Trump governa pela força e atropela o direito internacional, enquanto o Sul Global emerge como eixo de uma nova ordem plural e soberana
O mundo já não é mais o mesmo. A ordem geopolítica construída no pós-Segunda Guerra Mundial deixou de existir, embora muitos ainda insistam em pensar e agir como se esse arranjo estivesse intacto. As instituições, os acordos multilaterais e os mecanismos de equilíbrio que regulavam aquele sistema foram sendo corroídos ao longo das últimas décadas e hoje sofrem um ataque frontal.
Donald Trump atua como um dirigente de perfil abertamente ditatorial. Destrói acordos internacionais, abandona organismos especializados, rompe compromissos que sustentavam a convivência multipolar. Já denunciou ou abandonou mais de 60 tratados e convenções, passando por cima do direito internacional e da própria Constituição dos Estados Unidos. Ao acionar a força bélica sem autorização do Congresso, viola princípios constitucionais elementares. Ao reprimir a população civil com forças militares dentro do próprio país, aprofunda uma escalada autoritária sem precedentes.

Enquanto isso, a Europa expõe sua decadência política e estratégica. Age como uma colônia de segunda classe dos Estados Unidos, incapaz de formular uma política externa autônoma. O assédio de Trump à Groenlândia — tratado pela Dinamarca como uma ameaça real de guerra — escancarou essa fragilidade. A Europa despertou perplexa, sem saber que rumo tomar diante da ofensiva agressiva de Washington. Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em especial, precisam reavaliar urgentemente o grau de dependência a que se submeteram.
Em contraste, aquilo que antes se chamava de Terceiro Mundo ou de países não alinhados emerge hoje como a principal força de reorganização do sistema internacional. Os países do Sul Global passam a ocupar o centro da construção de uma nova ordem. Iniciativas como os Brics, a Organização de Cooperação de Xangai e a Nova Rota da Seda dão conteúdo concreto e direção histórica a esse processo.
Essa nova ordem não nasce da imposição militar nem da chantagem econômica. Ela se funda no respeito à soberania, à independência nacional e à pluralidade de caminhos. Trata-se de um mundo multipolar de fato, pluralista, no qual os povos reivindicam o direito de decidir seus próprios destinos. É nesse terreno que se desenha o futuro, enquanto os que insistem em governar com as ferramentas do passado revelam apenas medo, violência e declínio.
As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

