No último final de semana, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou uma “vigília e marcha permanente” em seis estados orientais do país, em resposta aos exercícios militares conjuntos que os Estados Unidos e Trinidad e Tobago realizam, desde domingo (16) até a próxima sexta-feira (21), em águas próximas à costa venezuelana.
Maduro qualificou as manobras de “irresponsáveis” e “ameaçadoras”, ao denunciar que buscam intimidar a República Bolivariana e afetam a paz da região caribenha.
No sábado (15), durante um ato de juramentação dos Comitês Bolivarianos de Base Integral (CBBI) em Petare, Miranda, o presidente instou as forças populares, militares, policiais e sociais de Bolívar, Delta Amacuro, Monagas, Anzoátegui, Nova Esparta e Sucre a se somarem, em unidade, a essa vigília, “erguendo a bandeira venezuelana em defesa da soberania nacional”. Reforçou que a mobilização deve se manter em “perfeita fusão popular-militar-policial” e enfatizou que a resposta não será agressiva, mas um ato de resistência pacífica diante da provocação imperialista.
Maduro acusou o governo trinitense de “submissão” por ceder seu território para operações estadunidenses que ameaçam a paz regional e poderiam ser utilizadas para o bombardeio indiscriminado de civis. Ressaltou, ainda, que a população de Trinidad e Tobago deve refletir se seguirá permitindo que sua nação seja utilizada para esses fins.
“Eles dizem que vão fazer de segunda a quinta-feira… Pois bem, o povo de Trinidad e Tobago verá se continua suportando que utilizem suas águas e sua terra para ameaçar gravemente a paz do Caribe”, expressou.
No mesmo discurso, reiterou que pretendem “roubar o petróleo e o gás da Venezuela”, assegurando que o povo venezuelano defenderá sua soberania sem cair em provocações.
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Maduro também fez referência à Operação Lança do Sul, nome atribuído ao deslocamento militar estadunidense supostamente destinado a combater o narcotráfico no Caribe, mas que tanto o governo da Venezuela como o da Colômbia denunciaram como um plano para pressionar e até mesmo agredir diretamente ambos os países, com a intenção de derrubar seus governos.
A Venezuela está há semanas em alerta militar contínuo e desenvolveu exercícios e patrulhamentos defensivos em todo o território. O deslocamento responde à ameaça direta representada pela presença militar estadunidense em águas caribenhas. O governo venezuelano tem ressaltado o caráter defensivo e de coesão nacional dessas ações, chamando o povo a se preparar para qualquer cenário, mas sem buscar confrontação.
Machado pede intervenção da Europa
Por sua vez, a dirigente da oposição de extrema-direita María Corina Machado pediu neste domingo (16) aos países da Europa que colaborem para “libertar a Venezuela”.
Durante uma participação em vídeo no Fórum sobre o Futuro da União Europeia, encerrado em Madri ainda no domingo, Machado solicitou ajuda europeia para a “reconstrução moral” de seu país. “Europa, eu sei que vão ajudar cada vez mais a libertar a Venezuela”, exclamou.
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[A golpista – nota da edição] comparou a Venezuela com a Europa posterior à Segunda Guerra Mundial e disse que os europeus “sabem o que significa levantar uma nação das ruínas da guerra”. Por isso, assegurou, o continente “tem um papel essencial” como aliado no que ela chamou de “luta existencial”.
Machado tem se destacado nos últimos anos por ser uma das principais figuras venezuelanas a solicitar diretamente uma intervenção militar estadunidense em seu país, como método que lhe permita, a ela e ao seu grupo político, chegar ao poder.
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