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Cannabrava | Prêmio Nobel da Paz: de símbolo de prestígio a instrumento de guerra

O Prêmio Nobel da Paz, que deveria representar ideais universais de paz, há muito deixou de ser símbolo de prestígio. Tornou-se um instrumento de legitimação política, frequentemente nas mãos dos mesmos interesses imperialistas que alimentam conflitos ao redor do mundo.

Não é de hoje que essa premiação desperta indignação. Em plena guerra do Vietnã, laurearam Henry Kissinger, um dos maiores arquitetos da política externa estadunidense — responsável por golpes, massacres e intervenções militares em diversas partes do planeta, inclusive no Brasil, com seu papel determinante no golpe de 1964.

Décadas depois, entregaram o prêmio a Barack Obama, um presidente que não passou um único dia de seu governo sem estar em guerra. Sob sua administração, os Estados Unidos intensificaram bombardeios, mantiveram prisões ilegais, ampliaram intervenções no Oriente Médio e no Norte da África e fortaleceram a máquina militar. Premiar Obama com o Nobel da Paz foi, na prática, transformar o símbolo da paz em aval para a guerra.

Agora, a escolha de María Corina Machado representa mais um golpe na credibilidade da premiação. Corina não é símbolo de paz, mas de confronto. É abertamente alinhada ao imperialismo estadunidense e faz parte de uma estratégia para desestabilizar o governo da República Bolivariana da Venezuela, eleito democraticamente. Premiar uma figura assim é uma ofensa, é legitimar tentativas de golpe e agressões contra a soberania de um povo.

A Venezuela, ao contrário do que repetem os meios de comunicação hegemônicos, tem uma população organizada e politizada, que participa de eleições constantes e defende seu projeto nacional contra as investidas externas. O prêmio a Corina serve, portanto, como uma peça de propaganda — e não como reconhecimento de esforços pela paz.

O Nobel, que um dia foi símbolo de respeito global, hoje ecoa mais como instrumento de manipulação política. Quando se premia agentes de guerra e desestabilização, o nome “Paz” perde sentido. É a desmoralização completa de um prêmio que já teve, no passado, peso simbólico mundial.

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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