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Rússia | Diplomacia e Governo Putin

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou em 3 de março que os Estados Unidos, assim como fizeram na Venezuela, não vão se limitar nem ao Irã nem a Cuba em sua intenção de administrar outros países.

“No que diz respeito ao Irã, (o secretário de Estado) Marco Rubio levantou recentemente a possibilidade de que os Estados Unidos administrem o Irã. Assim como anunciaram que governariam a Venezuela, agora estão desenhando um plano semelhante para Cuba”, denunciou em entrevista coletiva. Ele acrescentou:

E provavelmente haverá mais, porque está também o caso da Palestina, que certamente faz parte de um plano do presidente Donald Trump, que os países árabes manifestaram disposição de apoiar. Rússia e China não nos opusemos no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mas é um plano que não contempla o cumprimento das resoluções da ONU sobre a criação de dois Estados, Palestina e Israel.Sergei Lavrov

Segundo Lavrov, a impressão que têm tanto ele quanto o presidente Vladimir Putin de suas conversas com seus respectivos homólogos, Marco Rubio e Donald Trump, é que “os Estados Unidos querem que seus interesses nacionais sejam compreendidos e respeitados. Em resposta, eles oferecem compreender e respeitar os interesses nacionais das outras grandes potências (nucleares). Ao menos das grandes potências. Notamos isso o tempo todo.”

Por isso, o chanceler russo acredita que chegou a hora de “falar a fundo com os Estados Unidos sobre como Washington se vê no mundo atual e que papel atribui a todos os demais. Por razões óbvias, é um tema muito atual para as potências nucleares.”

Lavrov expressou a esperança de que os Estados Unidos considerem necessário participar da “conversa séria” que “em seu momento (janeiro de 2020) propôs o presidente Putin: realizar uma ‘cúpula dos cinco’ (membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU), iniciativa que há seis anos não prosperou e que alguns analistas chamaram de ‘nova Yalta’, em alusão à divisão do mundo feita em 1945, naquele balneário do Mar Negro, pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial”.

Ao refletir sobre os motivos apresentados por Washington e Tel Aviv para iniciar os ataques contra Teerã, o chefe da diplomacia russa afirmou: “Até o momento, não vimos provas de que o Irã tenha desenvolvido armas nucleares, precisamente o principal argumento — se não o único — para iniciar a guerra. O que existe é a confirmação tanto da Agência Internacional de Energia Atômica quanto de membros dos serviços de inteligência dos Estados Unidos de que o Irã não desenvolveu nem fabricou armas nucleares”.

A Rússia tem “muitas dúvidas” de que o motivo dos bombardeios seja o enriquecimento de urânio por parte do Irã, como declarou Steve Witkoff, a quem Lavrov chamou de “negociador estadunidense para tudo”. Ele acrescentou:

Se esta guerra realmente começou para retirar do Irã seu direito inalienável de enriquecer urânio com fins pacíficos — direito que têm todos os demais Estados do mundo — posso assegurar que no Irã surgirão forças e movimentos influentes que vão conseguir exatamente o que os Estados Unidos querem evitar: possuir armas nucleares.Sergei Lavrov

Isso ocorre, na avaliação de Lavrov, porque “os Estados Unidos não atacam países que possuem bombas atômicas”.

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