Os grandes meios de comunicação silenciam toda voz que dê apoio ao governo venezuelano e a seu presidente, Nicolás Maduro, sequestrado pelos EUA.
O assassinato de mais de 100 pessoas, cometido para executar esse sequestro, ou é censurado ou reduzido a um mero detalhe informativo. Enquanto isso, debates e entrevistas na televisão e no rádio, bem como artigos e reportagens da imprensa, justificam a barbárie, o terror e a destruição do direito internacional por parte do governo de Donald Trump.
A apologia ao terrorismo de Estado goza de tamanha impunidade graças à chuva fina de mentiras lançadas, durante anos, sobre a opinião pública internacional. Vejamos.
A Venezuela é uma ditadura: falso
A Venezuela é o país com mais processos eleitorais do mundo: 32 durante o período do chavismo.
Nas eleições legislativas de maio, por exemplo, concorreram 54 forças políticas, com campanhas abertas e plena liberdade de expressão.
A Venezuela desenvolve um dos modelos de democracia mais participativos do mundo. Além das eleições convencionais, há quatro consultas populares anuais que, em cada comunidade, decidem diretamente os projetos e obras públicas que o Estado deve executar.
O chavismo destruiu a economia: falso
Desde 2015, o governo dos EUA aplicou à Venezuela cerca de mil sanções econômicas, expropriou empresas públicas e congelou contas e ativos no exterior. Em 2019, o país havia perdido 99% de toda a renda em divisas, com uma queda de 70% do PIB. Nada mais parecido com uma guerra.
No entanto, após seis anos de hecatombe social, a Venezuela conseguiu construir novas alianças econômicas nacionais e internacionais e, desde 2022, a economia cresce a um ritmo de 6%, com conquistas palpáveis, como uma soberania alimentar quase total.
A pobreza é culpa do governo: falso
Na primeira etapa da Revolução Bolivariana, com Hugo Chávez na presidência, a pobreza foi reduzida em 47%. A causa foram novas leis soberanas, como a Lei de Hidrocarbonetos, que deram ao Estado o controle real da renda petrolífera. Esses recursos passaram a financiar as chamadas “missões sociais” nas áreas de economia popular, moradia, educação, cultura e esporte, muitas delas em colaboração com Cuba.
No entanto, o bloqueio econômico destruiu os fundos petrolíferos que financiavam esses programas, provocando um aumento significativo da pobreza, a perda do valor dos salários e das aposentadorias, uma inflação gigantesca e a paralisação da economia.
Venezuela em Foco: informação contra-hegemônica sobre a situação venezuelana
A oposição é perseguida: falso
A extrema-direita, liderada por María Corina Machado, optou pelo boicote na maioria dos processos eleitorais recentes.
Trata-se de uma oposição não democrática, que não apenas apoia as sanções e a invasão de seu país pelos EUA, como também organizou vários golpes de Estado e tentativas de magnicídio, além de incentivar a violência extrema nas ruas contra a ordem constitucional. Em 2024, essas ações causaram a morte de 27 policiais e militantes chavistas.
Sua violência e sua colaboração com uma potência inimiga — e não a simples expressão de “opiniões” — são a causa do encarceramento daqueles que são apresentados como “presos políticos”.
Maduro roubou as eleições presidenciais: falso
Em julho de 2024, a oposição de ultradireita e os serviços de inteligência dos EUA orquestraram uma grande operação para roubar as eleições presidenciais: lançaram um amplo ciberataque que paralisou a apuração dos votos e, simultaneamente, divulgaram na imprensa mundial a mentira de sua vitória eleitoral.
Dias depois, o Tribunal Supremo de Justiça iniciou uma investigação e solicitou as atas eleitorais a todas as formações políticas. 38 partidos, de todas as correntes ideológicas, as apresentaram, exceto a Plataforma Unitária Democrática, de Edmundo González e María Corina Machado.
Atualmente, milhões de pessoas lotam as ruas da Venezuela em apoio a Maduro, sem um único ato de respaldo à intervenção dos EUA. O próprio Donald Trump afirmou que Machado “não tem apoio nem respeito” dentro da Venezuela. Então, como pôde dizer que seu grupo havia vencido as eleições?
China e Cuba invadiram a Venezuela: falso
A China é um dos eixos centrais do ataque dos EUA contra a Venezuela. São os acordos de extração e venda de petróleo, utilizando o yuan — a moeda chinesa —, que Trump tenta destruir por todos os meios.
No caso de Cuba, desde o ano 2000 existe um Convênio Integral de Cooperação com a Venezuela, paradigma da colaboração Sul-Sul. Cuba recebe petróleo e, em troca, fornece serviços, principalmente na área da saúde, em benefício de comunidades venezuelanas de menor renda.
Além disso, há cooperação em matéria de segurança: em 3 de janeiro, 32 militares cubanos que protegiam Maduro foram assassinados pelos EUA durante seu sequestro. Ainda assim, é totalmente falso que existam tropas cubanas na Venezuela. Se existissem, há muito tempo já teriam sido fotografadas pelos satélites estadunidenses.
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O governo provocou a saída de milhões do país: falso
Antes do bloqueio econômico, em pleno chavismo, a Venezuela era um país receptor de imigração — por exemplo, cerca de cinco milhões de colombianas e colombianos que fugiam da miséria e da violência. Contudo, o bloqueio dos EUA, assim como ocorreu em Cuba, fez com que milhões de pessoas fossem obrigadas a deixar o país em busca de uma vida melhor.
Assim como no caso cubano, a Casa Branca e os meios de comunicação a seu serviço construíram uma narrativa vitimista e falsa sobre pessoas “refugiadas”, “perseguidas” ou “fugidas” de seu país.
As migrações venezuelana e cubana são, sem dúvida, migrações forçadas — mas não por Caracas ou Havana, e sim por Washington. Ainda que, devido à guerra psicológica travada na mídia e nas redes, uma parte dessas pessoas esteja hoje aplaudindo o próprio algoz.
Um algoz que, por sinal, ainda… não venceu a guerra.

