Protestos se multiplicam após ataque israelense à flotilha Sumud rumo a Gaza, com concentrações em consulados, bloqueios em portos e exigência de libertação dos detidos
O assalto do Exército de Israel à flotilha Sumud rumo a Gaza, a Global Sumud Flotilla, em águas internacionais, provocou a mobilização imediata de milhares de pessoas na Europa. As manifestações espontâneas tomaram as ruas de cidades como Barcelona, Bruxelas, Berlim e Nápoles, em solidariedade à Palestina e em repúdio à ação israelense.
Protestos em Barcelona e repressão policial
Uma das primeiras concentrações ocorreu em Barcelona, onde centenas de pessoas, convocadas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), se reuniram diante do consulado de Israel na capital catalã.
A Diálogos do Sul Global está em todo lugar! Conheça nossas redes.
Gritavam sem cessar: “Palestina livre!”, “Não é uma guerra, é um genocídio” e “Estado sionista, Estado terrorista”.
Depois de mais de uma hora, a unidade antidistúrbios da polícia catalã reprimiu os manifestantes, sem que houvesse informações sobre detidos ou feridos.
A Flotilha Sumud havia zarpado do porto de Barcelona em 30 de agosto, despedida por uma multidão que os saudou com milhares de bandeiras palestinas. Entre os detidos está a ex-prefeita da capital catalã, Ada Colau.
Bruxelas e Berlim exigem repudiam ação
Em Bruxelas, milhares se reuniram na Place de la Bourse e marcharam até a sede do Ministério das Relações Exteriores belga, onde reiteraram a exigência de rompimento das relações diplomáticas com Israel e a imediata libertação dos ativistas.
Em Berlim, na estação central de trens, milhares exigiram a libertação dos membros da Flotilha Sumud e repudiaram a ação “ilegal” de Israel.
Assim como em outras cidades, os manifestantes gritavam “Palestina livre” e expressavam indignação diante do “genocídio” e da “limpeza étnica” que estaria sendo perpetrada diante dos olhos do mundo.
Plano de Trump: entre atrativos enganosos e riscos nacionais, Palestina busca posição unificada
Nápoles, Roma e Livorno: portos bloqueados e greve geral
Na Itália, os principais protestos ocorreram em Roma e Nápoles, onde diversas linhas ferroviárias foram bloqueadas.
Além disso, um navio israelense foi impedido de atracar no porto de Livorno, embora não transportasse material militar. Até então, os protestos nos portos italianos só haviam ocorrido quando se tratava de armas.
Millions all around the world took to the streets in protest of Israel’s illegal interception of the Sumud Flotilla and the kidnapping of hundreds of volunteers. pic.twitter.com/PMIF7GlyJP
— PALESTINE ONLINE 🇵🇸 (@OnlinePalEng) October 2, 2025
Estivadores, com apoio dos sindicatos, organizaram uma manifestação na entrada do porto para impedir a atracação do navio israelense Zim.
A Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), principal sindicato do país, convocou uma greve geral para esta sexta-feira (3).
“O ataque a barcos civis que transportavam cidadãos italianos constitui um ato extremamente grave. É um golpe contra a própria ordem constitucional, que impede a ação humanitária e a solidariedade com a população palestina, submetida pelo governo israelense a um verdadeiro genocídio.
Além disso, é um ataque direto à segurança dos trabalhadores e voluntários a bordo. Não se trata apenas de um crime contra pessoas indefesas, mas também é gravíssimo que o governo italiano tenha abandonado cidadãos italianos em águas internacionais, violando nossos princípios constitucionais”, afirmou a CGIL em comunicado.
Turquia e Túnis vivem protestos e ampliam solidariedade
Também houve manifestações massivas em solidariedade à Flotilha Sumud e à Palestina nas principais cidades da Turquia, Istambul e Ancara, onde milhares se concentraram diante da embaixada dos Estados Unidos, em protesto contra o apoio do governo de Donald Trump à estratégia belicista de Israel.
Da mesma forma, milhares repudiaram em Túnis o assalto à GSF.
Assine nossa newsletter e receba este e outros conteúdos direto no seu e-mail.
Estudantes e sindicatos anunciam novas mobilizações
Sindicatos estudantis e juvenis de vários países europeus, entre eles França e Bélgica, anunciaram a suspensão das aulas e a realização de manifestações a partir desta quinta-feira (2), que continuarão até a libertação dos integrantes da Flotilha Sumud.
Em praticamente todas as capitais europeias estão previstas novas concentrações para esta quinta-feira (2), a maioria diante das sedes diplomáticas de cada país e da União Europeia, com o objetivo de pressionar seus respectivos governos a adotar medidas mais firmes contra Israel por sua atuação na Faixa de Gaza.
