Ante o avanço do imperialismo e a ameaça à vida humana, faz-se urgente formular, a partir de cidadãos, uma Nova Arquitetura Internacional de Segurança e Desenvolvimento
Com o começo do ano de 2026, o mundo entrou em uma nova fase. O direito internacional está sendo abolido e substituído pela lei da selva, na qual se supõe que “a força faz o direito”. Esse colapso total de qualquer ordem baseada em verdadeiros princípios jurídicos ameaça intensificar diversos conflitos regionais, transformando-os em uma nova era de trevas ou mesmo em uma guerra nuclear mundial.
Por exemplo: após vários atos de pirataria contra a nação soberana da Venezuela e o sequestro de seu chefe de Estado, anunciam-se agora invasões planejadas e o roubo de recursos naturais de países como Cuba, México, Colômbia, Irã e, possivelmente, de outros territórios, como a Groenlândia. Uma militarização não vista há aproximadamente 90 anos evoca o panorama de uma nova guerra mundial iminente. Enquanto isso, o sistema financeiro dominado pelo Ocidente, hoje quase completamente desconectado da economia real, ameaça um colapso sistêmico muito pior do que a crise de 2008.
Abandonou-se por completo o pretexto das “intervenções humanitárias” e da defesa da “ordem baseada em regras”, em nome de um imperialismo e de um neocolonialismo agressivos, agora demonstrados abertamente. Os chamados “valores ocidentais” foram traídos e, depois de enterrados, não resta sequer uma ilusão de legitimidade. A ausência de um estadismo eficaz, bem como o emprego da força militar e econômica em lugar da diplomacia para a resolução dos conflitos, levou ao fracasso das instituições do pós-guerra, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Assembleia Geral da ONU. A falta de aplicação das decisões dos tribunais supremos, como a Corte Internacional de Justiça (CIJ), deixou impunes o genocídio, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade.
Essa situação deplorável exige uma intervenção urgente das instituições e das pessoas de boa vontade em todo o mundo. Portanto, propomos a criação de uma Iniciativa da Sociedade Civil Mundial, para atuar em conjunto com organizações religiosas, grupos civis e com a ONU como parceiro central, com o objetivo de defender a Carta das Nações Unidas e os Cinco Princípios de Coexistência Pacífica de 1954. Seus focos imediatos, entre outros, devem ser:
- Convocar com urgência uma conferência internacional para discutir os princípios de uma Nova Arquitetura Internacional de Segurança e Desenvolvimento.
- Criar equipes que trabalhem em aspectos da reconstrução do sistema mundial, como, por exemplo:
a) a elaboração de uma “Ponte Terrestre Mundial”, composta por corredores de desenvolvimento econômico para cada continente;
b) a criação de equipes ad hoc para condenar a descarada ingerência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela e qualquer intervenção similar nos assuntos internos de Estados soberanos em qualquer parte do mundo; bem como para condenar o genocídio que se leva a cabo em Gaza e violações semelhantes da dignidade humana onde quer que ocorram;
c) a reorganização do sistema financeiro mundial, assim como a criação de bancos nacionais em cada país e de um novo sistema de pagamentos dedicado à economia física;
d) a revitalização das melhores tradições de cada cultura e civilização do mundo e o fomento do diálogo entre elas;
e) a exploração de novos métodos de pensamento, com o objetivo de estabelecer um novo paradigma na história humana, como o método da Coincidência dos Opostos.
Constitui-se, pelo presente, um Grupo de Ação Imediata para implementar essa perspectiva. Ele está aberto a representantes de qualquer organização ou instituição, bem como a pessoas que desejem participar da criação de uma iniciativa da sociedade civil mundial comprometida com os interesses da humanidade como um todo único e com a garantia da adesão a esse ideal de uma ONU reformada. Caberá aos representantes de cada uma das nações determinar as ações diretas não violentas apropriadas em seus respectivos países, seguindo a tradição de Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela.
Por um movimento de cidadãos do mundo!
Os signatários abaixo, que se reuniram em uma mesa redonda de diálogo de emergência virtual internacional em 12 de janeiro de 2026, fazem este apelo à comunidade mundial. Unimo-nos para impulsionar as ações que consideramos necessárias para evitar que a civilização humana caia em uma catástrofe potencialmente fatal.
Signatários que covocam:
- Helga Zepp-LaRouche (Alemanha), fundadora do Instituto Schiller, diretora-geral da Análise Executiva de Inteligência (EIR, na sigla em inglês)
- Naledi Pandor (África do Sul), ex-ministra de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul
- Prof. Zhang Weiwei (China), professor de Relações Internacionais na Universidade Fudan, Shangai
- Dmitri Trenin (Rússia), diretor e supervisor acadêmico do Instituto de Economia Militar e Estratégia Mundial da Universidade HSE de Moscou
- Donald Ramotar (Guiana), ex-Presidente da Guiana
- María de los Ángeles Huerta del Río (México), ex-deputada federal do México
- Namit Verma (Índia), escritor e analista de segurança da Índia
- Dennis Small (Estados Unidos), diretor de EIR para a América espanhola
- Tenente-coronel (ret.) Ralph Bosshard (Suíça), ex-assessor militar do secretário-geral da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)
Para registrar seu apoio, acesse o portal EIR. E para mais informações, escreva para preguntas@larouchepub.com
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

