O caso Jeffrey Epstein sobre abusos sexuais e exploração de menores foi encoberto durante 30 anos, e embora na semana o Congresso dos EUA tenha aprovado uma medida ordenando ao Departamento de Justiça divulgar todos os arquivos do caso, é provável que isso seja apenas o início de outra fase de ocultamento oficial das relações do falecido financista com uma ampla gama da cúpula econômica e social do país, incluindo o presidente Donald Trump.
A medida aprovada por ambas as Câmaras do Congresso estadunidense na última terça-feira (18) chegou na quarta-feira (19) ao escritório do presidente, que a promulgou como lei. “Acabo de assinar a legislação para divulgar os arquivos de Epstein”, escreveu Trump em sua rede social, onde enfatizou que foi durante seu primeiro mandato que o predador sexual foi formalmente acusado e que seu antecessor democrata, Joe Biden, nunca “divulgou um só documento”, ressaltando que os sócios e amigos do acusado eram democratas.
Ante o fato de que seu intenso esforço para frear a aprovação da medida estava fracassando, Trump mudou de postura em 16 de novembro e se proclamou a favor da divulgação dos arquivos, acusando os democratas de gerarem uma narrativa falsa sobre sua relação com Epstein e afirmando: “Não tenho nada a esconder”.
Mas se isso fosse verdade, assinalam observadores, o presidente poderia ter ordenado, desde que chegou à presidência, que seu Departamento de Justiça divulgasse todos os arquivos sem a aprovação do Congresso.
Ofensiva contra democratas
Em uma recente manobra antes de aceitar sua derrota e se pronunciar a favor da aprovação da lei, em 14 de novembro Trump ordenou à sua procuradora-geral Pam Bondi iniciar investigações sobre as relações de figuras democratas proeminentes com Epstein — incluindo, entre outros, o ex-presidente Bill Clinton, o ex-reitor de Harvard, Lawrence Summers, e executivos da empresa financeira JP Morgan Chase.
Analistas e legisladores democratas apontam que essa manobra poderia ser usada para evitar a divulgação de todos os documentos relacionados a Epstein, já que há certas condições na medida — incluindo uma que permite ao Departamento de Justiça não divulgar documentos e outros materiais se fizerem parte de uma investigação criminal em curso.
A legislação aprovada contém outra exceção que permite ao Departamento de Justiça não divulgar informações que possam invadir a privacidade pessoal de vítimas e terceiros.
Na última quarta-feira (19), a procuradora-geral Pam Bondi, chefe do Departamento de Justiça, afirmou que divulgará o material relacionado a Epstein dentro de um prazo de 30 dias após a promulgação da lei, ocorrida em 19 de novembro. No entanto, também confirmou que a medida permite que seu departamento retenha parte do material, o que alimentou intensa especulação sobre como o assunto será conduzido.
“Seria muito ingênuo que qualquer um de nós pensasse que Trump realmente mudou. Ele não quer que a informação venha à tona”, opinou o senador democrata Peter Welch ao Washington Post.
Até agora, foram divulgados publicamente aproximadamente 53 mil documentos, e calcula-se que haja no total mais de 100 mil sob controle do Departamento de Justiça.
Para as vítimas — cerca de mil mulheres ao todo — a aprovação do Congresso foi um triunfo em sua longa luta pela transparência e contra a impunidade no caso, sobretudo depois do aparente suicídio de Epstein em 2019 em sua cela em Nova York, enquanto aguardava o início de seu julgamento.
Muitas das vítimas — quase todas adolescentes quando foram manipuladas por Epstein e seus cúmplices para agradá-los com atos sexuais — têm expressado repetida frustração com a dificuldade de obter uma responsabilização real.
Décadas sem respostas
Uma das vítimas, Annie Farmer, em uma coletiva de imprensa recente antes da votação, lembrou que este assunto passou por cinco presidentes de ambos os partidos, começando em 1996, quando sua irmã reportou ao FBI o que Epstein lhes havia feito. “Eles desligaram o telefone”, recordou sobre o episódio ocorrido durante a presidência de Clinton.
Depois, em 2006, o FBI “nos entrevistou, mas nada aconteceu”, relata Farmer sobre o desdobramento, dessa vez durante a administração de George W. Bush. Em 2015, quando lhes foi negada informação pelo FBI, Barack Obama era presidente. Em 2019, quando Epstein morreu, Trump era o mandatário. Em 2023, foi solicitado ao governo que investigasse as falhas no caso de sua irmã, mas não houve resposta sob a gestão de Joe Biden.
Este ano, com a promessa de campanha de Trump de divulgar todo o arquivo, o Departamento de Justiça anunciou que estava fechando o caso sem proceder com a investigação dos sócios do acusado.
“Este não é um assunto de uns poucos democratas corruptos ou uns poucos republicanos corruptos, este é um caso de traição institucional”, acusou. “Já que o caso não foi mais investigado, muitas outras meninas foram prejudicadas”, enfatizou, lembrando que sua irmã viveu sob ameaças de morte por se atrever a denunciar tudo isso.
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“30 anos depois… o governo ainda não optou pela transparência. Por isso todas nós nos unimos em uma só voz para demandar a divulgação de todos os arquivos de Epstein e finalmente tirar a verdade das sombras”, concluiu Farmer.
“Trump”: o nome mais citado
Trump, como fizeram vários de seus antecessores, tropeçou não apenas no fato de ter que prestar contas por sua amizade com Epstein, mas por sua tentativa de encobrir essa relação.
Vale lembrar que a maioria dos amigos e sócios do predador sexual era democrata. Por isso, uma corrente influente do movimento republicano de ultradireita liderado por Trump, o Make America Great Again (MAGA – Fazer a América grande novamente, em tradução livre), suspeita há anos que Epstein era parte de uma conspiração democrata de tráfico sexual, e exigiam a divulgação de todos os documentos em mãos das autoridades — tanto que o candidato Trump e seus aliados incorporaram essa demanda à campanha.

Apesar disso, porém, as coisas se complicaram quando o nome de Trump se tornou — pelo menos nos 20 mil documentos já divulgados — o mais mencionado nos e-mails que constituem a maior parte da documentação conhecida. Ademais, há dezenas de fotos e vídeos do presidente com Epstein, Ghislaine Maxwell — que cumpre uma condenação de 20 anos por seu papel em recrutar adolescentes para atividades sexuais com o financista e seus amigos — e várias mulheres jovens em festas.
Em 18 de novembro, Trump repetiu que rompeu com Epstein em 2005 ou 2006 porque acreditava que ele era “um perverso”. O republicano, porém, já foi acusado por mais de 20 mulheres de assédio sexual, condenado por agressão sexual contra uma delas e chegou a ser gravado declarando que famosos como ele podiam agarrar os genitais das mulheres.
Vários dos e-mails do arquivo já divulgado incluem mensagens escritas por Epstein declarando que “Trump sabia das garotas” e que ele passou horas com pelo menos uma delas. Nos arquivos anteriormente revelados há menções a várias figuras proeminentes, como o ex-presidente Bill Clinton, o estrategista direitista Steve Bannon, o investidor bilionário Peter Thiel, alguns jornalistas do New York Times e vários financistas de Wall Street. Epstein trabalhou como assessor financeiro para Leslie Wexner, fundador da Victoria’s Secret, e Leon Black, chefe da Apollo Global Management.
O primeiro associado a pagar a conta por sua amizade com Epstein — e por seus favores, incluindo relações sexuais com menores de idade — foi o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, que perdeu seu título, sua residência e outros privilégios reais.
O segundo é Lawrence Summers, o ex-reitor e agora professor de Harvard, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, ex-economista-chefe do Banco Mundial e integrante de juntas diretivas e centros de formulação de políticas. Em 17 de novembro, anunciou que se retirará da vida pública e expressou sua “vergonha por suas ações” em sua longa relação com Epstein.
Especula-se que estes não serão os últimos. Até agora, a única menção a pessoas mexicanas com contato com Epstein se limita a um e-mail de 2010, no qual o abusador reportou que “esteve batendo papo com uma chava mexicana loira e bonita de 22 anos de idade”, sem nomeá-la. Uma busca no banco de dados de documentos já divulgados publicamente não registra mais ninguém no México.
Talvez o nome mais surpreendente apontado por supostas relações no escândalo seja Noam Chomsky. Após a revelação do vínculo, o filósofo informou que procurou Epstein para um assessoramento financeiro sem “nenhum centavo dele” e reconheceu que “se reuniam ocasionalmente” e trocavam opiniões sobre temas acadêmicos e políticos.
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Na semana passada, a Casa Branca descobriu essa relação e a porta-voz Karoline Leavitt divulgou imediatamente em sua rede social oficial a foto do intelectual com o comentário: “Padrinho dos loucos esquerdistas baba sobre as ‘perspectivas penetrantes’ de Epstein em carta descoberta”.
Agora resta entender se Washington continuará com outra tentativa de encobrimento ao buscar defender a impunidade da cúpula. Considerando que nada aprendem com sua própria história bipartidária, o caso poderia se tornar outro grande escândalo político.
Caso seja divulgado o que foi prometido, os arquivos sobre Epstein oferecerão mais nomes a uma crescente lista de figuras proeminentes que tiveram alguma relação — às vezes apenas epistolar, às vezes apenas de negócios, e outras em festas e relações íntimas com adolescentes.
Detalhes sobre a lei aprovada no Congresso
Diante dos recentes fatos, o financista pedófilo Epstein provoca, desde a tumba, um revés político e uma potencial crise para seu ex-amigo Trump — cujos aliados alegam que o escândalo é parte de um complô de opositores no Partido Democrata.
O Congresso, sob controle republicano, se viu obrigado a votar a favor de que o Departamento de Justiça revele os arquivos sobre Epstein — que durante décadas foi não apenas sócio e assessor de vários membros da cúpula política, econômica e social dos EUA, mas também traficante e violador sexual de menores para servir a essas mesmas figuras influentes.
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A disputa sobre Epstein revelou crescentes divisões mesmo dentro do movimento político que Trump lidera, com várias vozes proeminentes da direita até agora leal — e que defendem que o presidente se concentre mais em temas domésticos — somando-se ao chamado pela divulgação dos documentos.
Em 18 de novembro, vítimas do abuso de Epstein e de seus amigos quando eram adolescentes observaram o voto desde a galeria de visitantes da Câmara dos Representantes e celebraram em bom tom quando o resultado concluiu em 427 a 1 a favor da divulgação. A medida obriga a procuradora-geral da nação a disponibilizar, em formato pesquisável e passível de download, todo “documento não classificado, comunicações e materiais de investigação” relacionados com Epstein e sua co-conspiradora Ghislaine Maxwell — presa por seu papel nas atividades sexuais ilícitas do falecido predador — bem como documentação sobre voos e outras viagens, pessoas e entidades vinculadas ao financista, e-mails, anotações e comunicações internas do Departamento de Justiça sobre o caso.
Mas o enorme esforço das vítimas e seus defensores durante mais de cinco anos para lograr a plena transparência deste caso ainda não pode comemorar vitória, já que se prevê que o processo de divulgação poderá ser lento e que, como já mencionado, aliados do presidente incluíram certas condições para evitar algumas revelações dentro da medida aprovada.
Vale recordar que as crises políticas mais graves de Washington começaram com uma revelação — ou com o esforço para encobri-la.
Consequências políticas
A grande incógnita é sobre as possíveis consequências políticas para Trump. Os deputados republicanos Thomas Massie e a direitista Marjorie Taylor Greene — até poucos dias atrás uma das políticas mais leais ao presidente — encabeçaram o apelo pela divulgação de todos os arquivos e são percebidos como uma corrente influente dentro do movimento de Trump que favorece maior atenção a assuntos domésticos, como inflação e desemprego, e menos foco em política externa.
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“A ninguém importam os países estrangeiros. A ninguém importa o número sem fim de líderes estrangeiros que vêm à Casa Branca a cada semana”, declarou Greene à NBC News recentemente. Esses comentários, junto à sua insistência em divulgar os arquivos, fizeram com que Trump retirasse seu apoio político à deputada, mas a legisladora não se calou. Embora insista que segue apoiando Trump, hoje ela e Massie — que já foi ameaçado pelo presidente — seguem críticos.
Massie tem impulsionado um projeto de lei com um contraparte democrata, o deputado Ro Khanna, que busca evitar ataques militares estadunidenses contra o Irã sem prévia autorização legislativa, e também tem declarado que o presidente não tem autoridade legal para lançar ataques militares contra a Venezuela.
Até hoje, essas duas vozes — e pouquíssimas outras — estavam isoladas dentro do Partido Republicano, sob controle absoluto de Trump. Antes, o presidente podia controlar toda dissidência em seu partido, mas pela primeira vez Trump tem sido derrotado, e isso talvez marque apenas o início da batalha pela sucessão quando sua presidência terminar.
Trump sugere execução de legisladores democratas
Na última quinta-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que seis legisladores federais democratas sejam executados por aconselhar militares a desobedecer “ordens ilegais”.
Os dois senadores e quatro deputados democratas, todos veteranos militares ou de outros serviços de segurança nacional, difundiram um vídeo nas redes sociais dirigido a militares ativos e oficiais de inteligência, recordando-lhes que, sob as leis estadunidenses, devem desobedecer “ordens ilegais” ou que violem a Constituição, já que alguns poderiam se ver mobilizados nas ruas do país contra cidadãos estadunidenses.
Em cerca de 19 mensagens difundidas na rede social de Trump, Truth Social, o presidente acusou os democratas de traição à pátria. “Comportamento sedicioso, punido com morte”, indicou em um dos comentários, e em outro afirmou: “Cada um desses traidores ao nosso país deveria ser preso e julgado”. Pouco depois, compartilhou uma publicação de um usuário que dizia: “Enforquem-nos. George Washington o faria”.
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Como em quase todas as mensagens presidenciais, é difícil saber se essas declarações são um passo a mais rumo à ruptura da ordem constitucional dos Estados Unidos, como sugeriram alguns críticos, ou simplesmente outra declaração das que o chefe da Casa Branca difunde diariamente para provocar reações e, nesta conjuntura, distrair a atenção do escândalo do criminoso sexual Jeffrey Epstein, do qual ainda não conseguiu se desvencilhar.
Repercussão e reações
Imediatamente, os comentários figuraram entre as principais notícias do país. Os legisladores democratas que difundiram o vídeo responderam com fúria, declarando que o presidente acabava de sugerir a forca e que havia colocado suas vidas em risco ao chamá-los de “traidores”.
O líder da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou no plenário da Câmara Alta que “o presidente dos Estados Unidos está clamando pela execução de oficiais eleitos”. E seguiu: “Quando Trump usa a linguagem de execução e traição, alguns de seus simpatizantes podem muito bem estar escutando. Está acendendo um fósforo em um país empapado de gasolina política”.
“Isso não é normal. Até onde sei, algo assim nunca havia acontecido antes na história do país”, declarou o senador democrata Chris Murphy, acrescentando que agora as vidas dos legisladores acusados “estão em perigo” e sublinhando que “o presidente dos Estados Unidos acaba de pedir a execução de membros do Congresso”.
Na Casa Branca, perguntaram à porta-voz Karoline Leavitt se o presidente deseja executar legisladores — talvez a pergunta mais inesperada na história moderna do país —, ao que ela respondeu: “Não”.
Leavitt disse ainda: “Há membros ativos do Congresso dos Estados Unidos que conspiraram juntos para orquestrar uma mensagem em vídeo a militares dos Estados Unidos… a integrantes do aparato de segurança nacional, incentivando-os a desafiar ordens legais do presidente. A santidade de nossas forças armadas depende da cadeia de comando, e se essa cadeia se rompe, pode resultar na morte de pessoas”.
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“É uma mensagem muito, muito perigosa e talvez passível de punição pela lei”, continuou Leavitt. Os jornalistas então insistiram em questionar se o presidente não estava instigando violência — inclusive morte — contra membros do partido opositor, destacando que os legisladores apenas sugeriram que os militares não obedecessem a “ordens ilegais”. Leavitt respondeu: “Toda ordem que o presidente dá é legal”.
Legisladores estão corretos, dizem analistas
Especialistas em direito assinalam que o Código Militar inclui a obrigação de recusar ordens ilegais, mas que isso está sujeito a que um juiz militar determine se uma instrução é ou não ilegal.
O ex-procurador federal Peter Zeidenberg afirmou à Newsweek: “As declarações dos legisladores são legalmente precisas; os militares não devem seguir ordens ilegais. Não há nada de inapropriado, e muito menos sedicioso, em tal afirmação”.
Mas nem todos possuem autoridade moral intocável sobre ordens ilegais. Uma das deputadas democratas que participou do vídeo é Maggie Goodlander, que foi oficial da Marinha e também é esposa de Jake Sullivan, ex-assessor de Segurança Nacional do presidente Joe Biden. O La Jornada entrevistou vários militares que renunciaram a seus postos nas forças armadas porque consideravam que as ordens emitidas por Biden estavam apoiando Israel em seu genocídio em Gaza e, portanto, eram ilegais sob o direito internacional.
Ao menos um grupo em Washington propôs que Sullivan, junto ao ex-secretário de Estado Tony Blinken e o próprio Biden, deveriam ser apresentados ao Tribunal Internacional por sua cumplicidade nesse genocídio.
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Entretanto, em um contexto no qual o atual presidente estadunidense comentou que poderia ignorar a Constituição e buscar um terceiro mandato, já “brincou” dizendo que depois desta eleição talvez não sejam mais necessárias outras, e que repetidamente qualificou seus opositores como “inimigos” e “traidores” dos Estados Unidos, a sugestão de executar esses legisladores acendeu sinais de alerta.
Ou poderia ser apenas mais do mesmo no jogo político dentro dos Estados Unidos, em breve substituído por outra mensagem alarmante do presidente Trump.
Veteranos de guerra
Em 11 de novembro, Dia dos Veteranos nos Estados Unidos, redes de veteranos militares pacifistas organizaram protestos denominados “Não à guerra contra nossas cidades”, em repúdio aos deslocamentos e às ameaças de ocupações militares em cidades do país pelo presidente Donald Trump.
“Estamos vendo como este governo está atacando sem piedade nossas comunidades e não ficaremos calados”, declararam os organizadores das atividades.
“Dizemos ‘não’ por nossas famílias, por nossas comunidades e por nós… Não aos cortes no orçamento para programas sociais, não a tropas nas nossas ruas e não a multimilionários que estão sangrando a nossa nação”, enfatizaram.
Os organizadores informaram que esta série de protestos foi realizada em Nova York, Washington, Los Angeles, Portland, Chicago, Memphis e Boston, entre mais de 75 cidades em todo o país em 11 de novembro.
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Em Washington, várias centenas de veteranos — muitos dos quais portavam uniformes ou insígnias militares — se reuniram apesar do frio para escutar seus colegas que, em seus discursos, condenaram os cortes nos programas de assistência aos veteranos, enquanto se ampliam as operações militares dentro e fora do país. Um ex-combatente que retornou recentemente da flotilha humanitária para Gaza falou sobre o apoio estadunidense a Israel no genocídio contra os palestinos.
O major Harrison Mann, que renunciou ao seu posto na Agência de Inteligência de Defesa ao se recusar a participar do apoio ao Estado sionista na guerra contra Gaza, declarou que hoje militares estadunidenses recebem ordens para cometer crimes de guerra e outras violações da lei. “Houve jovens oficiais da Força Aérea que dispararam mísseis Hellfire contra pescadores no Caribe”, enquanto outros, continuou, são enviados a cidades estadunidenses para atuar contra seus próprios compatriotas.
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“Veteranos não precisam de agradecimento pelo seu serviço, precisamos de um governo que mereça nosso serviço militar”, afirmou Randy Kindle, um veterano da Força Aérea.
Em Nova York, no parque em frente à prefeitura, outro veterano explicou: “A gente precisa ter consciência moral… Se nós drenamos os recursos de outros países, depois não podemos reclamar quando chegam seus imigrantes”.
Outro veterano dos Marines relatou aos cerca de 200 participantes na manifestação: “São as mesmas forças que ocuparam o Iraque e o Afeganistão que agora ocupam as cidades estadunidenses… Neste Dia dos Veteranos, eu não fico de pé com a bandeira nacional, eu fico de pé com o povo”.
“Tirem os soldados das nossas ruas, queremos justiça, queremos paz”, entoaram em coro com seus aliados. Versões deste lema foram ouvidas em dezenas de protestos parecidos ao redor do país.
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