No próximo domingo, 1º de fevereiro, serão realizadas eleições gerais na Costa Rica. Serão eleitos o presidente da República (mais dois vice-presidentes) e os 57 deputados da Assembleia Legislativa.
A legislação eleitoral costarriquenha concede a Presidência ao candidato ou candidata que ultrapasse 40% dos votos. Caso nenhuma chapa alcance esse percentual, será realizado um segundo turno em 5 de abril. Quanto à Assembleia Legislativa, a eleição ocorre pelo Método Hare, entre as sete circunscrições eleitorais do país, correspondentes às suas sete províncias.
Desde os anos 2000, o bipartidarismo tradicional vem se fragilizando devido à multiplicação gradual de organizações que participam dos pleitos. Esse crescimento de espaços políticos participantes começou com a criação do Partido de Ação Cidadã (PAC) e por dissidentes do principal partido costarriquenho, o Partido de Libertação Nacional (PLN). Este último se alternou durante décadas no poder com a Unidade Social Cristã (USC) e ainda mantém um protagonismo relevante no cenário político.
O PLN (2006–2010, 2010–2014), o PAC (2014–2018, 2018–2022) e a USC (2002–2006) governaram cinco das seis últimas legislaturas, apesar de a crescente dinâmica de fragmentação ter feito com que, em 2018, fossem apresentadas 18 candidaturas e os dois concorrentes do primeiro turno não tenham somado, juntos, sequer 50% dos votos. Em 2022, com 25 partidos participantes e apenas 44% dos votos concentrados entre os dois primeiros candidatos, Rodrigo Chaves, ex-ministro da Fazenda no governo de Carlos Alvarado (PAC), foi quem conquistou a vitória.
Segundo a última pesquisa do Centro de Investigação e Estudos Políticos (CIEP) da Universidade da Costa Rica (UCR), o presidente Rodrigo Chaves desfruta de 58% de avaliação positiva. Na Costa Rica, é proibida a reeleição consecutiva, de modo que o atual presidente não pode concorrer a um segundo mandato. Segundo a mesma instituição, nenhum outro governante havia conseguido manter esses níveis de apoio no passado (Carlos Alvarado tinha 12% em 2022, Luís Guillermo Solís alcançou 28% em 2018 e Laura Chinchilla, 14% em 2014).
Sobre o governo de Rodrigo Chaves
Antes de ser presidente, Chaves foi funcionário do Banco Mundial e ministro da Fazenda de Carlos Alvarado. Tem se caracterizado por sua ortodoxia econômica, em especial no que diz respeito ao pagamento da dívida externa e à eliminação de controles para favorecer o setor privado.
Na área ambiental, vem desprezando o aquecimento global como prioridade e se recusou a assinar o acordo latino-americano sobre o tema, o Acordo de Escazú. Durante seu mandato, também foi acusado de hostilizar e limitar a liberdade de imprensa.
Como Chaves não dispunha de maioria na Assembleia Legislativa (10 de 57 parlamentares), sua relação com ela foi hostil durante grande parte do mandato.
No que se refere às suas relações com os Estados Unidos, a última visita de Marco Rubio (fevereiro de 2025) refletiu sintonia entre ambos os países e o compromisso de Chaves de evitar relações comerciais multipolares, particularmente no setor tecnológico. O discurso anticasta/antiestablishment de Chaves apresenta ressonâncias com o de Donald Trump, ainda que em um tom mais moderado.
Candidaturas
Apesar da multiplicidade de partidos, o debate real se concentra em um grupo reduzido de candidatas e candidatos, destacando-se:
- Laura Fernández Delgado (governo): é a atual candidata do governo. Atuou como ministra do Planejamento e ministra da Presidência durante a administração de Rodrigo Chaves.
• Álvaro Ramos Chaves (Libertação Nacional – centro): economista. Ocupou cargos técnicos de alto nível, como a Presidência Executiva da Caixa Costarriquenha de Seguro Social (CCSS) e a Superintendência de Pensões (SUPEN).
• Ariel Robles Barrantes (Frente Ampla – esquerda): 33 anos. Educador e atual deputado da Assembleia Legislativa. É reconhecido por seu trabalho de fiscalização política do Poder Executivo.
• Claudia Dobles Camargo (Agenda Cidadã – centro-esquerda): arquiteta. Foi primeira-dama da República com Carlos Alvarado, do PAC (2018–2022). É muito ativa na defesa dos direitos LGBTI e concentra sua proposta no transporte e na mobilidade sustentáveis.
As pesquisas
A mencionada pesquisa do CIEP aponta o número de indecisos em torno de 30%. Entre os que já se decidiram, destaca-se o apoio a Laura Fernández, com 40%, seguida de longe por Álvaro Ramos (8%), Claudia Dobles (5%) e Ariel Robles (4%).
Por sua vez, a Opol Consultores e o CID Gallup situam os indecisos entre 25% e 34% e também atribuem a Fernández 40% de apoio, seguida pelos demais candidatos, com no máximo 9%.
A insegurança como tema central da campanha
Diferentemente de processos eleitorais anteriores, nos quais o eixo central do debate foi a economia, nestas eleições a agenda se concentra na crise de insegurança, que apresentou um aumento acentuado.
O tema se tornou o principal da discussão política. Dados do Organismo de Investigação Judicial (OIJ) confirmam que a Costa Rica registrou 873 homicídios em 2025, alcançando uma taxa aproximada de 16,7 homicídios por 100 mil habitantes, uma das mais altas de sua história.
Esse fenômeno constitui um ponto de inflexão na percepção social sobre a segurança no país. Nesse contexto, 42,4% da população indicam que a segurança deve ser a prioridade nacional, o que tem sido acompanhado por um aumento dos discursos de “mão dura” por parte do presidente.
O próprio Bukele esteve na Costa Rica no último dia 14 de janeiro, inaugurando as obras da futura megapenitenciária, nos moldes da de El Salvador, impulsionada por Rodrigo Chaves.

