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Na ONU, Venezuela vai exigir fim à ofensiva dos EUA e investigação sobre ataques no Caribe

O chanceler da Venezuela, Yván Gil, informou nesta quinta-feira (14) que seu governo acudirá à Organização das Nações Unidas (ONU) para exigir ações que detenham uma tentativa de agressão militar por parte dos Estados Unidos.

“Vamos atuar perante as Nações Unidas para exigir que as coisas sejam chamadas pelo seu nome e que seus órgãos atuem em função do que está acontecendo”, disse o chefe da diplomacia bolivariana durante o Encontro de Juristas em Defesa do Direito Internacional, ato que se desenvolve em Caracas e que conta com convidados internacionais.

Gil ressaltou a necessidade de fazer com que qualquer confrontação entre dois Estados seja resolvida através do diálogo. “A tentativa de agressão deve ser detida por meio da lei, da aplicação do direito, de assumir as responsabilidades que cabem ao caso”, expressou.

Também assinalou que “a lei terá que atuar” no caso dos assassinatos cometidos por forças estadunidenses no Caribe, e que deve ser aberta uma investigação penal para “determinar quem são os responsáveis tanto na cadeia de comando como na execução dos ataques”.

O chanceler criticou a invenção de uma narrativa para justificar os ataques a lanchas no mar, enfatizando que essas ações “estão ocasionando amplas violações dos direitos humanos e do direito dos trabalhadores do mar em nosso Caribe”.

Além disso, refletiu que, embora os especialistas da ONU tenham chamado de execuções extrajudiciais, as ações dos Estados Unidos “não são mais que viles assassinatos”. A situação é agravada, ainda de acordo com o chanceler Gil, pelo fato de que esses crimes “são reivindicados por uma dirigência política de um país membro das Nações Unidas, membro permanente do Conselho de Segurança, que reivindica o assassinato como um grande feito”.

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A escalada militarista de Washington em águas do mar do Caribe começou em agosto e, na atualidade, consiste em oito navios de guerra, mais de 30 aviões caça F-35, helicópteros de elite, 10 mil tropas de infantaria, um submarino nuclear e, recentemente, o grupo de ataque do porta-aviões Gerald Ford — referido como o maior do mundo, com cerca de cinco mil fuzileiros navais adicionais a bordo e mais três destroyers, além dos já posicionados na região há semanas.

Porta-vozes da Casa Branca, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, e o próprio presidente, Donald Trump, insistiram que esse descomunal desdobramento militar visa combater o narcotráfico, mas cada vez se torna mais evidente que o objetivo consiste em uma agressão ao território venezuelano.

Todas essas operações são realizadas pelo Comando Sul e, até agora, as ações concretas realizadas foram bombardeios contra 19 lanchas (entre o Caribe e o Pacífico oriental) que supostamente transportavam drogas. O Pentágono nunca apresentou provas.

Mobilização massiva

Às quatro da madrugada desta terça-feira (11), todas as unidades militares, policiais, sistemas de armas, Milícia Nacional Bolivariana, órgãos de segurança cidadã e comandos para a defesa integral iniciaram uma mobilização em massa em todo o território venezuelano “para assegurar a integridade dos elementos do poder nacional na missão de enfrentar as ameaças imperiais”.

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Assim foi divulgado pelo general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, em um comunicado nas redes sociais. O funcionário assinalou que se trata de uma “fase superior do Plano Independência 200”, dispositivo defensivo que já havia sido ativado no mês passado diante do incremento do desdobramento militar do Pentágono no sul do Caribe. A ofensiva estadunidense, segundo informes de imprensa e declarações de funcionários de Washington, aponta diretamente para a Venezuela sob a desculpa de “combater o tráfico de drogas para os Estados Unidos”.

No transcurso da manhã de terça-feira (11), foram divulgadas imagens das diferentes regiões da Venezuela que mostram efetivos militares tomando armas e se mobilizando pelo território.

Otimização da ‘luta armada e não armada’

A comunicação do Ministério da Defesa detalhou que este exercício, que se estendeu até esta quarta-feira (12), comporta “o desdobramento massivo de meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis” para a “colocação em completo aprestamento operacional” da estratégia de defesa da nação. Também foi divulgado que o objetivo é a otimização do “comando, do controle e das comunicações no marco das formas de luta armada e não armada”.

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Além das mobilizações propriamente militares, o desdobramento envolve a proteção dos serviços públicos como fornecimento de eletricidade, água potável e combustível, assistência médica, abastecimento e distribuição de alimentos para a população.

Aprovam lei de proteção

Nesta terça-feira (11), a Assembleia Nacional (AN) venezuelana sancionou a Lei do Comando para a Defesa Integral da Nação, que estabelece as bases para organizar e coordenar os órgãos de direção responsáveis por proteger o país de ameaças internas e externas. Este marco legal, composto por 21 artigos, cria instâncias de planejamento e execução, dotadas de comitês especializados nas áreas patriótica, econômica, social, de ordem interna e de mobilização, permitindo a atuação técnica e a resposta rápida ante distintas situações.

“Aprovamos uma lei fundamental que apresenta uma nova forma de atender o desdobramento, o acatamento das ordens, o deslocamento das tropas e, sobretudo, a conjunção entre povo e Força Armada”, ressaltou o presidente da AN, Jorge Rodríguez.

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