Num tempo em que os profissionais da mídia se tornaram alvo, se faz indispensável que tenham respaldo e amparo: foi isso que Sindicato dos Jornalistas Palestinos garantiu, e continuará garantindo
Num tempo em que todas as leis desmoronaram e o mundo recuou até mesmo dos seus deveres humanos mais básicos para com Gaza, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos manteve-se na linha de frente da guerra, sem hesitar ou ceder a cálculos mesquinhos. Não se limitou a emitir notas ou apelos: assumiu a responsabilidade pela proteção, pelo cuidado e pelo fortalecimento profissional de dezenas de jornalistas em um dos ambientes mais letais e perigosos do planeta.
No coração dos massacres, entre os escombros, no completo corte de energia elétrica, internet e comunicações, o Sindicato ofereceu refúgio aos jornalistas por meio dos centros de solidariedade midiática instalados na Faixa de Gaza. Esses centros não eram apenas escritórios: eram como oásis da verdade em pleno deserto do apagão informativo. Ali, os jornalistas puderam enviar imagens dos massacres, transmitir as mensagens da população e documentar as feridas de crianças e mães, apesar da máquina de guerra que mira tudo o que se move, tudo o que ousa contar a verdade.
O que distingue a atuação do Sindicato neste momento crucial é que ele não fez distinção entre jornalistas filiados ou não, nem entre veículos oficiais ou mídias alternativas. Todos são iguais diante do chamado do dever, todos merecem proteção e apoio, desde que o objetivo seja um só: denunciar os crimes da ocupação e romper o cerco informativo imposto sobre Gaza.
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O Sindicato, um dos organismos sindicais mais antigos da Palestina, esteve à altura do desafio. Antecipou-se às instituições internacionais, que se omitiram ou se limitaram a notas de preocupação, e decidiu colocar todos os seus recursos a serviço do terreno. Equipou os centros com fontes de energia e acesso à internet, forneceu aos jornalistas as ferramentas logísticas possíveis e ofereceu inclusive apoio psicológico e moral às famílias dos colegas mártires e feridos, que tombaram empunhando câmeras e canetas, não armas.
Talvez muitos não percebam que o jornalista palestino em Gaza não enfrenta apenas o risco de morte direta pelos aviões da ocupação: enfrenta também o risco do silêncio forçado, quando se vê privado dos meios de comunicação e publicação, cercado por um novo tipo de bloqueio: o bloqueio da narrativa. E foi aqui que o Sindicato exerceu um papel decisivo, dizendo ao mundo: vocês não têm desculpa para se ausentar, as imagens chegaram, as palavras foram publicadas, cabe agora a vocês agir.
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Hoje, passados mais de 600 dias desde o início da guerra de extermínio em Gaza, é preciso tirar o chapéu para o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, não apenas pelo seu esforço, mas pela sua postura ética, firmemente alinhada com a verdade, com a Palestina e com todos os jornalistas, sem distinção. O Sindicato reafirmou que o jornalismo não é apenas uma profissão, mas uma missão, e que ele próprio não é apenas uma estrutura organizativa, mas um bastião de proteção e uma força de apoio nos momentos mais sombrios.
Num tempo em que o jornalista se tornou alvo, se faz indispensável que ele tenha respaldo e amparo. E foi isso que o nosso Sindicato garantiu, e continuará garantindo.
Protesto do Sindicato dos Jornalistas Palestinos contra o assassinato do jornalista Hassan Isalih e a campanha de extermínio sionista contra profissionais da imprensa em Gaza. O pequeno cartaz à direita diz: “A verdade é mais forte que as balas”. 13 de maio de 2025, Praça do Complexo Médico Nasser, Khan Yunis, sul da Faixa de Gaza.
* Edição de texto: Alexandre Rocha
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.
