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“Defender equidade e multilateralismo”: apoio da China ao Brasil pode beneficiar Embraer ante tarifaço

Declaração do Ministério das Relações Exteriores da China reforça disposição do país em cooperar com o Brasil, inclusive na aviação, como resposta à ofensiva tarifária de Trump

“A China está disposta a trabalhar com o Brasil, assim como com outros países da América Latina e do Caribe e países do Brics”, afirmou, nesta segunda-feira (28), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.

Jiakun fez o comentário durante coletiva de imprensa após ser questionado, no âmbito do tarifaço de Donald Trump, o que Brasília pode esperar do bloco e de Pequim em termos de abertura de mercados para produtos como aviões.

“A China já deixou clara sua posição sobre os aumentos tarifários dos EUA contra o Brasil. Quero enfatizar que guerras tarifárias não têm vencedores, e práticas unilaterais não servem aos interesses de ninguém”, observou o funcionário de Estado chinês.

O objetivo do governo de Xi Jinping, acrescentou Guo Jiakun, é defender conjuntamente o sistema multilateral de comércio, centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC), assim como “a equidade e justiça internacionais”.

Nesse sentido, Jiakun reforçou a importância dada pelo gigante asiático a alianças orientadas “a resultados com o Brasil, incluindo a cooperação na aviação”. E arrematou: “Estamos dispostos a promover a cooperação relevante com base em princípios de mercado e a impulsionar o desenvolvimento nacional respectivo”.

Vale lembrar que uma das companhias brasileiras mais ameaças pela ofensiva de Trump é a Embraer, que não apenas vende aeronaves para os Estados Unidos, mas depende de componentes feitos no país norte-americano para a fabricação. Sob o tarifaço, um único avião poderia sair R$ 50 milhões mais caro para o mercado estadunidense. Escoar a produção para a China seria, assim, uma forma de driblar a ofensiva tarifária e seu potencial impacto financeiro à Embraer.

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Acordos China X EUA

Guo Jiakun também foi questionado sobre a guerra tarifária imposta por Trump à China. A posição oficial, reiterada na coletiva, é de que Pequim busca “alcançar mais consensos e cooperação e menos equívocos” por meio do diálogo, “com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo”. Assim, observou Jiakun, é possível “promover o desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações China-EUA”.

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Na contramão desse formato de relação foi o acordo recentemente costurado entre a União Europeia e Washington. Perguntado sobre o tema, o porta-voz evitou reforçar a posição da própria UE de que o tratado foi prejudicial ao lado europeu. Porém, Jiakun destacou que, com a China, a conversa é diferente:

“Nos opomos firmemente a qualquer movimento, de uma das partes, para firmar um acordo às custas dos interesses da China”, declarou.

Confira, em inglês, a transcrição completa da coletiva de imprensa com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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