno de um projeto nacional capaz de recuperar a plena soberania e orientar o desenvolvimento com autonomia. Nesse sentido, a aproximação entre Brasil e África do Sul aponta para uma estratégia mais ampla de cooperação entre países do Sul Global, baseada na complementaridade econômica, na independência tecnológica e no respeito à soberania dos povos.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

