Entidades contabilizaram mais de mil atos realizados no último domingo (11), exigindo fim das rondas do ICE, do governo Trump e também das agressões à Venezuela
No último domingo (11), dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de cidades e povoados de todos os EUA pelo segundo dia consecutivo em protesto contra as operações anti-imigrantes e em repúdio ao que classificam como assassinato a tiros de uma opositora em Mineápolis por um agente federal. Organizações informaram que houve mais de mil ações de protesto em cidades e povoados por todo o país.
Os atos se referem ao assassinato filmado de Renee Good, uma mãe de três filhos, desarmada, cidadã estadunidense, branca, de 37 anos, na semana passada, com três tiros quase à queima-roupa, pelo Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) — um resultado do deslocamento massivo de agentes para operações anti-imigrantes na referida cidade.
Foi justamente lá, em Mineápolis, que ocorreu a maior manifestação do dia, com dezenas de milhares ocupando as ruas. Em resposta, o governo de Donald Trump anunciou que enviará para a localidade mais agentes federais anti-imigrantes.
“ICE fora para sempre”, dizia uma faixa de 30 metros de comprimento exibida no povoado de Hyattsville, em Maryland, onde mil manifestantes se reuniram. Também foram lidos os nomes de vítimas mortas pelas mãos de agentes de imigração, entre elas o da mulher executada em Mineápolis.
Alguns cantavam; outros ficaram à beira de uma rua convidando motoristas a usar as buzinas para expressar solidariedade. “Parem de deportar vizinhos e amigos” e “Fora ICE” diziam cartazes em espanhol; outros, em inglês, repetiam essas mensagens, além de “Diga não ao fascismo” e “Basta de sequestros e assassinatos do ICE”.
Já a 10 km dali, na capital nacional, Washington, outros milhares marcharam pelo centro com um cartaz que dizia: “ICE fora de DC, tropas fora de todos os lugares”, em referência não apenas às batidas antimigrantes, mas também à intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Thousands in Chicago say no war on Venezuela and no war on our communities at home! Money for people’s needs — not ICE and the US war machine! pic.twitter.com/RNUkv63evr
— Party for Socialism and Liberation (@pslnational) January 10, 2026
A crítica à invasão contra a nação sul-americana foi vista também em outras cidades, como Nova York, onde milhares de pessoas marcharam pela Quinta Avenida. Diante do edifício do presidente dos Estados Unidos, pararam para entoar o coro “Trump tem que sair”, enquanto um cartaz propunha: “Deportem Kristi Noem [secretária de Segurança Interna] de volta para o inferno”. Outra mensagem frequente nos cartazes dizia: “Fui dormir em 2026 e acordei em 1984” (em referência ao romance de George Orwell).
Inconformidade nacional
As palavras de ordem e cartazes se repetiram em estados que vão do Texas a Anchorage, no Alasca, e de Hilo, no Havaí, e Miami, na Flórida, até o pequeno município de Whitefish, em Montana.
A morte filmada de Renee Good pelas mãos de um agente do ICE detonou esta onda de protestos do fim de semana, alimentada pelas alegações do governo Trump, que alegou que a mulher morreu por estar envolvida em uma ação de “terrorismo doméstico” e por fazer parte da “esquerda radical”.
Comentaristas e manifestantes afirmaram que a mensagem transmitida pelo governo é a de que, se alguém se atrever a se opor às suas medidas e ações, o Estado se arroga o direito de matar.

A crescente onda de repúdio às ações antimigrantes da administração Trump está provocando uma mudança na opinião pública. Segundo uma pesquisa recente do YouGov, atualmente mais estadunidenses apoiam os protestos contra o ICE do que aqueles que apoiam o próprio órgão. Além disso, políticos estaduais e locais de Tennessee, Illinois, Nova York e Nova Jersey estão promovendo projetos de lei para estabelecer limites às operações antimigrantes do governo federal.
Na noite deste domingo (11), durante a cerimônia do Globo de Ouro, várias estrelas do cinema e da televisão usaram bottons em seus trajes com as frases “Fora ICE” ou “Be Good” (em homenagem à mulher assassinada em Mineápolis), entre eles Mark Ruffalo, Wanda Sykes e Natasha Lyonne.
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