O Brasil enfrenta uma encruzilhada histórica: ceder à chantagem externa e interna, blindando criminosos, ou afirmar sua soberania, garantindo que a democracia e a justiça prevaleçam
Acontecimentos recentes revelam um choque direto entre a submissão a pressões externas e a necessidade de defesa da soberania nacional.
O Brasil vive um momento decisivo.
Os Estados Unidos ameaçaram com novas sanções contra o país, em movimento conduzido por Marco Rubio, atual secretário de Estado e assessor de Segurança da Casa Branca. A justificativa é frágil: acusam o Brasil de praticar “opressão judicial” por, a partir do Supremo Tribunal Federal, regular as Big Techs e condenar Jair Bolsonaro e generais golpistas. Além disso, o país já foi castigado com um tarifaço que elevou para 50% as tarifas alfandegárias, somado a sanções impostas diretamente contra juízes do Supremo.
A porta-voz da Casa Branca, Caroline Leavitt, repetiu as críticas, afirmando que o julgamento fere princípios de liberdade. Trata-se, no fundo, de uma ingerência inaceitável nos assuntos internos de uma nação soberana. Enquanto isso, no cenário doméstico, a defesa dos acusados insiste em argumentos risíveis, como o de que o simples planejamento de um golpe não seria crime. É preciso lembrar que crime de Golpe de Estado e promoção violenta da queda do governo são crimes imprescritíveis.
No Congresso, a situação se agrava. Foi aprovada a chamada PEC da Blindagem, que submete qualquer ação contra parlamentares à autorização prévia do Legislativo, em votação secreta. Um mecanismo que pode se transformar em salvo-conduto para golpistas e corruptos, aprovado inclusive com votos de setores da base governista e do próprio PT.
Somado a isso, o PL mantém Eduardo Bolsonaro como líder da minoria, mesmo ele estando foragido nos Estados Unidos, a serviço da agenda de Donald Trump. É um gesto de afronta à democracia e de submissão a interesses estrangeiros.
Em contraponto, o chanceler Mauro Vieira reafirma que o Brasil está aberto ao diálogo com Washington, mas sem aceitar imposições descabidas. É uma posição firme que deve ser sustentada, pois o país não pode se curvar diante de pressões que ferem sua autonomia.
Em síntese, o Brasil enfrenta uma encruzilhada histórica: ceder à chantagem externa e interna, blindando criminosos, ou afirmar sua soberania, garantindo que a democracia e a justiça prevaleçam.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

