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Bloqueio naval dos EUA contra a Venezuela escancara disputa pelo controle do petróleo

Donald Trump, o tirano do regime dos Estados Unidos, anunciou na última terça-feira (16) uma nova agressão contra o povo venezuelano. Em publicação em sua plataforma Truth Social, ele afirmou ter determinado “o bloqueio total e completo de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela”.

O anúncio ocorre após forças estadunidenses terem sequestrado, no Mar do Caribe, o navio-tanque Skipper, carregado com barris de petróleo comprados da Venezuela, bem como seus tripulantes. A ação ocorreu em 10 de dezembro, em águas próximas ao oceano Atlântico, e até a presente data os tripulantes permanecem desaparecidos. No dia seguinte, questionado em coletiva de imprensa sobre o destino do petróleo a bordo da embarcação, disse: “ficamos com ele, eu acho”.  

Em carta enviada à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, já havia denunciado a sanha petrolífera dos EUA e alertado a comunidade internacional sobre o tema. 

Em 2023, Trump criticou a compra de petróleo venezuelano pelos EUA e confessou, sem vergonha nenhuma, que quando ele saiu da presidência dos EUA, “a Venezuela estava à beira do colapso, teríamos pegado todo o país, pegado todo aquele petróleo logo na vizinhança. Mas agora estamos comprando petróleo da Venezuela. Então estamos enriquecendo um ditador”, afirmou, em referência a Nicolás Maduro. A declaração reflete sua visão instrumental sobre energia e política externa. 

Durante seu primeiro mandato, Trump impôs duras sanções para ampliar a pressão contra o governo venezuelano. O assédio, no entanto, remonta a anos anteriores. Em 2020, embarques com cerca de 1,2 milhão de barris de gasolina enviados pelo Irã à Venezuela foram perseguidos, confiscados e posteriormente vendidos nos EUA. 

O delírio imperial é tal que repete — revelando toda sua perversidade —, a fantasiosa narrativa de narcoterrorismo e, com isso, ameaça ampliar a agressão até que a Venezuela “devolva aos Estados Unidos da América todo o petróleo, a terra e outros ativos que roubaram de nós anteriormente”. 

Nos EUA não acreditam nessas narrativas 

Em 11 de dezembro, senadores reagiram à escalada de Trump contra Venezuela após o sequestro do petroleiro. Mark Kelly, senador pelo estado do Arizona, afirmou que a iniciativa não era uma boa ideia, ele respondeu: “É claro que não. Você sabe, isto tem a ver com mudança de regime e isso nunca funciona bem para nós, seja Vietnã ou Cuba, ou Iraque, ou Afeganistão”. Já o senador Richard Blumenthal pelo estado de Connecticut disse que “essa escalada de potenciais ações militares contra a Venezuela é um dos mais perigosos passos dados por presidentes [estadunidenses] na história recente”. 

Controlar o narcotráfico: outro possível objetivo da ofensiva dos EUA na América Latina

Também em 11 de dezembro, Chris Van Hollen, senador pelo estado de Maryland, declarou em entrevista à Associated Press (AP) que “as alegações de que com isso se trata de combater as drogas ou responsabilizar os envolvidos são um completo disparate. É uma história para manchete. O que aconteceu com esse navio é um exemplo de que isso é apenas uma farsa. O verdadeiro objetivo aqui é claramente a mudança de regime na Venezuela”. 

A rejeição à política belicista também aparece na opinião pública. Pesquisa da CBS News/YouGov, divulgada no domingo, 23 de novembro, mostra que a maioria dos cidadãos estadunidenses se opõe a uma ação militar contra a Venezuela e acredita que o governo Trump não explicou claramente sua posição sobre o assunto. Apenas 13% consideram a Venezuela uma grande ameaça à segurança dos EUA, enquanto 48% a veem como uma ameaça menor e 39% não enxergam ameaça alguma. Caso Washington avançasse militarmente, 70% dos entrevistados afirmaram que se oporiam. 

Caracas denuncia tentativa de bloqueio militar naval 

Em comunicado oficial, o Governo Maduro rejeitou a pretensão do tirano estadunidense de impor, de maneira absolutamente irracional, um suposto bloqueio militar naval no país para roubar as riquezas que pertencem à Venezuela. A nota denuncia violações ao Direito Internacional, ao livre comércio e à livre navegabilidade, caracterizando a iniciativa como “uma ameaça temerária e grave contra a República Bolivariana da Venezuela”.

“A Venezuela, no pleno exercício do Direito Internacional que nos protege, de nossa Constituição e das leis da República, reafirma sua soberania sobre todos os seus recursos naturais, bem como o direito à livre navegação e ao livre comércio no Mar do Caribe e nos oceanos do mundo”, afirma o comunicado, que também assegura a disposição do país em exercer plenamente sua soberania diante das ameaças. Confira a declaração traduzida abaixo.

Caracas levou a denúncia à Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu embaixador, e fez um chamado “ao povo dos Estados Unidos e aos povos do mundo a rejeitarem por todos os meios esta ameaça extravagante, que revela mais uma vez as verdadeiras intenções de Donald Trump de roubar as riquezas do país.”

A engrenagem regional da agressão 

O avanço da agressão estadunidense foi facilitado por governos de direita e de extrema-direita da região, historicamente alinhados aos interesses geopolíticos de Washington, que avalizaram a narrativa da “ditadura venezuelana” em articulação com a mídia hegemônica ocidental.

Além disso, uma ingerência significativa partiu de governos latino-americanos classificados como “progressistas” — Brasil, México e Colômbia —, que emitiram, em 8 de agosto de 2024, um comunicado conjunto solicitando a divulgação das atas eleitorais por mesa de votação pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela. A iniciativa forneceu combustível político para novos ataques contra a soberania venezuelana, justamente por parte do maior inimigo histórico das democracias no continente.

É preciso neutralizar o inimigo dos povos livres agora! 

Donald Trump visa controlar o petróleo da Venezuela e reverter sua independência política. Essa ofensiva segue um padrão histórico na América Latina, onde governos que resistem ao controle estadunidense se tornam alvos de desestabilização, golpes de Estado e invasões. Esta escalada tem como propósito estrangular a economia venezuelana, ainda altamente dependente do petróleo e já afetada por um bloqueio multimodal e multidimensional imposto há décadas.  

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Essa pirataria se insere na tentativa de acelerar a Doutrina Monroe e subjugar toda a região. O recente assassinato de mais de 90 pessoas por parte da flotilha naval estadunidense no Caribe, somado à apreensão ilegal do petroleiro venezuelano, evidencia a intensificação violenta das ações imperiais.

E, sim, a afirmação de Trump para que a Venezuela “devolva” petróleo, terras e ativos aos Estados Unidos expõe o verdadeiro objetivo dessa agressão. A Venezuela não roubou nem rouba nada dos Estados Unidos. Maior piada essa! O que Trump descreve como ‘roubo’, na verdade, faz parte da legítima reivindicação de soberania da Venezuela sobre seus próprios recursos naturais e sua recusa em submeter sua economia ao complexo financeiro, industrial e militar estadunidense.

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Em última instância, os EUA “vão desencadear um conflito armado na região que, como em toda incursão belicista do imperialismo, deixará um cenário incontrolável, com consequências nefastas para todo o planeta”, alerta comunicado da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade. O texto defende um apelo urgente dos povos do mundo para pôr fim à impunidade com que os Estados Unidos operam há mais de 150 anos.

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