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Brics precisa enfrentar o domínio das big techs, afirma Beatriz Bissio

Para a jornalista e cientista política, o Brics precisa disputar a soberania narrativa numa era em que as plataformas são utilizadas para censurar sistematicamente as vozes do Sul Global

“O Brics precisa enfrentar o domínio das big techs. Há censura sistemática de vozes do Sul, e isso é um risco para a soberania narrativa”, afirma a jornalista e cientista política Beatriz Bissio. Para a especialista, falta, no bloco, prioridade à transformação da ordem informativa internacional, mas a Carta de Niterói — resultado de um encontro entre jornalistas dos países Brics — já é uma iniciativa relevante e necessária.

Bissio analisou o bloco no Dialogando com Paulo Cannabrava desta terça-feira (15), ressaltando a importância histórica do evento realizado no Rio de Janeiro em 6 e 7 de julho. “O encontro reafirma o compromisso com a multipolaridade e a governança global inclusiva, com foco na cooperação entre países do Sul Global”, destaca.

Para a também ex-diretora da revista Cadernos do Terceiro Mundo, há um embrião em construção, e o documento final da cúpula representa um avanço, especialmente pela condenação das sanções unilaterais impostas pelos EUA. Nesse sentido, segue a analista, mesmo com limitações o grupo se consolida como alternativa à ordem unipolar liderada por Washington, uma “semente da esperança contra a hegemonia dos EUA.”

Poderia o Brics ser uma alternativa ao capitalismo?

Contudo, Bissio também aponta ausências graves no comunicado final, como a omissão da palavra “genocídio” ao tratar da ofensiva de Israel em Gaza e a exclusão de Caracas do encontro. “Foi um erro o Brasil vetar a entrada da Venezuela no bloco e sequer convidá-la como observadora. Isso enfraquece a coerência do Brics com suas próprias bandeiras.”

A especialista celebrou o fortalecimento das moedas locais no comércio entre os membros e a manutenção de Dilma Rousseff à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), a convite de Vladimir Putin. “É um reconhecimento da gestão dela e da importância do banco para a autonomia financeira do Brics.”

Quanto ao tarifaço anunciado por Donald Trump, a analista destacou a reação do governo brasileiro. Para ela, a ameaça reacendeu o debate sobre soberania nacional: “A agressão americana tocou uma fibra sensível na sociedade brasileira e gerou um sentimento coletivo de defesa das instituições nacionais”.

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Bissio conclui reforçando o papel geopolítico do Brasil e a importância da unidade entre os países-membros. “O Brics não é perfeito, mas é hoje a única alternativa real à hegemonia imperial. Devemos cultivar esse espaço com responsabilidade e engajamento social”, sugere.

A entrevista completa está disponível no canal da TV Diálogos do Sul Global, no YouTube:

Edição: Guilherme Ribeiro

As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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