Ofensiva marca a primeira fase do plano de Benjamin Netanyahu para ocupar toda a Faixa de Gaza; oito pessoas, incluindo três crianças, morreram por fome e desnutrição no último dia
Israel intensificou nesta quarta-feira (13) os ataques contra a Cidade de Gaza, matando ao menos 123 pessoas em 24 horas, segundo o Ministério da Saúde do território. A área concentra os maiores campos de refugiados do enclave e, segundo a inteligência israelense, pode abrigar reféns.
A ofensiva marca a primeira fase do plano do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para ocupar toda a Faixa de Gaza, aprovado pelo gabinete de segurança na última sexta-feira (8).
Os bombardeios atingiram bairros densamente povoados como Zeitoun e Shejaia, destruindo residências e matando civis que aguardavam ajuda humanitária. O hospital Al-Ahli relatou 12 mortes em um ataque aéreo contra uma casa em Zeitoun.
No sul, tanques israelenses destruíram moradias no leste de Khan Yunis, e no centro, tiros disparados por militares mataram nove pessoas que buscavam alimentos. O Ministério da Saúde informou ainda que oito pessoas, incluindo três crianças, morreram por fome e desnutrição no último dia, elevando para 235 o número de mortes por essas causas desde o início da guerra.
O plano aprovado pelo governo prevê cinco eixos: desarmamento do Hamas, devolução de todos os reféns, desmilitarização de Gaza, manutenção do controle de segurança por Israel e criação de uma “administração civil alternativa” — que não inclua nem o Hamas, nem a Autoridade Palestina.
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Netanyahu afirma que a operação é limitada e nega que se trate de uma ocupação, mas em declarações à imprensa admitiu que Israel “pretende” assumir o controle de Gaza antes de transferi-lo a uma administração formada por forças árabes.
As falas do premiê variam conforme o público. Em inglês, para a imprensa internacional, diz que Israel não quer ocupar Gaza e que a administração civil será entregue a uma força não israelense.
Em hebraico, omite essa negativa e endurece o tom, sem garantir que a gestão ficará a cargo de terceiros. Para críticos, a diferença indica uma tentativa de minimizar a percepção internacional de que se trata de uma ocupação prolongada.
A proposta de “controle temporário” repete um padrão observado em outras áreas sob domínio militar israelense, onde a separação entre segurança e administração civil se mostrou inexistente.
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Na Cisjordânia, sob “controle civil” palestino em parte do território, Israel mantém poder sobre o fornecimento de água e energia, autorizações de deslocamento e checkpoints, afetando diretamente a vida cotidiana.
Governo enfrenta impasse para ampliar convocação de reservistas
A ofensiva sobre a Cidade de Gaza avança em meio a dificuldades políticas para ampliar o contingente militar. Na terça-feira (12), a coalizão de Netanyahu adiou novamente, por falta de maioria, a votação no Comitê de Relações Exteriores e Defesa do Knesset que permitiria estender as ordens de convocação emergencial de reservistas.
Segundo a oposição, o governo pretendia ampliar o chamado para cerca de 300 mil a 400 mil soldados, número considerado necessário para sustentar a retomada e o controle da Cidade de Gaza.
“Impedimos o aumento da carga sobre os reservistas ao barrar a proposta”, declarou o líder oposicionista Yair Lapid, acusando Netanyahu de chefiar um “governo minoritário e ilegítimo”.

O governo perdeu a maioria no Parlamento após a saída do partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá e do deputado Avi Maoz no mês passado. Hoje, conta com 60 dos 120 assentos, e ausências entre os próprios aliados têm dificultado votações estratégicas.
Em maio, uma proposta similar havia fracassado antes de ser retomada e aprovada; agora, a oposição promete comparecimento em peso para barrar a medida novamente.
Sem a aprovação, o Exército de Israel opera com o efetivo atual, considerado insuficiente para manter uma operação prolongada de ocupação, enquanto o comando político insiste em avançar sobre a Cidade de Gaza como primeiro passo para o controle total da Faixa.

