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Venezuela desmantela planos terroristas e afirma envolvimento de Corina Machado e EUA

Recentemente, com base em fontes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a Reuters divulgou informações de que Washington teria implantado forças militares aéreas e navais no sul do Mar do Caribe para combater o que considera ameaças de cartéis de narcotráfico.

No mesmo sentido foi jornal estadunidense The New York Times, revelando que Donald Trump havia assinado em segredo uma ordem dirigida ao Pentágono para preparar o uso de força militar contra cartéis estrangeiros de drogas, os quais seu governo designou como organizações terroristas.

Consultado sobre o assunto, o secretário de Estado, Marco Rubio, embora tenha evitado confirmar diretamente a informação publicada pela Reuters, justificou a ideia ao afirmar que o narcotráfico ameaça seu país:

“A droga é uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, são simplesmente grupos que estão operando com impunidade em águas internacionais, exportando para os Estados Unidos veneno que está matando, que está destruindo comunidades. Portanto, é um tema muito sério e temos muitos países que cooperam conosco nesse esforço — e alguns, infelizmente, que não.”

Depois, atacou diretamente o governo da Venezuela, com o argumento de que o presidente Nicolás Maduro supostamente lidera uma organização chamada Cartel de Los Soles. Alegou que esta é uma das organizações criminosas “mais amplas” que existem no hemisfério, e que não tem recebido atenção suficiente. “É um cartel que hoje está processado nas cortes federais dos Estados Unidos. Não é um governo — o regime de Maduro não é um governo, é uma organização criminosa… O presidente (Donald) Trump enfrentará qualquer ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.”

“A DEA protege o transporte de drogas para eles”

Por parte da Venezuela, houve uma resposta à nota da Reuters sobre a implantação estadunidense no Caribe. Diosdado Cabello, ministro de Relações Interiores e secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), afirmou que o país resguarda sua soberania e sua segurança no Caribe.

Segundo Diosdado Cabello, explosivos seriam usados para “violentar os cidadãos com fins políticos”. (Foto: Diosdado Cabello / Facebook)

“Nós também estamos implantados em todo [o território do] Caribe que nos corresponde, em nosso mar… Quando a DEA se move, é para assegurar o transporte de drogas para eles”, declarou.

Recompensa

As declarações de Rubio coincidem com o anúncio feito há duas semanas pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, sobre o aumento para 50 milhões de dólares da recompensa por informações que permitam a captura de Maduro. Bondi acrescentou em 12 de agosto que autoridades estadunidenses supostamente haviam confiscado bens no valor de aproximadamente 700 milhões de dólares pertencentes a Nicolás Maduro na República Dominicana.

Sobre isso, a vice-presidenta venezuelana Delcy Rodríguez denunciou a manipulação feita por Bondi e explicou que as supostas apreensões não passam de roubo de aeronaves pertencentes ao Estado venezuelano, que se encontravam na República Dominicana para fins de manutenção. O chanceler Yván Gil também respondeu à procuradora Bondi, destacando que seria algo ridículo, se não fosse pela gravidade de suas implicações.

Na Venezuela, todos os atores da vida pública têm rechaçado o que qualificam como ameaças à soberania nacional. Houve pronunciamentos formais a partir de todos os poderes públicos, todos os governadores de estados, todos os partidos políticos — oficialistas e de oposição —, assim como as câmaras empresariais e organizações sindicais.

Ameaça interna

Mas a ameaça não provém apenas do exterior. Corpos de segurança da Venezuela informaram em 14 de agosto a apreensão de 1.500 kg de explosivos em um galpão pertencente a uma empresa privada na localidade de El Tigre, no estado de Anzoátegui, no oeste venezuelano. O arsenal inclui 6.769 elementos de carga oca, 724 cortadores, 220 detonadores elétricos, 128 explosivos do tipo pellets, 911 metros de cordão detonante, entre outros materiais. O ministro de Relações Interiores, Diosdado Cabello, explicou que essa “quantidade impressionante de explosivos” inclui C4, HMX e TNT.

Cabello explicou que o local pertence a uma empresa que presta serviços à PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana, razão pela qual a presença de explosivos no galpão não seria estranha. No entanto, precisou que há dois elementos que tornam, à primeira vista, o achado suspeito: segundo as regulamentações, nenhuma empresa de serviços pode armazenar mais de 50 quilos de explosivos e, além disso, essa firma não presta nenhum serviço à indústria petrolífera há oito anos.

“Não existem explosivos exclusivos para uso petrolífero”, disse ao responder a alguns argumentos de meios de comunicação opositores que desestimaram a gravidade dos fatos. Esse achado está conectado com a apreensão, há duas semanas, de outro arsenal de explosivos, desta vez no estado de Monagas, também no oeste do país. Em ambos os casos, as investigações apontam conexões entre os donos dos galpões e dirigentes da oposição extremista venezuelana. Diosdado Cabello apontou especificamente María Corina Machado, que estaria por trás de um “plano terrorista” que inclui atentados contra instituições públicas, unidades militares e alvos civis.

“Sabemos que os responsáveis por isso têm vínculo direto com o extremismo político na Venezuela, vínculo direto com a senhora María Machado; nada disso ocorre de maneira espontânea, tudo isso é planejado pelo imperialismo estadunidense para prejudicar a Venezuela”, asseverou.

Um plano continuado

O governo venezuelano informou várias vezes, durante as últimas semanas, sobre operações de apreensão de material bélico que incluem mais de 400 fuzis de assalto, granadas de mão e uma grande quantidade de munição. “Tudo isso seria utilizado para violentar os cidadãos com fins políticos”, disse o ministro Diosdado Cabello na em 11 de agosto, em conversa com o presidente Maduro em seu programa semanal de TV Con Maduro +.

Em 7 de agosto, foi informado ao país sobre o desmantelamento de um atentado com bomba na cidade de Caracas. Foram detidas 15 pessoas depois que trabalhos de inteligência levaram a seguir um cidadão que depositou uma bolsa com uma quantidade significativa de explosivos na Praça da Vitória, espaço público recentemente inaugurado para comemorar os 80 anos do triunfo do exército soviético sobre o fascismo na Segunda Guerra Mundial.

Em todos os casos, o governo aponta como responsável María Corina Machado, assim como funcionários estadunidenses, e vincula os fatos internos à intensificação dos ataques provenientes de Washington.

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