O Equador declarou persona non grata o embaixador de Cuba, Basilio Antonio Gutiérrez García, assim como toda a missão diplomática do país acreditada no território nacional. Na prática, a medida congela as relações entre as duas nações. Paralelamente ao anúncio, o presidente Daniel Noboa deu por encerradas as funções do embaixador do Equador em Cuba, José María Borja.
De Havana, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou em uma mensagem na rede X: “rejeitamos nos termos mais enérgicos a decisão arbitrária e injustificada do governo do Equador de expulsar todo o pessoal da embaixada cubana naquele país”.
“Não parece casual que essa decisão tenha sido tomada em um contexto caracterizado pelo reforço da agressão dos Estados Unidos contra Cuba e pelas fortes pressões do governo desse país sobre terceiros Estados para que se somem a essa política, a poucos dias da cúpula convocada em Miami, em 7 de março”, afirmou, em referência ao encontro do presidente Donald Trump com mandatários latino-americanos de ultradireita, entre eles o argentino Javier Milei, o boliviano Rodrigo Paz Pereira, o equatoriano Daniel Noboa, o salvadorenho Nayib Bukele e o hondurenho Nasry Asfura, além do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
Esse novo episódio soma-se à guerra comercial com a Colômbia desde fevereiro passado, à ruptura das relações com o México desde abril de 2024 e à decisão de não manter contatos diplomáticos com a Venezuela, além do apoio a todas as ações dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro e contra o presidente cubano Miguel Díaz-Canel.
Também se soma à ruptura com a Nicarágua desde abril de 2024, quando o presidente Daniel Ortega, em solidariedade ao México após a incursão policial na embaixada mexicana em Quito, rompeu todo tipo de relação política e diplomática com o Equador.
A decisão em relação a Cuba baseia-se no artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que autoriza o Estado receptor a declarar persona non grata o chefe de missão ou qualquer membro do pessoal diplomático, a qualquer momento e sem necessidade de apresentar justificativas.
Com essa medida, o Estado equatoriano concedeu um prazo de 48 horas para que o embaixador de Cuba e os 22 integrantes da missão deixem o país.
Basilio Gutiérrez esteve à frente da embaixada de Cuba no Equador por três anos e comentou ao La Jornada que já estava prestes a deixar o cargo, pois uma diplomata de carreira já havia sido designada para substituí-lo.

