O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou nesta quinta-feira (5) a implementação de um conjunto de medidas governamentais, que incluem restrições ao consumo, para enfrentar uma complexa situação energética agravada pelas medidas coercitivas dos Estados Unidos.
Durante uma conferência de imprensa, o chefe de Estado explicou que, desde dezembro, o país não recebe combustível devido ao reforço do bloqueio contra a Venezuela, o que afeta a geração de energia elétrica e atividades econômicas e sociais básicas.
“Temos problemas na disponibilidade de combustível para garantir não apenas a geração elétrica, mas também atividades básicas que têm relação direta com a população”, afirmou.
O mandatário informou que o Conselho de Ministros se reuniu para aprovar diretrizes, atualizadas a partir das orientações do líder histórico da Revolução, Fidel Castro, durante o chamado “período especial”, com o objetivo de enfrentar o desabastecimento.
“Ainda que haja um bloqueio energético, nós não renunciamos a receber combustível em nosso país. Esse é um direito que temos, e estamos realizando todas as gestões para que o país volte a ter abastecimento”, assegurou.
Díaz-Canel qualificou de “condenável” e “criminosa” a política de uma potência que busca asfixiar uma pequena nação, ao questionar: “Que direito tem uma nação de impedir que um país receba combustível?”.
Como parte da estratégia para enfrentar os efeitos do bloqueio, o presidente detalhou várias ações em curso, como o aumento da produção nacional.
O mandatário especificou que será impulsionada a extração de petróleo e de gás associado e que, ainda este ano, está prevista a conexão de 20 mil novos consumidores em Havana à rede de gás manufaturado.
Indicou também que cientistas cubanos trabalham em projetos para refinar o petróleo bruto nacional e obter derivados como gasolina e diesel, após um teste bem-sucedido realizado no final do ano passado.
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Avançam igualmente os trabalhos de recuperação e construção de novas capacidades de armazenamento de combustível, perdidas após o incêndio em Matanzas, para possibilitar o recebimento de maiores volumes.
“Vamos encarar isso como uma oportunidade para nos desenvolver, alcançar um desenvolvimento sustentável, sermos mais soberanos energeticamente e menos dependentes”, enfatizou o presidente.
O mandatário reconheceu que as medidas, algumas delas restritivas, “vão exigir esforço” e “sacrifício” da população, mas ressaltou que a opção da rendição não existe para Cuba.
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