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Estadunidenses não engolem salada de justificativas de Trump; só 1 em 4 apoia agressão ao Irã

Quantos estadunidenses apoiam os ataques aéreos contra o Irã ordenados pelo presidente Donald Trump no último fim de semana? Acham que eles deveriam continuar? Quão preocupados estão com uma guerra em grande escala contra o país? O Washington Post enviou uma mensagem de texto a 1.003 estadunidenses no domingo (1º) para fazer essas perguntas. A sondagem rápida revelou que mais americanos se opõem aos ataques do que os apoiam.

Com os ataques ao Irã, os países do Golfo estão pagando o preço de sua aliança com os Estados Unidos. Desde o início do conflito, na manhã de sábado (28), o Irã parece ter ampliado seus alvos, passando de objetivos estritamente militares — como o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, no Bahrein — para aeroportos e outras instalações civis. Em Teerã, autoridades advertiram que o país “não permanecerá em silêncio”, enquanto o fogo cruzado se intensifica. Israel reconheceu falhas em seu esquema de segurança. Além disso, o Hezbollah lançou mísseis e drones contra Israel a partir do Líbano. Também há relatos de explosões em cidades da Arábia Saudita, Catar e Bahrein.

Hotéis de luxo, centros comerciais, arranha-céus e terminais de embarque de aeroportos ultramodernos tornaram-se alvos de ataques esporádicos, à medida que surgem brechas nas defesas aéreas dos Estados árabes do Golfo Pérsico. Evidentemente, esses locais nunca foram projetados sob a perspectiva de que um dia seriam atingidos por drones e mísseis balísticos.

E, como se o que ocorreu no sábado (28) não bastasse, Trump voltou a ameaçar o Irã. “A grande onda de ataques nem sequer começou”, afirmou em entrevista, após anunciar que a ofensiva contra Teerã poderia durar quatro semanas. Nas primeiras 48 horas, já foram denunciadas mais de 550 mortes no Irã em decorrência dos ataques dos EUA e de Israel, enquanto os mortos pelas represálias da República Islâmica superam 30 em todo o Oriente Médio.

A percepção sobre os objetivos de Trump varia consideravelmente, embora uma clara maioria afirme que sua administração não os explicou com clareza. Ainda assim, cerca de metade dos entrevistados acredita que as ações das Forças Armadas dos EUA contribuirão para a segurança do país no longo prazo. Trump enfrenta, assim, um novo revés após ter iniciado a guerra contra o Irã ao lado de Israel.

O governo dos Estados Unidos justificou sua ofensiva militar como uma ação destinada a conter o programa nuclear iraniano, enfraquecer sua capacidade militar e garantir a segurança de Israel, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. A operação conjunta com Israel — seu aliado na guerra em Gaza — ocorreu em meio a negociações nucleares sabotadas e em um contexto de crescente pressão política e militar sobre o governo iraniano.

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Posteriormente, em entrevista ao jornal The New York Post, Trump afirmou que decidiu bombardear o Irã junto a Israel porque, segundo ele, a República Islâmica estaria enriquecendo urânio secretamente, passo necessário para produzir uma arma nuclear. “Queriam fabricar uma arma nuclear, então os destruímos completamente”, declarou. Ao explicar por que interrompeu o processo de negociação do qual os Estados Unidos participavam, acrescentou: “Descobrimos que estavam trabalhando em uma área totalmente diferente… então simplesmente chegou o momento. Eu disse: ‘Vamos’”.

Mas poucos compreenderam suas explicações — menos ainda as do secretário de Estado, Marco Rubio. Ele afirmou que os Estados Unidos atacaram o Irã “preventivamente” no sábado (28) para proteger suas forças de possíveis represálias, após saberem que Israel realizaria um ataque. “Havia uma ameaça iminente. E a ameaça iminente era que sabíamos que, se o Irã fosse atacado — e acreditávamos que seria —, eles nos atingiriam imediatamente. E não ficaríamos de braços cruzados sem responder. Sabíamos que, se não os atingíssemos preventivamente antes que lançassem esses ataques, sofreríamos mais baixas”, disse, em uma justificativa que soou, para muitos, como a lógica de um jogo de computador.

Se, na semana anterior, antes do discurso sobre o Estado da União, as pesquisas já indicavam que o índice de impopularidade de Trump chegava a 60%, o início dos ataques no Oriente Médio ampliou a rejeição. Segundo uma nova pesquisa da Reuters/Ipsos, apenas um em cada quatro estadunidenses apoia os ataques dos EUA ao Irã. A sondagem foi iniciada no sábado (28), após o começo da operação conjunta com Israel, batizada de Fúria Épica.

De acordo com o levantamento, 27% dos entrevistados aprovam os ataques, enquanto 43% os desaprovam e 29% se declaram indecisos. A pesquisa também mostrou que 56% dos estadunidenses consideram que Trump — que nos últimos meses também ordenou ataques na Venezuela, Síria e Nigéria — está excessivamente disposto a recorrer à força militar para promover os interesses do país. Entre os democratas, 87% compartilham dessa avaliação.

O relatório da Reuters/Ipsos indica ainda que apenas 55% dos republicanos apoiam os ataques, e que esse número cairia para 42% caso a ofensiva resulte em baixas americanas. Além disso, 52% se opõem a que Trump ordene ataques aéreos contra o Irã, contra 39% que são favoráveis; 9% dizem não saber. Os opositores demonstram posição mais firme: cerca de quatro em cada dez se declaram fortemente contrários aos ataques, enquanto pouco mais de dois em cada dez afirmam apoiá-los com convicção.

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O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, assegurou que seu país não permanecerá “em silêncio” após denunciar os ataques de EUA e Israel contra uma escola e um hospital. “Os ataques contra hospitais atentam contra a própria vida. Os ataques contra escolas atentam contra o futuro da nação (…) O mundo deve condenar esses atos”, escreveu Pezeshkian. “O Irã não permanecerá em silêncio e não cederá diante desses crimes”, acrescentou. O líder iraniano se referiu ao bombardeio realizado no sábado (28), que provocou 168 mortes em uma escola infantil feminina em Minab, no sul do país.

A República Islâmica do Irã enfrenta o que analistas descrevem como uma prova existencial, depois que Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla campanha militar e mataram seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Oito meses após a Guerra dos 12 dias entre Irã e Israel, em junho de 2025, forças estadunidenses e israelenses realizaram uma operação conjunta, com ataques contra alvos militares e do regime iraniano.

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