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Noboa mente ao impor tarifas; Colômbia trabalha ativamente contra narcotráfico regional

Mandatário do Equador, Daniel Noboa anunciou taxas às importações da Colômbia após Petro defender liberdade de Jorge Glas

Na quarta-feira (21), o mandatário do Equador, Daniel Noboa, anunciou que aplicará uma taxa de segurança de 30% sobre as importações provenientes da Colômbia, a partir de 1º de fevereiro. A determinação chega um dia após o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pedir a libertação do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas. A medida de Noboa foi apresentada como resposta ao que classificou como uma suposta falta de cooperação colombiana no combate ao narcotráfico e à mineração ilegal na fronteira comum.

Em resposta, na quinta-feira (22), Petro também determinou tarifas de 30% sobre as importações equatorianas, além da suspensão temporária das vendas de energia ao país vizinho. A Colômbia fornece entre 8% e 10% da energia consumida no Equador. A balança comercial entre os dois países tem sido historicamente favorável a Bogotá, com Quito registrando um déficit comercial anual que varia entre 800 milhões e 1,5 bilhão de dólares em relação ao país vizinho.

Desde Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, Noboa afirmou, por meio da rede social X, que seu país tem feito “esforços reais de cooperação” com a Colômbia, inclusive assumindo um déficit comercial superior a um bilhão de dólares anuais. “Enquanto insistimos no diálogo, nossos militares seguem enfrentando grupos criminosos ligados ao narcotráfico na fronteira, sem qualquer cooperação”, afirmou.

Para Paola Cabezas, deputada da Assembleia Nacional pela Revolução Cidadã, movimento fundado pelo ex-presidente Rafael Correa, a decisão tem um viés político, pois “não é uma resposta técnica: é uma retaliação política ao pedido do presidente Gustavo Petro sobre Jorge Glas”, no sentido de libertá-lo, já que o ex-vice-presidente equatoriano também possui nacionalidade colombiana.

“Se alguém tem demonstrado interesse real em pacificar a fronteira comum, esse alguém tem sido Petro, que há anos solicita a abertura da ponte sobre o rio Mataje, obra impulsionada durante o governo de Rafael Correa, justamente para garantir a presença institucional de ambos os Estados”, explicou Cabezas.

Em sua conta na rede social X, ao divulgar uma imagem recente de Glas, com aparência bastante debilitada, Petro escreveu, na última terça-feira (20): “Este é Jorge Glas, vice-presidente da República do Equador, cidadão colombiano; assim como exigi a libertação dos presos políticos na Venezuela e na Nicarágua, penso que Jorge Glas deve ser libertado. Seu próprio estado físico demonstra que ele sofre tortura psicológica.”

O ministro colombiano de Minas e Energia, Edwin Palma, reagiu, classificando a medida como “uma agressão econômica que rompe o princípio da integração regional”. Ele destacou que, no setor energético, a Colômbia tem atuado com ações concretas, cooperação e solidariedade. Em paralelo, um comunicado do Ministério da Defesa colombiano ressaltou a cooperação bilateral que permitiu “resultados concretos contra o narcotráfico transnacional”.

Como exemplo, citou uma ação conjunta entre a Marinha da Colômbia e o Exército do Equador, na qual “foram apreendidas 2,24 toneladas de maconha na zona de fronteira, afetando diretamente as economias criminosas que operam na região amazônica”. O comunicado também denunciou que o país “não tem sido alheio aos ataques mal-intencionados de grupos narcotraficantes no sudoeste do território colombiano”.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


* Imagens na capa:
– Gustavo Petro: Joel González – Presidência da Colômbia / Flickr
– Daniel Noboa: Carlos Silva – Presidência do Equador / Flickr

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