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Ricardo Alemão Abreu: “Tarifaço de Trump é declaração de guerra contra o Brasil”

Economista analisa as ameaças dos EUA ao Brasil, denuncia traição de militares brasileiros e defende soberania nacional frente ao imperialismo

“O tarifaço de Trump é uma declaração de guerra contra o Brasil.” A afirmação contundente do economista Ricardo Alemão Abreu marca o tom da entrevista concedida ao programa Dialogando com Paulo Cannabrava da última quinta-feira (10). Para ele, a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump é uma retaliação direta à postura soberana do Brasil nos Brics e uma tentativa de desestabilizar o governo Lula.

Abreu considera a medida uma “clara ingerência nos assuntos internos brasileiros” e uma estratégia para “manter o Brasil sob controle”, seja pela chantagem econômica, seja pelo apoio político ao bolsonarismo. “Trump quer desmoralizar o governo, impedir a prisão de Bolsonaro e dar um recado aos Brics: [de que] os Estados Unidos não vão tolerar a desdolarização nem a autonomia do Sul Global”, resume.

Ao lado do ataque econômico, ele denuncia as conexões perigosas entre setores das Forças Armadas brasileiras e instituições estadunidenses: “Tem militar brasileiro no Comando Sul dos EUA. É uma promiscuidade que revela a traição à soberania nacional”, alerta. Ele acusa esses setores de usarem “as cores do Brasil para defender os interesses dos EUA e de Israel”. Ele acrescenta que falta nacionalismo nas atuais FFAA, que “o setor progressista foi dizimado pela ditadura” e que o que resta hoje são “agentes de uma falsa bandeira patriótica, vendidos ao imperialismo”.

Abreu aproveita para criticar ainda a postura “submissa” de figuras como Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, e Eduardo Bolsonaro, que segundo ele “cometem crime de lesa-pátria”.

Destacando a diferença entre os mandatários brasileiro e estadunidense, o economista ironiza que “enquanto Lula quer taxar os super-ricos, Trump quer taxar o Brasil”. Porém, observa que, apesar do impacto comercial limitado no curto prazo, a resposta brasileira precisa ser firme. “É uma questão de altivez diplomática”, destaca. Nesse sentido, para ele, esse episódio pode ser uma oportunidade para fortalecer a consciência soberana e anti-imperialista entre o povo brasileiro.

Confira mais análises sobre as tarifas de Trump contra o Brasil.

No encerramento, o economista convocou os setores populares à mobilização permanente: “A campanha eleitoral já começou. Temos que disputar as ideias, fortalecer os meios de comunicação alternativos e derrotar o neofascismo. O inimigo principal é o imperialismo dos Estados Unidos.”

A entrevista completa está disponível no canal da TV Diálogos do Sul Global, no YouTube:

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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