Um líder do movimento do nacionalismo cristão nos EUA, Doug Wilson, foi convidado ao Pentágono pelo secretário de Guerra — o autoproclamado fanático das cruzadas cristãs — Pete Hegseth, na semana do dia 16 de fevereiro, para oferecer um sermão a militares, que também foi transmitido pela rede televisiva interna do órgão, confirmando ainda mais a integração do nacionalismo cristão dentro deste governo. Wilson afirmou que às mulheres deveria ser negado o direito ao voto, que os homens são os chefes do lar, que proprietários cristãos de escravos tinham justificativa bíblica e condena os gays. Também declarou que “não há salvação sem derramamento de sangue” e proclamou que os Estados Unidos foram “cristãos desde seu início”.
Por outro lado, para aqueles que ainda têm dúvidas, um comunicado oficial da Casa Branca traz o seguinte título: “O presidente Trump estava certo sobre tudo.”
Na reunião inaugural da chamada Junta de Paz — sua suposta alternativa à Organização das Nações Unidas — Trump obrigou os representantes de cerca de 20 países membros (sem incluir aliados históricos, mas incluindo o presidente da Fifa) a posar para uma foto enquanto tocava a canção pop Gloria, sucesso dos anos 1980 — ninguém explicou a escolha musical. Trump falou pouco sobre o tema da paz, mas se estendeu em outros assuntos, como a alta da bolsa de valores, e elogiou parcialmente o presidente do Paraguai, comentando que “sempre é bom ser jovem e bonito, mas isso não significa que temos que gostar de você. Eu não gosto de homens jovens e bonitos, gosto de mulheres” (risos).
O emblema da Junta de Paz é muito semelhante ao da ONU, mas com uma diferença: os Estados Unidos ocupam o centro e tudo é dourado. Falando em ouro, cada país interessado em tornar-se membro permanente foi convidado a pagar um bilhão de dólares à entidade. Todo o evento foi realizado no edifício do Instituto para a Paz dos Estados Unidos, agora renomeado como “Instituto para a Paz Donald Trump”.
Na Filadélfia, depois que o governo Trump ordenou o desmonte de uma exposição permanente oficial sobre a escravidão na história do país, trabalhadores retornaram para reinstalá-la por ordem de um juiz federal. A exposição documenta a vida de nove africanos escravizados que trabalharam na residência do primeiro presidente do país, George Washington. O governo Trump está recorrendo da decisão, por se opor a que museus e outros centros culturais apresentem conteúdos que considere antiestadunidenses ou que, segundo sua avaliação, não promovam o patriotismo.
Enquanto isso, há anos — e ainda hoje — escolas públicas dos Estados Unidos, do jardim de infância ao ensino médio, realizam simulações para treinar estudantes, professores e funcionários sobre o que fazer caso uma pessoa armada invada a escola. Um dos documentários indicados ao Oscar neste ano, All the Empty Rooms, oferece um retrato das vidas de crianças mortas por tiros em suas escolas, mostrando como estão hoje seus quartos vazios.
Agora, em várias escolas, existe mais um exercício: o que fazer caso agentes de imigração apareçam.
“Toda essa epopeia Epstein expôs a mentira no centro do projeto político de Trump… de que esse homem realmente se importava ou queria fazer algo para ajudar os estadunidenses da classe trabalhadora ou média”, comentou recentemente o senador democrata Jon Ossoff, declarando que “este é um governo de, por e para os ultrarricos… esta é a classe Epstein governando nosso país”.
Ah, talvez isso resolva o mistério de por que tocavam o sucesso pop Glória no evento da chamada “pax trumpiana” — cuja letra inclui:
Glória, você está sempre correndo agora… acho que precisa desacelerar
acho que está caminhando para um colapso
então cuidado para não demonstrar… estão chamando as vozes em sua cabeça, Glória
Glória, você não acha que está caindo?

