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Eventual agressão a Cuba custaria caro para os EUA

Anexação da ilha é projeto da Casa Branca desde o fim do século 19, mas ganha novos contornos sob Trump; as consequências de uma ofensiva, porém, são imprevisíveis

Após sua truanesca intervenção contra a Venezuela Bolivariana, Donald Trump busca agora destruir Cuba. Declarou isso diretamente, reconhecendo, além disso, que não tem qualquer acusação específica contra a Pátria de Martí, seu povo e seu governo. Por isso, lhes pede uma única coisa: que renunciem ao caminho que escolheram e acatem as decisões de Washington. Se não o fizerem — disse — serão destroçados.

Não se trata de ameaças formais nem de expressões destinadas simplesmente a intimidar um povo. Reflete, antes, a decisão de agir de forma concreta para acabar com algo que tem sido uma espécie de pesadelo constante para a administração estadunidense desde 1959. Na verdade, antes disso, porque, como se sabe no mundo inteiro, a Casa Branca buscou anexar Cuba desde o início do século 19, quando começou o processo de expansão dos EUA pelo continente americano. É desse período que data a “Doutrina Monroe”, hoje revivida e embelezada por Donald Trump a ponto de ser “rebatizada” com o nome de “Don Monroe”.

Contra Cuba, a Casa Branca não tem argumentos porque — objetivamente preocupada com o que ocorria em Caracas — havia deixado transitoriamente de olhar para a ilha, apostando que a dinâmica do bloqueio instaurado há 66 anos agiria por si só e que a Maior das Antilhas cairia exânime e sem qualquer remédio. Como isso não ocorreu e, ao contrário — apoiada no heroísmo de seu povo e na inquebrantável vontade de luta de seu governo —, Cuba continuou colhendo solidariedade internacional e enfrentando todas as agressões do império, agora foi colocada novamente na linha de mira.

O que o Império não percebe é que Cuba não é apenas o conjunto de 11 milhões de pessoas dispostas a combater até o fim e a morrer, se necessário, entregando a vida pela Pátria. Cuba são também os milhões de pessoas que, em todos os países do mundo, estão prontas para lutar em sua defesa.

Donald Trump deveria saber que atacar Cuba é abrir uma infinita Caixa de Pandora. Dela brotará tudo o que se possa imaginar no cenário de nosso tempo. E das consequências que disso derivarem, os EUA não sairão impunes.

Porque a luta não se travará apenas em território cubano. Nem sequer somente em solo estadunidense. Uma agressão a Cuba implica declarar guerra ao mundo. E os EUA— suas instalações oficiais, suas empresas e seus interesses concretos — serão o alvo preferencial de milhões de combatentes em cada canto do planeta. Nada do que cheire a ianque ficará de pé.

Resistência socialista e colapso neoliberal: do Peru, um olhar sobre o legado centenário de Fidel

Há quem assegure que, quando o senhor Trump venceu as eleições em 2024, foi ao circo para celebrar sua euforia. Gostou tanto que decidiu comprá-lo e levá-lo, em janeiro de 2025, para a Casa Branca, onde finalmente o instalou com seus animais e palhaços. Agora ele funciona ali. E isso explica a presença de Marco Rubio e companhia.

Eles — os porta-vozes do mais radical discurso anticubano — apenas anseiam por ter “carta branca” para agir com os recursos do Pentágono. Seu sonho é “voltar a Cuba” com ares de “vencedores”. Talvez não saibam que, se cruzarem as 90 milhas ao sul de Miami, os espera aquilo que será o seu fim.

Antonio Maceo, em seus anos de luta pela Independência de Cuba, cunhou uma frase que o mundo de hoje conhece repetida pela imensa voz de Fidel: “Quem tentar se apoderar de Cuba recolherá o pó de seu solo encharcado de sangue, se não perecer na tentativa”.

É bom que Marco Rubio e todos os que hoje vivem na Casa Branca compreendam isso muito bem.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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