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Incêndio destrói acampamento com 42 moradias de migrantes em Ceuta, onde milhares vivem ao relento Diálogos do Sul Global

Incêndios em vários pontos da cidade de Ceuta, como o polígono industrial de Tarajal e as imediações da praia de Trampolín, destruíram na madrugada desta sexta-feira um acampamento onde mais de 40 moradias improvisadas de migrantes foram totalmente consumidas pelo fogo, sem que tenham sido registrados feridos ou vítimas fatais. A polícia indicou que o incêndio pode ter sido provocado por “um descuido”, hipótese rejeitada pelos afetados.

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polígono industrial de Tarajal – Twitter X

A polícia e o serviço público de bombeiros investigam a origem do fogo. Cinco dos migrantes afetados afirmam que o incêndio ocorreu acidentalmente pelo contato de algumas velas, enquanto um pequeno grupo de menores bebia em sua barraca.

O polígono industrial de Tarajal, onde se encontra um dos maiores assentamentos desse tipo de moradia, foi justamente onde ocorreu o maior incêndio, que destruiu pelo menos 42 delas.

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Os próprios moradores da região alertaram os serviços de emergência, que chegaram imediatamente para controlar as chamas e colocar os migrantes afetados em segurança.

Um dos episódios mais graves ocorridos até agora durante a crise migratória nesse território autônomo foi o incêndio de 20 de agosto, provocado por um grupo de integrantes da extrema-direita na praia de Trampolín.

Mais de 5 mil migrantes continuam nas ruas após a entrada em massa de mais de 72 mil pessoas no fim de julho e aguardam que o governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, resolva seus pedidos de asilo ou sua repatriação.

Os abrigos de acolhimento temporário estão lotados, e outro, como o acampamento temporário do Porto de Ceuta, está em construção. Diante desse cenário, milhares de migrantes estão ao relento, em moradias temporárias construídas com materiais descartados e lixo, chamadas de “chabolas”.

O presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, afirmou que espera que o procedimento administrativo e o retorno da maioria dos migrantes sejam concluídos antes do fim do ano, diante da crise decorrente da entrada de 72 mil pessoas procedentes do Marrocos no final de julho.

“Estabelecemos o comando único até o final do ano e esperamos ter essa situação resolvida até lá”, afirmou em entrevista à La Sexta.

Questionado sobre a falta de firmeza em relação ao Marrocos e se teme a espionagem com o Pegasus, Sánchez respondeu: “Isso está muito bem para uma série da Netflix, outra coisa é a realidade. Mas o inteligente, ainda que seja de um ponto de vista pragmático, é manter uma boa relação com o Marrocos, se queremos, além disso, o retorno dos migrantes que não tenham direito a asilo”.

Por enquanto, o governo espanhol decidiu acelerar, com mais recursos e mão de obra, a construção do acampamento humanitário que está sendo erguido no Porto de Ceuta, a cidade autônoma espanhola situada no norte da África, que, no final de julho, registrou a entrada de mais de 72 mil migrantes.

O principal Sindicato Unificado de Polícia (SUP) solicitou a suspensão “imediata” das obras, alegando motivos de “segurança”, e afirmou que antes é necessário “verificar os riscos de incêndio, as rotas de evacuação e o perigo decorrente de sua proximidade com infraestruturas estratégicas de combustível e energia”.

Calcula-se que haja entre 5 mil e 13 mil migrantes perambulando pelas ruas e bosques de Ceuta, e está previsto receber no novo abrigo cerca de mil pessoas que atualmente passam a noite em moradias improvisadas com restos de lixo na praia do Trampolín.

Além disso, o governo de Ceuta, presidido pelo conservador Juan Jesús Vivas, solicitou a intervenção imediata do Ministério da Transição Ecológica para solucionar o que qualificou como “a grave degradação ambiental gerada pelos assentamentos irregulares”, assinalando que existe uma “acumulação maciça de resíduos, alto risco de incêndios e forte pressão sobre a flora e a fauna protegidas, tanto nas áreas de mata como em todo o litoral”.

No plano político, o chefe de gabinete do delegado do governo espanhol em Ceuta, Gonzalo Sanz, apresentou sua renúncia após acusar seu chefe, Miguel Ángel Pérez Triano, de “mentir” sobre a notificação que ele próprio lhe encaminhou, na qual o Centro Nacional de Inteligência (CNI) alertou — um dia antes — sobre a iminente entrada em massa de migrantes, conforme confirmado pelos 40 documentos desclassificados. O governo central insistiu em sua versão original e nega ter recebido qualquer alerta.

Nesse contexto, o direitista Partido Popular (PP) voltou a apontar o governo do Marrocos como um dos responsáveis pela crise migratória, que eles definem como “invasão”.

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