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Ameaças e ofensiva bélica revelam desespero dos EUA, afirma Venezuela

Com um comunicado oficial, o governo venezuelano respondeu às ameaças provenientes dos Estados Unidos, isto é, ao anúncio do envio de uma frota de guerra às águas do Caribe Sul, ao norte da Venezuela. A mobilização estadunidense, alega Washington, visa combater cartéis do narcotráfico na América Latina.

Em Caracas, no entanto, não se enxerga dessa forma. O documento divulgado pelo chanceler Yván Gil aponta os gestos como sinais de “desespero da administração estadunidense, que recorre a ameaças e difamações” contra o país sul-americano. Além disso, alerta que essas ações “não apenas afetam a Venezuela, mas colocam em risco a paz e a estabilidade de toda a região”.

O comunicado também desconsidera as ameaças e movimentações da Casa Branca, afirmando que o que as mesmas revelam é a incapacidade de os EUA dobrarem o governo bolivariano.

“Enquanto Washington ameaça, a Venezuela avança com firmeza em paz e soberania, demonstrando que a verdadeira eficácia contra o crime se alcança respeitando a independência dos povos”, enfatizou a chancelaria na nota.

Na terça-feira (19), ao responder a uma pergunta sobre o envio naval, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que a administração de Donald Trump “está disposta a usar todo o poder dos Estados Unidos para impedir a entrada de drogas” nos EUA “e levar os responsáveis à justiça”. Também enfatizou que Washington não reconhece o governo de Nicolás Maduro como “legítimo na Venezuela”, mas sim como um “cartel narcoterrorista”.

Da ameaça à ação bélica

Já na segunda-feira (18), a agência de notícias Reuters publicou que pelo menos três destróieres estadunidenses (navios de guerra) com mísseis guiados Aegis chegariam à zona sul do Caribe nesta semana. Além disso, foi divulgado que esse envio de artilharia naval viria acompanhado da mobilização de pelo menos 4.500 efetivos. O argumento utilizado é de que são necessárias manobras desse porte para perseguir organizações de narcotráfico que foram classificadas por Washington como terroristas e, portanto, representam uma ameaça à sua segurança nacional.

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Os navios mobilizados, segundo a mesma agência, são: Gravely, Jason Dunham e Sampson. Analistas apontam que não havia um deslocamento semelhante desde a invasão do Panamá, em 1989.

No mesmo dia, o presidente Nicolás Maduro condenou o fato de os Estados Unidos recorrerem a falsas acusações de narcotráfico para tentar violar a soberania da Venezuela e derrubar seu governo.

“Nossos mares, nossos céus e nossas terras são defendidos por nós; foram libertos e são patrulhados por nós; nenhum império virá tocar o solo sagrado da Venezuela, nem deveria tocar o solo da América do Sul”, declarou.

Prevenção e segurança

Na terça-feira (19), Maduro liderou um ato de reforço dos dispositivos policiais em Caracas, a capital venezuelana. A rede de mobilização dos corpos de segurança se chama “Quadrantes de Paz” e consiste na distribuição de equipes de atuação específica para cada uma das 299 zonas em que foi dividido o território da cidade.

Essas equipes incluem ligação com as organizações comunais de cada setor e com a Força Armada Nacional Bolivariana. Dessa forma, busca-se detectar e enfrentar qualquer ameaça que possa surgir.

Maduro ressaltou que a medida se baseia no princípio estratégico da “união perfeita entre povo, forças armadas e polícia”. “Essa aliança indissolúvel entre o povo organizado e os corpos de segurança do Estado entra agora numa nova fase de expansão”, afirmou.

Além disso, também na terça-feira (19), foi publicada uma disposição que “suspende e proíbe, em todo o território nacional, compra, venda, fabricação, importação, distribuição, instrução, capacitação, adestramento, registro e operações de voo de Aeronaves Pilotadas à Distância (RPA), sejam remotamente pilotadas ou não, bem como aeromodelos, suas partes e componentes”. A medida tem validade de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

Recentes mobilizações lideradas por Maduro se baseiam no princípio estratégico da “união perfeita entre povo, forças armadas e polícia” (Foto: Presidência da Venezuela / X)

A resolução foi publicada na Gaceta Oficial nº 6.927, datada de 18 de agosto de 2025, e justifica a suspensão das operações com drones na Venezuela com a necessidade de “proteger o povo venezuelano diante de qualquer ameaça interna ou externa pelo uso inadequado de objetos que se deslocam ou se sustentam no ar, os quais representem risco para a defesa integral do território nacional e demais espaços geográficos da República Bolivariana da Venezuela”.

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