O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante a inauguração da Academia de Serviços de Polícia da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), na última sexta-feira (5), ofereceu aos países vizinhos estabelecer programas de cooperação policial e de combate ao crime organizado. Assegurou que a Venezuela construiu um sistema policial profissional, “científico e exemplar”, que está à disposição de outras nações para intercâmbio de informações e operações conjuntas.
O líder chavista destacou ainda que os organismos de segurança da Venezuela venceram todos os grandes grupos criminosos, citando os casos do Tren de Aragua — desarticulado e desaparecido no país —, do Tren del Llano, do bando de Wuilexis, em Petare, e do grupo Koki na Cota 905, em Caracas. Todas essas organizações conformavam o que se passou a chamar de “megabandos”, pois chegaram a acumular, em alguns casos, até 200 integrantes dedicados ao sequestro, à extorsão e ao tráfico de armas e entorpecentes.
Essas declarações se inserem em um contexto no qual os Estados Unidos reiteraram suas ameaças à Venezuela, acusando-a de “enviar criminosos e esvaziar suas prisões”, segundo palavras do presidente Donald Trump.
Da mesma forma, os mais de 20 ataques cinéticos contra lanchas no Caribe, executados por militares estadunidenses do Comando Sul, foram justificados pela Casa Branca como combate ao crime organizado. A Venezuela demonstra, assim, que as pretensões dos EUA de intervir no hemisfério sob o pretexto do combate à delinquência apenas mascaram sua intenção de estabelecer controle geopolítico na região por meio da velha estratégia de mudanças de regime.
A Venezuela vencerá
No último sábado (6), o secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ministro de Relações Interiores, Diosdado Cabello, assegurou que, diante da ameaça do governo dos Estados Unidos de atacar militarmente a república bolivariana, ao povo venezuelano “não lhe espera outra coisa senão uma grande vitória”.
“Estamos há quatro meses intensos sob ameaças de terrorismo psicológico contra o povo, e ainda assim este povo se levantou em cada situação, em cada momento, sem temor, sem pessimismo. Pelo contrário, o fez com total convicção de que estamos no caminho correto”, afirmou Cabello durante o ato de juramentação dos Comandos de Comunidade Bolivarianos Integrais (CCBI), estruturas que conformam as novas bases do partido da revolução.

Aos que planejam agredir a Venezuela para provocar uma mudança de regime, Cabello advertiu que a liderança política encabeçada pelo presidente Nicolás Maduro tem se preparado para a transição da luta não armada para a luta armada, de modo que não encontrarão um país desprevenido. Também assegurou que, caso se atrevam a uma intervenção militar, devem estar plenamente cientes de que “não durará apenas 48 horas ou três dias ou um mês”. E concluiu: “Se não se meterem conosco, perfeito. Se se meterem conosco, pois aqui estaremos.”
Forças de segurança reforçadas
Também no sábado (6), no Forte Tiuna, principal complexo militar de Caracas, foi realizado o ato de juramentação e condecoração do “Contingente Setembro 2025” do pessoal da Guarda de Honra Presidencial (GHP) e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM).
Durante a atividade, o comandante do Batalhão de Custódia nº 3, Gabriel Alejandro Rendón Vilches, informou que 5.600 combatentes foram treinados pelo método tático de resistência revolucionária, “em perfeita fusão policial-militar-popular de homens e mulheres que demonstrarão ao mundo inteiro que a Venezuela deve ser respeitada”. Além disso, afirmou que, sob nenhuma circunstância, permitirão “a invasão de império algum” no território venezuelano.
A GHP é a escolta oficial do presidente da República, e a DGCIM se encarrega de operações especiais de resposta a ameaças externas e internas relacionadas ao terrorismo e à espionagem inimiga.
Morre opositor detido por corrupção
Ainda no sábado (6), foi divulgada a notícia da morte de Alfredo Díaz, ex-governador do estado de Nueva Esparta e dirigente do Ação Democrática, que se encontrava detido na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), em Caracas, sob investigação por corrupção e financiamento ilícito.
Segundo informaram seus familiares nas redes sociais, Díaz sofria de uma condição cardíaca, que teria levado ao seu falecimento. Dirigentes da oposição mais extremista, como Leopoldo López e Antonio Ledezma, começaram a instrumentalizar politicamente a morte de Díaz ao afirmar que foi causada pelo “regime de Nicolás Maduro”, embora tudo aponte para um falecimento natural. À noite, o governo da Venezuela confirmou que ele morreu de infarto.
Machado diz que irá a Oslo
A dirigente opositora María Corina Machado, que afirmou em diversas ocasiões estar “na clandestinidade”, teria confirmado que viajará a Oslo, capital da Noruega, para receber o Nobel da Paz. O prêmio foi conferido a ela há poucos meses em meio a críticas por se tratar de uma pessoa que, durante anos, promoveu sistematicamente a guerra e a intervenção militar contra seu próprio país.
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“Estive em contato com a senhora Machado esta noite e ela me confirmou que estará em Oslo para a cerimônia”, afirmou Kristian Berg Harpviken, diretor do Instituto Norueguês do Nobel.
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