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Grupo secreto de Israel associa jornalistas de Gaza ao Hamas para justificar assassinatos

Após os acontecimentos de 7 de outubro de 2023, a direção de inteligência militar do regime sionista formou uma equipe denominada “Célula de Legitimação” a fim de combater a imagem negativa de Israel na mídia. É o que afirmam fontes de inteligência israelense aos meios digitais israelenses +972 Magazine e Local Call

A unidade secreta do exército israelense teria como objetivo principal acusar o Movimento de Resistência Islâmica da Palestina (Hamas) de utilizar estruturas civis, como escolas e hospitais.

Nesse contexto, segundo revelam investigações, a equipe também seria responsável por apresentar jornalistas como membros da resistência palestina para, assim, justificar seu assassinato. Retratar jornalistas instalados em Gaza como agentes infiltrados do Hamas se insere em uma estratégia aparentemente voltada a mitigar a indignação internacional após o assassinato de jornalistas durante a guerra.

A “Célula de Legitimação” ganhou notoriedade após os acontecimentos relacionados à explosão no Hospital Al-Ahli, em outubro de 2023, quando autoridades israelenses afirmaram que foi causada por um foguete mal lançado da Jihad Islâmica, contrariando os relatos de um ataque aéreo israelense.

A unidade foi responsável por divulgar gravações que supostamente mostravam combatentes do Hamas atribuindo o incidente a uma falha de disparo. No entanto, investigações posteriores revelaram que um dos indivíduos na gravação era um ativista palestino que afirmou que suas declarações foram distorcidas.

Jornalistas no alvo

A tática se estendeu à imagem que o exército projetava dos jornalistas, o que aumentou a preocupação com os riscos enfrentados pelos profissionais dos meios de comunicação em zonas de guerra.

Segundo relatos, membros da “Célula” expressaram sua frustração com jornalistas instalados em Gaza que, em sua percepção, prejudicavam a imagem de Israel no cenário internacional.

“Cada vez que as críticas a Israel se intensificavam, a ‘Célula de Legitimação’ recebia instruções para refutar essa narrativa”, declarou uma fonte.

Na prática, isso significava que, quando a mídia internacional alertava sobre as ações genocidas de Israel que resultavam na morte de jornalistas, surgia uma demanda imediata por informações que pudessem apresentar um jornalista como comprometido. “A ideia era justificar os ataques contra indivíduos sugerindo sua filiação ao Hamas”, acrescentou a fonte.

Israel matou Anas al-Sharif simplesmente por ser jornalista

O jornalista Yuval Avraham, colaborador do site israelense +972, publicou em 14 de agosto na plataforma X que a missão principal da célula era localizar jornalistas gazauis que pudessem ser retratados na mídia como agentes secretos do Hamas, a fim de justificar sua eliminação.

An army official sent us a written response now confirming “research teams were created in Israeli intelligence over the past two years” to “debunk the credibility of journalists reporting about the Gaza war supposedly in an accurate and precise way” while being “Hamas members”. https://t.co/aVLx8PT1I8

— Yuval Abraham יובל אברהם (@yuval_abraham) August 14, 2025

“O exército matou quatro jornalistas em Gaza na noite passada, enquanto a imprensa israelense normalizou os assassinatos em massa, a fome e o genocídio, traindo sua profissão”, afirmou o comunicador.

“Essa traição continua hoje com manchetes que anunciam a morte de Anas al-Sharif, repetindo a versão do porta-voz das Forças de Defesa de Israel, que apresentou documentos que supostamente provam que Al-Sharif se uniu ao HAMAS”, denunciou.

Avraham enfatizou ainda: “Israel matou Anas al-Sharif simplesmente por ser jornalista. Os documentos foram uma desculpa, assim como foi a busca ativa por comunicadores que pudessem ser apresentados como membros do HAMAS para legitimar o assassinato de jornalistas em geral”.

“Desde 7 de outubro de 2023, assassinamos aproximadamente 230 jornalistas em Gaza. Pela mesma razão, impede-se o acesso da mídia internacional, para reduzir ao mínimo as testemunhas desses crimes”, acrescentou.

O porta-voz militar israelense, Avichay Adraee, acusou Anas al-Sharif de ser combatente do Hamas, da mesma forma que anteriormente apontou Hamza al-Dahdouh como membro da Jihad Islâmica.

Essas declarações provocaram a indignação de Avraham, que respondeu na plataforma X: “Um jornalista que não questiona as afirmações do porta-voz do exército, depois de tantas mentiras, trai sua profissão”.

O ataque em 10 de agosto

Em 10 de agosto, o exército do regime israelense assassinou, em um ataque aéreo contra o acampamento de imprensa próximo ao complexo hospitalar Al-Shifa na cidade de Gaza, os jornalistas Anas al-Sharif e Mohammed Qreiqeh, os cinegrafistas Ibrahim Zaher e Mohammed Noufal, assim como o assistente de câmera Moamen Aliwa, da rede Al Jazeera.

Nesse caso, a “Célula de Legitimação” distorceu a informação para apresentar um jornalista como membro da ala militar do Hamas, o que resultou numa justificativa preventiva para a violência contra ele.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas havia previamente alertado sobre ameaças contra Al-Sharif, identificando-o como alvo da inteligência israelense.

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