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Rússia | Guerra na Ucrânia e articulações internacionais

Ao completar-se, no dia 24 de fevereiro o quarto aniversário da ordem do presidente Vladimir Putin para iniciar a chamada “operação militar especial”, a Rússia segue sem alcançar os objetivos estabelecidos por seu mandatário, e a Ucrânia não parece disposta a se render.

Quatro anos após a madrugada de 24 de fevereiro de 2022, já em meio a uma guerra em larga escala, a Rússia busca “libertar” totalmente as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia; “desnazificar” a Ucrânia; desarmar seu exército; impedir sua entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); obrigá-la a declarar-se um país neutro e desnuclearizado; além de modificar leis para beneficiar a minoria de origem russa, entre outras exigências.

A Ucrânia resiste graças ao apoio em recursos e armamentos fornecidos por seus aliados europeus — atualmente adquiridos junto aos Estados Unidos — e tem consciência de que a Rússia dispõe de mais armas e soldados. Portanto, não está em condições de expulsar as tropas russas dos territórios ocupados, cerca de 20% do país, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, mas tampouco considera possível capitular, segundo o presidente Volodymyr Zelensky.

Enquanto isso, Kiev tenta conter o exército russo e procura atingir infraestruturas no interior da Rússia com seus próprios meios — drones e mísseis fabricados na Ucrânia — confiando que sua capacidade de resistir aos ataques aéreos de Moscou seja maior do que a capacidade do Kremlin de financiar esta guerra, que há tempos se transformou em um conflito de posições e desgaste.

Por trás da guerra, trava-se outra batalha: a das narrativas. Cada lado tenta impor não apenas sua versão dos acontecimentos diários, mas também das causas que levaram à ruptura entre dois povos outrora considerados irmãos.

A Rússia argumenta que o Ocidente — Estados Unidos e seus aliados da Otan — não lhe deixou alternativa ao descumprir a promessa de que não haveria expansão da aliança atlântica para o leste e ao instalar em Kiev um “regime nazista” após o “golpe de Estado” que depôs, em 2014, o então presidente Viktor Yanukovich.

Moscou afirma que precisava deter o suposto “genocídio” da população de origem russa, defender seu idioma, cultura e religião, além de evitar a instalação de bases da Otan em território ucraniano, o que representaria uma ameaça à sua segurança nacional.

As autoridades ucranianas sustentam que o impopular mandatário foi destituído pelo Parlamento — inclusive com votos de seu próprio Partido das Regiões — após abandonar o cargo durante uma semana sem que se soubesse seu paradeiro. Posteriormente, a Ucrânia realizou duas eleições presidenciais: a primeira vencida por Petro Poroshenko e a segunda por Volodymyr Zelensky. Segundo Kiev, os 14 mil mortos mencionados por Moscou como “genocídio” correspondem às vítimas, de ambos os lados, da guerra civil de 2014–2015.

Os efeitos negativos do conflito são sentidos em ambos os países, embora não da mesma forma. A devastação da Ucrânia, resultado de bombardeios cotidianos, não é comparável aos danos sofridos pela Rússia com armamento ocidental limitado e cujo uso em território russo é restrito a distâncias superiores a 300 quilômetros da fronteira.

Tanto Rússia quanto Ucrânia já pagaram um altíssimo preço em vidas humanas, estimadas, segundo diversas fontes, em centenas de milhares de mortos de ambos os lados, além de ao menos meio milhão de baixas por ferimentos graves e diferentes formas de invalidez, especialmente amputações de braços e pernas.

Atualmente, tanto Moscou quanto Kiev desejariam, na prática, encerrar a guerra, mas nenhum dos dois quer ser visto como derrotado.

A Rússia começa a sofrer mais intensamente os efeitos das sanções internacionais: o ouro e as reservas acumuladas nos tempos de bonança petrolífera estão se esgotando; ainda há recursos para recrutar soldados, mas já não são suficientes para custear os enterros — apenas uma das preocupações do Kremlin.

A Ucrânia, por sua vez, enquanto a população civil enfrenta um dos invernos mais rigorosos, sem aquecimento, água e eletricidade, também enfrenta sérias dificuldades para recrutar soldados e necessita de mais armamentos, embora permaneça firme na linha de frente.

Pressionadas pelos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, busca apresentar-se como “pacificador”, Rússia e Ucrânia aceitam negociar em Istambul, Abu Dhabi, Genebra ou em qualquer outro local, mas sem realizar concessões mínimas em questões fundamentais que possam facilitar um acordo político.

As perspectivas, avaliam analistas, são sombrias: em vez de um tratado de paz iminente, o cenário aponta para mais devastação e mais mortes.

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